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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

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Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

11
Out09

Uma Caminhada pelas Trevas

Luiz Franqueira - Ventor

Mais um sonho!

Sonhei mais uma vez com o meu gato Quico.

Foi um sonho muito esquisito, maluco, até, mas deve derivar de um conjunto de imagens e brincadeiras que ia tendo com o Quico e não só.

 

Eu dizia ao Quico que tinha de se portar bem, senão, quando voltássemos a encontrar-nos no Portal do Egipto, não voltaria a entrar comigo no Planeta Terra.

Por ali, pelo Portal do Egipto, onde os Faraós adoravam os gatos, entrávamos, saíamos, entrávamos, saíamos, e ...  por diante. Era sempre por ali, o nosso local de entrada e de saída!

 

Há tempos, interessei-me por um livro dos Templários, com o título de: "A Grande Aventura dos Templários" (da Origem ao Fim) de Alain Demurger.

 

Chegava, colocava música e, por vezes, colocava o livro junto do computador para ir lendo aos poucos e (ou) ouvir música. Ia à cozinha buscar uma bebida e, quando chegava, o Quico estava deitado sobre o livro! Ao olhá-lo, ele parecia-me tão bem que eu acabava por fazer qualquer coisa diferente para ele ficar sossegado. Ele gostava de fazer isso com este livro e eu limitava-me a achar-lhe piada. Parecia não querer que eu lesse o livro!

 

Eu olhava a capa do livro e dizia-lhe a brincar: "vês! Se calhar, seremos eu e o Antar"! Será baseado nessas brincadeiras com o Quico que me levou a mais um sonho?

 

Os Templários, como será mais que óbvio, já morreram todos (ou mataram-nos) e os cavalos brancos, pretos, castanhos, malhados, ou ... dos Templários, também. 

 

Mas como eu perdi o Quico, o anjo que o Senhor da Esfera mandou ao Planeta Azul sobre a forma de gato, cujo fio de vida foi cortado pela tesoura da Moira Átropos, agora passo o resto da minha vida a sonhar com ele. E, mais uma vez, devido a uns zum-zuns que acabei de ouvir sobre a pretensão de Marduk, aquele meu "amigo" de estimação, tive de voltar a sair pelo Portal do Egipto.

 

Neste sonho parti sózinho! Penetrei no Universo e fui colocar-me na fronteira entre a Luz e as Trevas, mas do lado das Trevas, local que os homens de Marduk temiam.

 

Pois foi assim !

Eu caminhava, rumo a sul, num sítio desconhecido, entre lindas árvores verdes, onde predominava o cheiro do láudano dos carvalhos e as nuvens brancas esvoaçavam para leste. Ao meu lado, de entre as árvores,  chegavam vozes que cuscuvelhavam ao verem-me passar. Dos cusculhos que os meus ouvidos registaram só fixei a seguinte frase: "vê lá tu o que aconteceria se o Ventor viesse a saber que o Marduk mandou apanhar o gato Quico para atirar com ele para o lado das Trevas, só para o chatear"!

 

 

O cheiro do láudano dos carvalhos ainda parece estar nas minhas pituitárias

 

Fiquei desaustinado! Dei mais umas passadas apressadas sobre as ervas, por entre as árvores e dirigi-me, correndo, a uma casa isolada no campo onde estava pendurado, numa trave, um equipamento de combate dos Templários. Como adivinhava que o meu combate seria à Porta das Trevas, pintei-o todo de negro e vesti-o! Só havia um local das Trevas por onde o Marduk seria capaz de atirar com o Quico e só o Marduk e eu, além do Senhor da Esfera e mais uns poucos sabíamos onde! Assim, todo vestido de negro e armado com uma poderosa espada reluzente que também escureci, penetrei no tal Portal do Egipto e atravessei todo o Universo colocando-me na fronteira da Luz e das Trevas mas, do lado escuro.

 

Ali, chegaram seres horrorosos, semelhantes a homens, que me viram entrar. Eram uns escroques que compunham as poderosa forças de Marduk, que com compridas lanças de metal começaram a esfuracar nas trevas para me espetarem no escuro, mas não me viam e eu, das Trevas para a Luz, controlava todos os seus movimentos. Quando a minha espada saía das trevas, só cortava cabeças. Mas eu estava só e os marduquistas, que nunca mais acabavam, estavam aterrorizados. Eles morriam tantos que, os sobreviventes, horrorizados, passaram a  esconder-se por trás de pequenas rochas onduladas que brilhavam na Luz intensa, mesmo à minha frente. De vez em quando perfilavam-se e atacavam ferozmente e eu, sempre a cortar cabeças!

