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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

21
Ago10

Da Naia à Pedrada

Luiz Franqueira - Ventor

Depois daquele diálogo com o sapo da Fonte da Naia e o outro lá atrás a registar tudo, pois logo que me viu, saltou para dentro de água para iniciar a sua máquina e tomar nota do diálogo entre o outro e eu, despedi-me deles e iniciei a caminhada até à Ferrada. Fiquei um pouco embaralhado quando descobri lá, todo refastado, a apreciar as belezas dos seus trajectos e as brandas dos rouceiros, o Jipe do Zé Manel com uma guarda de honra de meia dúzia de cavalos garranos.

(Deixo-vos algumas fotos, aqui, no Shutterfly)

 

 

O Jipe do Zé Manel descansava, na Ferrada, pois, a subida do Muranho, custa também aos jipes!

 

Observei tudo em volta e, nada mais via que não fossem as paisagens, os cavalos e as vacas, além do jipe. Iniciei, então, a subida rumo ao Muranho e olhem que não foi nada fácil! Cada vez estou mais enferrujado para estas coisas, mas não é nada fácil, sofrer da coluna, cavalgar 168 cavalos de uma só vez, todos os dias de manhã à noite e, depois, armado em pimpão, querer, como nos velhos tempos, subir aqueles montes com caminhada em passo marcial.

Lá cheguei ao Muranho e, como a caminhada não tinha a celeridade que eu pretendia, fui procurando, pelo caminho, um salgueirinho que lá encontramos o ano passado, mas nada!

 

 

Esta galanta já terá ouvido falar do Ventor mas, certamente, nunca o terá visto por ali. Quem sabe?

 

Junto dos cortelhos do Muranho, verdadeiros monumentos, cheio de sede, notei outros rastos do meu Maralhal, mas eu queria era a fonte. Aquela bela nascente do nosso contentamento. Fora da porta do cortelho, haviam sinais da presença dos novos suevos do séc. XXI. Ainda pensei que algum ficasse por ali com birrice em acompanhar o meu amigo Apolo até à Pedrada, mas eles tinham saído cedo. A hora marcada era às 6 da manhã em Adrão e, mesmo que, houvesse algum atraso, eles tinham sobre mim uma vantagem de 3 a 4 horas. Se cumprissem a hora, o Luís saiu de Ponte da Barca às 5 da manhã, eu saí do fojo às 10, era um tempo abismal mas chamei se estava alguém na escuridão do cortelho. Nestas coisas, quase sempre há cansados, mas não. O único cansado era o Tomé, o cão do Zé Manel. Espreitei o Cortelho e lá estavam duas lanternas vermelhas - os seus olhos.

 

 

Os cavalos já conhecem o jipe e, como tal, esperam que o forasteiro siga o seu caminho e deixe o jipe descansar. Esperam chegar, junto dele, primeiro que o Ventor!

 

"Que fazes aqui Tomé"? 

«Olha, durmo, se me deixares"!

"Que é feito dos gajos"?

«Deixaram-me a dormir na Corga da Vagem à sombra das urzes. Partiram e não me chamaram! Quando acordei e não os vi, não segui o rasto, apenas os mandei à fava e voltei para aqui, este belo palácio, onde a sombra é saborosa»!

«Chegaram à Corga da Vagem, onde as horas não contam, só conta o desgaste da subida e, ainda muito cedo, lançaram garras ao farnel e eu achei que era tempo para arranjar um pouco da vida de cão e fui fazer o que mais gosto. Encostei-me à sombra de uma urze e esqueci a algazarra dos gajos. Adormeci! Ao acordar não vi ninguém e, não estive com meias medidas. Tirei a bússola, analisei o terreno e, regressei, rumo ao Muranho. Agora, aqui estou, nesta fresquinha toda, só para mim! Se fosse a ti deixava-me ficar por aqui porque iniciar essa subida com este calor só de lobo doido. A Pedrada é sempre a mesma e não sai do sítio».

 

 

Este cavalo observa a caminhada dos companheiros depois de ter dado as boas-vindas ao Ventor 

 

"A Pedrada não sai do sítio, Tomé, mas eu gosto de a ver lá parada a espreitar sobre os outros cabeços e eu gosto de espreitar de cima dela, tudo em volta. Fica bem Tomé e vai sonhando enquanto dormes porque, quando eu voltar, ainda vais estar aqui»!

