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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


06
Mai09

Viver com a Beleza

Luiz Franqueira - Ventor

Sonhei!

Sonhei com a Primavera nas minhas Montanhas Lindas ....

Sonhei com o tempo em que o cheiro a esterco das vacas passava por ser um perfume.

 

 

As ruínas de outros sonhos

 

Sonhei, acordei e "chorei"!

 

Sonhei que tive uma alvorada muito cedo, lá em Adrão, no primeiro cantar do galo. Que ia descendo rumo à Assureira e ainda com a Veiga escondida na escuridão matinal. Mas eu não tinha as pressas de outros tempos. Descia por Arriba dos Moinhos lentamente e notava no alvorecer do dia, os montículos dos cestos de esterco espalhados por algumas lavouras. Lá no fundo, corriam cantando as águas do rio.

 

Ao entrar nos carvalhos do Grilo, o escuro ainda estava presente e, à minha frente, seguiam vozes de gente (que nunca cheguei a ver) mais apressada que eu, enquanto eu ia tropeçando em pedras inertes no chão escuro. Continuei pelo caminho do Grilo e ouvia, lá no fundo as águas do rio e, junto delas via, o vulto, mais escuro, do moinho do ti Dafonte.

Os fetos, tal como antigamente, lá estavam nas margens do caminho como que a quererem dizer-me "olá"!

 

Ao chegar à Portelinha, olhava, lá em baixo, a Assureira ainda semi-escurecida mas, quando levantei a cabeça para olhar a Derrilheira, notei que o meu amigo Apolo ia iniciar a grande descida do dia. Tudo se começava a transformar!

Lá em cima Apolo mostrava o seu belo robe e lá em baixo, por baixo dos meus olhos, tinha a beleza da antiga Assureira, numa alvorada de Maio.

 

Desci até ao Campo onde também já haviam lavouras com os tais montículos de esterco prontos a serem espalhados no terreno para adubar aquela bela terra dos deuses, num belíssimo mês de Maio.

Concluí que iriam começar as grandes lavras!

Mas eu perdi-me no meio da "erva da cemeia"! A partir duma altura, no início da Primavera, as pessoas deixavam sempre crescer a erva numa ou outra lavoura para arranjar cementes de ervas para semear no verão, entre o milho e, também, para dar de comer às vacas que nos iam ajudar a fazer o Maio. Os animais trabalhavam e tinham de ser bem tratados e, para eles, nada como uma boa ração.

 

 

Belezas de sempre

 

Aquele cheiro de ervas e flores enebriava-me. Nos sucalcos cresciam dedaleiras cheias de força e, no muro junto às lavouras do Colado, estava estendida à espera dos raios de Apolo uma cobra esverdeada.

A minha alegria era esfusiante. Na Bouça, em cima, o meu amigo Apolo beijava os carvalhos e as giestas e, em meu redor, já esvoaçavam as borboletas de outrora. Mas, de repente, senti uma vontade enorme de descer até ao rio para voltar a olhar as libelinhas e os tira-olhos a esvoaçar entre os salgiueiros.

 

Eu espreitava o rio por entre os carvalhos. Esqueci a cobra o que noutros tempos não teria feito e comecei, tal como antigamente, a ver o melhor local para descer até ao rio mas, a folhagem de um arbusto batia-me na cara. Quanto melhor eu me posicionava para espreitar, mais a folhagem, movida por uma brisa matinal de Maio, me dava no nariz.

Voltei a olhar para o muro do portal de entrada nas lavouras e já não vi a cobra e, para meu mal, a persistência do arbusto, quando voltei a espreitar o rio, acordou-me.

 

O arbusto que me batia no nariz, afinal, eram os bigodes do meu Quico que, como sempre, tentando saber o que se passava comigo, me arrancou às belezas do passado que já só vivo em sonhos.

Ao acordar, já perante a realidade e, pensando na minha última caminhada pela Assureira, em 2006, pensei que nunca mais essas imagems dos sonhos se voltarão a repetir.

 

Mas tenho-me apercebido que, a única coisa clara e concreta nos meus sonhos é que, normalmente, é o meu Quico que, preocupado com o que me estará a acontecer, acaba por me acordar, arrancando-me de um sonho entre a beleza e me transporta para a realidade. E, como sempre, salvo raríssimas excepções, continuo a fazer as minhas belas caminhadas, sempre só, durante os meus sonhos.

Sonhos, para mim, inesquecíveis.

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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27
Out07

Ainda o Outono ...

Luiz Franqueira - Ventor

... acompanhado de sonhos e realidades.

  

 

 

Uma noite destas, estive, mais uma vez, em vias de inspirar a última molécula de oxigénio.

A dona do meu Quico quis chamar o 112, e eu fiz-lhe sinal que não!

 

Consigo raciocinar com muita simplicidade e das duas uma:

 - ou o 112 chega e eu já estou do lado de lá;

 - ou o 112 chega e eu já estou sem vontade nenhuma de ir até ao hospital;

 

Por isso, deixo andar ao sabor do Senhor da Esfera. Ele lá sabe como resolver este meu problema!