 

De repente, dentro das próprias Trevas senti que algo se aproximava de mim! Os meus olhos nada viam, mas eu controlava uns ínfimos sopros de vida a aproximarem-se e, de repente, a minha espada virou-se para o local certo. Uma voz, quase surda, informou-me: «está quieto Ventor, já não estás só! Somos nós, o Mitonde e o Antar"!

Foi um momento divino, em que exaltei, mentalmente, o Senhor da Esfera por me proporcionar, uma satisfação imensa pelo facto de passar a ter ali, juntos comigo, dois velhíssimos companheios, das minhas caminhadas, em sonhos.

 

O Mitonde era ferreiro na Atlântida, e também o ferreiro do Antar, nesse tempo! E eu já não via o Antar desde que acompanhei a minha mãe até às Portas do Paraíso, quando partiu de uma bela visita que me fez, numa altura que eu caminhava, sonhando, pelo Curral das Cabras, rumo à Assureira. Junto às Portas do Paraíso, de uma beleza ímpar, a minha mãe mandava-me ir embora, regressar para onde pertencia e o Antar por trás das belas Muralhas, só me mostrava a cabeça e relinchava, correndo de um lado para o outro. Nunca esqueço este sonho.

 

E o Mitonde, prosseguiu: "camuflei o Antar de negro e coloquei-lhe umas ferraduras silenciosas, para não ser visto nem ouvido no escuro. Sabemos que há por aí muitos do Marduk"!

Depois o Antar continuou: « ... mas as minhas informações, não confirmadas, é que se trata de uma cilada feita pelas segundas linhas do Marduk, para vos fazerem lutar um com o outro e tornar tudo num desassossego. Seja como fôr, estou, junto de ti, para não permitirmos que o Marduk e (ou) os seus homens, retirem o Quico da Luz e também, se necessário fôr, para glorificarmos, mais uma vez, o combate da Luz sobre as trevas»!.

 

Eu tinha deixado de tentar pôr os olhos neles, porque não os via e procurava tudo o que se mexia no lado da Luz!

E o Antar continuou ... «A informção que tenho é que o Marduk não sabe nada do que se está a passar. Que o Quico está longe daqui, onde tu o deixaste e que está guardado por lobos que, tiveram a mesma informação que tu e, por isso, prontos para lutar contra todos esses marduquistas».

 

 

Podiam ser o Ventor e o Antar a sairem do interior das Trevas

 

Saltei para cima do Antar, disse ao Mitonde para guardar o Portal das Trevas, e nunca acreditar em nada à sua volta e mal entramos na Luz, eu montando o Antar, escuros como o bréu, só via fugas à nossa volta. Nenhum marduquista procurava defender-se! Eles ficaram todos horrorizados por nos verem juntos e fugiam para esconder-se em qualquer sítio.

 

Voltei com o Antar pelo Portal do Egipto e, de repente, vi-me a sobrevoar os mapas Google sobre o mar Mediterrâneo e a nossa costa Atântica, só começando a sentir-me com toda a naturalidade quando camihávamos sobre a serra de Arga, rumo à Pedrada, onde o meu Antar reduziu mais a  velocidade para pairarmos sobre a Corga da Vagem e, para me conseguir alegrar, fez uma paragem sobre o Alto da Derrilheira de onde via o meu mundo - o meu Berço!

 

 

Daqui, do Alto da Derrilheira, observamos tudo ao redor de Adrão

 

Lá longe, observei uns pontos minúsculos e o Antar, tão preocupado como eu, acelerou a marcha e levou-me sobre Adrão para os Montes da Assureira, onde, finalmente, lá nas Fontes, confirmei que os lobos guardavam o Quico. Era um circo de lobos com o meu Quico no meio e todos, observavam, a nossa chegada. Mas, a minha alegria foi tão grande que, quando ia dizer ao Antar para irmos buscar o Mitonde, acordei.

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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30
Set09

No Sítio do Quico

Luiz Franqueira - Ventor

 

 

Voltei a sonhar com o meu Quico, mas não o vi!

 

Os sonhos podem não ter explicações, mas creio haver sempre uma predisposição psico-somática que nos leva a isso. A sonhar!

 

Já passaram 5 dias sobre a morte do meu companheirinho de caminhadas lindas e ainda hoje me parece que ele anda aqui comigo. Tal como me aconteceu com o Rafinho, o meu coelhinho anão, está-me a ser terrível, meter na "corneta" que o perdi para sempre. Cada passada que dou, a prioridade é não pisar o Quico, é procurar o seu comer, a sua água e até julgo que nunca mais deixo de o ter à minha volta. É um duelo terrível entre a sua existência passada e a certeza de que o perdi.