 

Voltei a olhar a subida do Muranho à Derrilheira. Era quase meio dia, estava calor e continuei a caminhada até à fonte. Bebi dois copos cheios de água gelada, acabadinha de sair da "friza" e lá reiniciei mais um troço da minha caminhada.

Com um andar sarronco, deixei de lado o troço que seria, com um pouco de vontade para jipes e caminhei sobre o mato, em subida mais íngreme e mais curta. Não me desviei para o Alto da Derrilheira, deixei isso para o regresso e rumei à Fonte da Corga da Vagem onde cheguei às 12:41, depois de fazer uma inspecção a uma das flores que nunca tinha visto na minha serra. Apenas o ano passado, em 9 de Agosto, a encontrei na Fonte das Forcadas e, como seria de esperar, fotografei como uma das maravilhas deste mundo. Este ano encontrei-as um pouco antes de chegar à fonte da Corga da Vagem. Foi um fotografar!

 

 

A Fonte da Corga da Vagem, nas minhas Montanhas Lindas

 

Não bebi água! A sede era muita, mas a fonte estava quase estanhada, lembrei-me dos sapos da Naia e desisti. Enquanto transportava as minhas duas cervejas às costas, quentes como o caldo, ninguém tivesse pena de mim. Quando regressasse ali, meteria uma cerveja na "friza" e depois de bebe-la, eu estaria preparado para voltar ao Muranho onde, aí sim, voltaria a matar a sede. 

 

Tirei fotos às minhas flores azuis, às vacas deitadas no Cabecinho, e no poulo acima e, dirigi-me corga acima, onde encontrei a refrescar uma garrafa de vinho, no meio da água a fazer-me um convite de boas vindas. Puxei-a com o cajado que levava feito à pressa na Portela e, para meu azar, tive pena do dono ou donos da garrafa e desisti dela. Quem sabe se para o ano eu vejo por aqui fotos dos mesmos exploradores de petróleo ou outros!

 

Em caminhada acelerada, tanto quanto podia, debaixo de um sol quente, mas não escaldante, talvez como os américas a sair do Iraque, dirigi-me à Fonte das Forcadas onde, este ano, não haviam as minhas belas florzinhas azuis encontradas o ano passado, nem escorrichavam da terra as primeiras águas da Corga da Vagem, este ano nasciam mais abaixo, torci à esquerda, caminhei no espaço do meu sonho com os lobos e, sem nevoeiros como no sonho, dirigi-me, encosta acima, por entre jovens urzes renascidas após o fogo de 2006, até ao Outeiro Maior - a Pedrada.

 

 

O marco geodésico no Outeiro Maior - o Alto da Pedrada

 

Fotografei tudo em volta e, mais uma vez, e outra, e mais outra, e ... fui observando os malfadados fogos que queimavam as raízes das minhas Montanhas Lindas, lá por baixo, nas encostas de Soajo, junto ao rio Lima, no Gião, na serra Amarela (a mata de Cabril), e fumos espalhados sei lá por onde. Uma pena, uma tristeza, uma vergonha! Depois, ali, só, no pináculo do meu mundo, onde o telemóvel não serve para nada, tal como o lobo solitário, pensei na próxima tarefa e onde ir matar a sede. Duas cervejas eram a minha reserva!

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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18
Ago10

Como um Lobo Solitário

Luiz Franqueira - Ventor

No dia 12 de Agosto, neste ano de 2010, levantei-me muito cedo no Hotel de Castro Laboreiro. Espreitei pela janela e, grande desilusão, as nuvens, bem negras, voavam no horizonte, bem baixinhas.

Fui tomar duche e, sem esperanças, aperaltar-me para, se o tempo me deixasse, realizar a minha esperada caminhada à Pedrada. Quando tomava duche, pensei na hipótese de, se a chuva caísse, mandasse para casa os bombeiros que exaustos ou não, lutavam contra os fogos que lavravam nas suas fraldas.

Descansadamente, sem pressas, convenci-me que não haveria caminhada mas, depois de tomarmos o pequeno almoço no Hotel e de beber mais um café, junto ao Restaurante Miradouro, tive uma sinfonia de corvos, monte acima, a dizer-me que, fosse como fosse, mais um dia se iria passar.

 

(Deixo-vos aqui algumas fotos)

Elas foram rebocadas para aqui, pela minha máquina que viu muito do que os meus olhos viram, desde o Fojo à Fonte da Naia. Vai haver mais. 