 

 

Mas depois deitei-me, medricas como sempre, à espera da eventualidade de que as coisas corram bem, mas não esquecendo a hipótese de uma possível continuidade, no mal.

No entanto adormeci e sonhei.

 

Sonhei imenso! E sonhei com coisas do passado, revivendo-as!

 

Sonhei que era muito novo, um cassapinho de tempos que já não voltam e sonhei com coisas do meu amigo Outono. Andava pela minha Assureira, num dia de sol, lindo, à procura de água na mina. A poça, cá fora, estava toda lamacenta e a mina era tão escura que não deixava ver nada lá para dentro. Eu perguntava-me como era possível que com um dia tão lindo, não conseguia enxergar nada, mesmo ali na entrada.

 

 

Arrepiei-me todo a tentar observar o que se passsava dentro da mina, olhei o vidoeiro que está à entrada com as suas folhas amarelas e o carvalho, em frente, junto ao muro, com as folhas outonais todas castanhas-avermelhadas. Olhei a casa da Assureira (o palheiro) de porta aberta. Ao meu redor tudo brilhava, apenas a entrada para a mina e a porta da casa estavam escuras como o breu.

Mas eu precisava de água! Voltei a olhar a mina e, do meio da sua escuridão, veio uma voz estrondosa. Era a voz do Senhor da Esfera!

 

«Vai-te embora Ventor! Vai Ventor! Não poderás mais entrar nesta mina»!

"Mas eu preciso de água"!

 

«Não beberás mais água desta mina, Ventor»!

 

Tirei a cabeça da entrada da mina, voltei a olhar em volta e tudo era lindo. As folhas das videiras de outros tempos, estavam amarelas. Nas lavouras de feno, observei os cagordos (cogumelos) grandes, "larápios", era asim que lhes chamávamos, quando eram enormes!

Voltei a olhar as videiras e voltei a vista para a porta escura da casa. Lembrei-me do lagar, da pia que junto ao lagar recebia a parte do vinho que escorria pelo buraco, mal fechado. Comecei a imaginar como matar a sede. Seria com o vinho novo!

 

 

Assim foi! Corri pela lage da Assureira, sem água e, tal como antigamente, ao entrar na porta que, vista da mina, era negra, cheia de escuridão, lá estava tudo claro, com lenha para o burralho, o feno, ao fundo, encostado à parede e, a seu lado, um montão de espigas de milho à espera de serem transportadas para o caniço, e junto ao lagar, os garrafões vazios, esperando a vez para serem enchidos com a bela água pé, feita com as uvas brancas do Colado.

 

Sobre o lagar, na sua horizontal, o grande madeiro de nogueira por onde, junto a uma ponta, entrava, na vertical, a rosca também de nogueira na base da qual ficava uma espécie de caixote com uns paus onde se fazia força para a rosca fazer descer aquele madeirame sobre as tábuas que espremiam o mosto até ao máximo possível. 

 

 

Mas tudo isto, tão banal como a própria vida, para vos dizer que, após a tormenta anterior em que o ar não queria entrar nos meus pulmões, a alegria de reviver momentos de uma vida que nunca consigo esquecer, não só inspirando o ar precioso, mas também o cheiro característico do mosto que num lagar fervilha enquanto eu, sedento, me delicio com o cheiro e com o copo que me preparava para encher daquele elixir fantástico. Infelizmente é aqui que tudo acaba!

 

 

Não cheguei a encher o copo mas, ao acordar, ainda continuava impregnado daquele cheiro do vinho novo pelas minhas narinas e, para mal dos meus pecados, bem tentei transformar tudo aquilo num momento realista, mas não deu. Mas deu para voltar a adormecer e repegar no sonho encontrando-me no cimo da Portelinha a ver todo aquele vale até ao fundo de Soajo, e os carvalhos da Assureira como a mais bela amostra de Outono que jamais vi. Mas as coisas nem sempre são bonitas. Do meio dos carvalhos vinham as vozes de todos os meus antepassados que me queriam comunicar algo mas que não consegui identificar. Desta vez deu para acordar todo encharcado em suor e passar o resto da noite a pensar em tudo aquilo que vi o ano passado em 28 de Agosto, mas que, em sonhos, coloquei no Outono.

 

 

Foi uma noite cheia de tudo! A senhora da gadanha que espreitou, as minhas imagens do passado, as belezas impregnadas de alegrias e tristezas, a presença do Senhor da Esfera a me dizer que não e do meio dos carvalhos as vozes de todos aqueles que, tenho a certeza, me querem bem.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira

Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas

O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais

O lobo cinzento

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso

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Falar da serra de Soajo, na qual continuo a caminhar em sonhos, não é só falar de lobos mas, também, falar das suas flores e, escolho para as representar a primeira de todas, as ericas...

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... e depois esta Gentiana azul, esta bela flor azul, aparecida na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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