 

Eu sei que adorei este gato, que foi um grande amigo e que tínhamos a nossa maneira habilidosa para falarmos um com o outro. Nós entendíamo-nos perfeitamente. Ainda há pouco tempo eu a brincar com ele lhe dizia que ele iria ecapar à turbulência cá de casa, e que iria resistir a tudo, por isso, eu  iria procurar alguém para ficar com  ele quando a Dona e eu resolvêssemos iniciar a caminhada final.

 

Ele parecia vender saúde e, de repente, cançou!

 

Não é por acaso que voltei a sonhar com ele! Dois dias depois, de o levar, dirigi-me às minhas Montanhas Lindas, em sonho, para o procurar. Achei que, se fosse lá, o via! Mas eu cheguei, cansei-me a procurá-lo por uma boa área em volta do seu sítio e, nada!

 

 

Estas foram as fontes que eu vi. As minhas Fontes

 

Já cansado, transpirado, todo sujo, cheguei à nascente das Fontes, onde ia beber água. Ali, encontrei duas mulheres muito lindas vestidas com vestidos pretos que se dirigiram para mim. Ao chegar junto delas, perguntei-lhes o que estavam ali a fazer, pois não me pareciam dos lugares em volta. Pois, por ali, vestidos negros, tão lindos, ninguém lhes dá uso. Elas eram muito bonitas e achei muito esquisito estarem por ali sòzinhas, pois não via mais ninguém.

 

Uma das duas mulheres chegou junto de mim e disse, sorrindo: "olá Ventor! Nós somos as Ninfas das Fontes, e velamos pelas suas águas e pelo Quico". Observou-me e disse: "estás muito cansado Ventor"!

 

«Estou! Estou cansado e sujo» - disse eu. «Estou farto de andar por aí às voltas a ver se vejo o Quico, pois estava convencido que o iria ver hoje»! Depois desanimado disse-lhes: «Não me podem mostrar o Quico»?

A mesma Ninfa, aproximou-se de mim, muito triste, e disse: "não, Ventor! Tu és um homem e o Senhor da Esfera não permite que tu vejas o Quico! Só um dia poderás voltar a ver o Quico e a brincar com ele. Mas não te preocupes, porque ele anda por aqui connosco"!

 

Olhei em volta e vi tudo tão natural como realmente é. Olhei o pequeno tanque de betão para reservar maior quantidade de água para os animais e, disse-lhes: «estou tão sujo! Se vocês não estivessem aqui, entrava naquele pequeno tanque e, se não me lavasse, pelo menos, refrescava-me».

 

 

Esta foi a parte moderna que vi no sonho! Queria entrar e refrescar-me!

 

"Não te preocupes que nós vamos dar-te banho! O Senhor da Esfera, isso não nos proibiu"! E, uma delas, a que permanecia calada, sorrindo, levantou os braços e colocou um biombo e um duche. Eu entrei, despi-me, meti-me debaixo do chuveiro, muito bonito, comecei a mulhar-me e, de repente, faltou a água.

 

«Então a água já acabou»? - Perguntei eu!

"Não Ventor, vais ter muita água"! - Disse a ninfa faladora.

Ela levantou os braços, apontou-os à Fonte e a água começou a jorrar sobre mim.

Depois de me lavar bem lavado, a que estava sempre calada, só tinha sorrisos, estendeu-me uma toalha muito bonita mas, semelhante àquela onde embrulhei o meu Quico.

 

«Vocês roubaram a toalha ao Quico»?

"Não, Ventor! Essa toalha é outra! É semelhante àquela onde trazias o Quico embrulhado só para te recordar que nós estivemos presentes, embora tu não nos conseguisses ver"!

 

«Bom, se não posso ver o Quico, vou-me embora. Obrigado pelo banho».

A sempre sorridente e conversadora, disse: "vai Ventor! Vem aí muita gente visitar o sítio do Quico, mas ninguém o vê e depois vêm todos beber água nesta nascente".

 

Então, a ninfa muda, pois nunca falou comigo, fez-me uma festa no queixo, sorrindo, e, a sua companheira faladora, levantou o braço, sorriu e acenou-me, desaparecendo as duas ao mesmo tempo, no local da nascente.

Eu comecei a ouvir a algazarra de pessoas que se dirigiam à nascente para beber água, mas só vi uma velhota aproximar-se, tendo todas as outras ficado para trás, junto do sítio do Quico. Olhei a velhota já tão cansada e acordei sem ver as outras pessoas ...

 

Levantei-me, fui à cozinha beber água com muito cuidado para não pisar o Quico e, como me certifiquei da realidade, não vendo os seus comedouros, nem a sua água, fiquei por ali a limpar as lágrimas, caladinho. 

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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