 

Já tarde, iniciamos a viagem, rumo à Peneda e, olhava o céu onde farrapos de nuvens dançavam para mim, nos cabeços de Castro Laboreiro. Mas as notícias, na rádio do carro, não eram boas! Soajo continuava a luta contra os incêndios. Mau, mau, mau .... pensava eu, baixinho. Trocava a minha ida à Pedrada por uma valente chuvada que acabasse com estes incêndios. Passamos a Peneda, Rouças, Tibo e atravessamos a Portela de baixo, rumo a Adrão. Chegamos ao Fojo e disse: "fico aqui"!

Seguiram rumo a Arcos de Valdevez mas antes, ainda conversamos com um amigo que nos pareceu esfomeado. A minha companheira, que adora animais, assaltou-me o farnel para dar um quinhãozito dele a esse amigo que, se calhar, alguém terá abandonado por ali. Comeu quase todo o resto à noite. Cego de um olho e com dois buracos na garganta feitos por uma dentada. Ele subiu comigo até à Portela, mas eu desencorajei-o a acompanhar-me porque, lá em cima, andaria o Tomé, o cão do Zé Manel e, possivelmente, haveriam lutas desnecessárias. Junto ao Cruzeiro da Portela de Cima, com vistas para Adrão e para a Senhora da Peneda, ele entendeu e lá ficou para trás.

 

 

O Cruzeiro da Portela de Cima, entre Adrão e a Senhora da Peneda

 

Segui só! Só, tal como um lobo solitário!

Se há coisa neste mundo que eu goste, é ver as rainhas das montanhas a observar-me, firmando a vista, de cabeça levantada, não vá ser o seu dono que as procure.

Quando passei as Lameiras, calculando que só tarde iria encontrar os meus amigos, pois levava três a quatro horas de atraso, troquei o estradão dos jipes por uma caminhada nos horizontes da Corga Grande, até ao Penedo do Osso, sempre com Adrão à vista, pela minha esquerda e os fumos de Cabril, no horizonte oposto e os de Soajo, lá no fundo.

 

Ao chegar ao Penedo do Osso, das quatro vacas que ali se encontravam, houve uma que caminhou ao meu encontro alguns 100 metros e orneou. Falei com ela e ela serenou. Parecia dizer-me: "já vi que não és o meu dono e que nunca mais os vais apanhar"! 

 

 

Uma galanta, nas minhas Montanhas Lindas

 

Rumei, então, à Fonte da Naia, já cheio de sede, pois o calor era bastante e a pujança da caminhada era fraca. Observava cada pedra, cada moita que, devido ao isolamento, conseguira escapar ao incêndio de 2006. Sempre que caminho nos meus montes, sinto-me rodeado de gente! É essa a minha sensação. Nunca estou só! Ao chegar à Fonte da Naia, saía alguma água por cima da pedra que o Luis e o António estiveram a arranjar o ano passado e, a outra saía por baixo. Mal a olhei, vi saltar um sapo e outro, talvez uma princesa do mundo das fadas, ficou a conversar comigo:

 

 

Uma princesa encantada na Fonte da Naia

 

"que fazes aqui Ventor? Tu não vais beber água porque tens nojo de mim? Podes beber, Ventor, eu não sou tão peçonhenta como tu sempre ouviste dizer. Eu sou um anjo nas tuas montanhas lindas! Eu sabia que tu vinhas aí e sabia que tu irias mudar de rota só para me veres. Tu não estás a ver um sapo, Ventor! Tu estás a ver uma Ninfa das Fontes! Tal como viste nas Fontes, no Sítio do Quico. Aquelas rãzinhas que viste nas fontes eram as ninfas que tu viste quando sonhaste. Elas lá e nós cá, caminhamos sempre acompanhando o Quico. Tu sabes bem, Ventor, porque o trouxeste para cá! Sabes porque decidiste leva-lo para a fonte da tua meninice. Tu conheceste essa fonte de cueiros e bebias água sempre que lá passavas. Por aqui, só mais tarde conseguiste caminhar, olhar-nos e, posso mesmo dizer, aparentemente, adorar-nos! Nós fazemos parte de ti Ventor! Tu, as nossas Montanhas Lindas, as nossas fontes, o Quico e, muito mais, somos os guardiões desta bela serra a que outros, uns asnos, já dão outro nome, mas que para nós, será sempre a serra de Soajo. Tu vais viver sempre aqui, Ventor, connosco. Nós somos quem vela pela fonte da Naia"!

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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