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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

20
Mai14

Continuo a Sonhar ...

Luiz Franqueira - Ventor

... com as urzes rosas ou roxas, com as urzes brancas, com as flores azuis (do S. João), jesione montana_l., por entre os fetos, com as carrascas (as nossas ericas rosadas) uma das mais belas alcatifas do mundo, ...

Sonho com as minhas caminhadas nos mais belos chãos do mundo.

Mas os mais belos chãos do mundo, são, também, para mim, os chãos do medo. O medo de ficar encostado à sombra de uma rocha, à sombra de uma urze, ou à sombra de fetos, sem hipótese de me levantar e caminhar, mesmo que lentamente, rumo à fonte mais próxima.

 

 

jesione montana_ l. ou botão azul (as nossas flores do S. João)

 

 

 Quando as vejo por aqui, quase me sinto em casa mas, nada como quando as via a embandeirar os sucalcos das lavouras de Adrão

 

Como é simples o meu querer!

Não peço o euromilhões, não peço uma vida de luxúria, tal como ela é entendida pelo egoísmo das pessoas. Tudo o que eu peço é simples! Caminhar nas minhas montanhas sob o tecto do meu amigo Apolo, ao lado das rainhas das montanhas, ao lado dos garranos, os cavalos semi-selvagens ou selvagens se é que ainda os há. Caminhar pelos trilhos dos lobos, ver saltar os gafanhotos, ver esvoaçar as lindas borboletas azuis e a pousarem nas flores rosadas das carrascas, beber a água cristalina das minhas fontes, das fontes da minha serra.

 

 

 Fonte da Corga da Vagem

 

 

 Fonte do Muranho

 

Como é belo saber que ainda existe um sítio onde nos sentimos felizes quando crianças. Estou-me a lembrar de milhões de crianças que, neste mundo só bebem água que mata, especialmente, das crianças africanas que têm de caminhar quilómetros para beberem uma água barrenta que lhe mata a sede mas que também lhe pode matar a alma. Caminhar quilómetros de cântaros à cabeça para conseguirem água para matar a sede. E dizemos nós mal da terra que nos deu força para nos expandirmos para o mundo.

Por isso, tenho saudades dos meus primórdios porque não sou pobre e mal agradecido. Agradeço ao Senhor da Esfera tudo o que me tem dado e agradeço-lhe, especialmente, o que me deu nos primeiros anos da minha vida.

 

 

Como são belos os chascos na serra de Soajo

 

É natural que lhe continue a pedir para me deixar subir a minha serra, que me deixe caminhar nos trilhos dos meus antepassados, que me deixe falar com as suas belezas. Eu apercebo-me da alegria dos chascos quando lá me vêm e sei que ela será igualzinha à minha. Eles têm tantas saudades minhas como eu tenho deles.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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09
Mai12

A Serra de Soajo

Luiz Franqueira - Ventor

Quando olho para trás, recordo e vejo a minha serra - a serra de Soajo!

Por isso, recordo e relembro o meu berço. O meu berço de granito! Recordo que, nesse tempo, não sabia quem era David, nem sabia quem era o Golias mas, relembro que, então, sem conhecer esses dois, eu também tinha uma funda! Tinha uma funda mas não tinha nenhum Golias para abater! Porque não tinha filisteus nem israelitas, em armas. Não tinha desertos a defender nem palácios com colunas de mármore, como Gaza! Tinha casas simples de granito onde o gado era rei! Tinha um Éden feito de flores simples, onde predominava a flor da Erica que, na sua pintura rosa, nos inspirava à glorificação dos deuses.

 

Subia da Açoreira pelo Barroco, com as minhas vacas que adoravam ir deitar-se, entre os fetos, no Poulo da Chãe do Ruivo. Comiam carrascas e ervas, torciam ao Poulo da Fraga, dirigiam-se pela encosta da Centeeira, comendo ervas e carrascas rosas até atingirmos esse Poulo de fetos e, pelo calor das manhãs quentes, nesse monte ensolarado, elas deitavam-se entre os fetos. Atrás delas, eu observava as carrascas rosadas por onde pululavam as abelhas, na azáfama de apanhar o néctar para fazerem o mel e, entre as flores rosadas, subia até mim a melodia daquela orquestra que nunca mais esqueço.

 

No Poulo da Chãe do Ruivo, as minhas vacas descansavam, entre a sombra dos fetos e eu subia até á água que brotava na tapada do ti João Perricho onde comia o meu bacalhau, presunto ou chouriço com pão e, voltava ao tal poulo, onde fazia festas às minhas vacas deitadas que, começavam a levantar-se e espalhavam-se, monte acima, enquanto eu, com o meu cinto e umas pedras arredondadas, utilizava a tal funda, fazendo bater a pedra no poulo que, depois, partia a toda a velocidade fazendo um "róóóôôommmmm" tão intenso que parecia os aviões que, nos seus voos experimentais, tal como eu, de vez em quando, subiam as minhas montanhas lindas.

 

 

Belezas de sempre, pelas minhas Montanhas Lindas 

 

As imagens que tenho desses tempos e desses troços das minhas caminhadas, são as mais lindas da minha vida e estão gravadas no meu cérebro tal como as imagens da gruta de Altamira estão gravadas nas rochas. Imagens lindas como essas da Centeeira florida de cor rosa, só encontrei na Serra do Avô. Depois disso, apenas voltei a ver carrascas floridas mas, nunca mais espaços abertos, rosados, como nesses tempos.

 

É recordando que me apetece falar das coisas. Falar das minhas vacas, das ovelhas da Açoreira, das ovelhas da tia Custódia, pela encosta do Gondomil cheia de urzes floridas das frases de então, "Luis, vira-me as ovelhas para baixo", da raposa a tentar apanhar uma ovelha entre as urzes floridas e da sua atrapalhação quando eu já estava em cima dela, quando já ela tentava apanhar o pescoço à ovelha. Tudo isto nos tempos em que eu glorificava a corrida, nos montes mais lindos do meu mundo.

 

Desses montes da Açoreira, eu olhava, do outro lado, lá por cima de Adrão, o Alto da Derrilheira e, então, limitava-me a pensar que, um dia, chegaria lá. Eu adorava os montes da Açoreira mas, com o tempo, já mais crescidinho, passei a levar as vacas para a Chãe do Boi e, quando o meu amigo Apolo aquecia as Primaveras, as vacas começavam a ficar fora e a subir até à Naia, depois até ao Muranho e por fim, já verão fora, a Corga da Vagem, o Curral do Pai, ... Acabado de sair do berço, conquistei a minha serra, palmo a palmo, metro a metro, agarrado ao rabo das minhas vacas! E, para mim, essa conquista, foi feita nos nossos trilhos da Glória, onde os deuses me falavam por baixo dos meus pés.

 

Com o tempo, aprendi a recordar essas caminhadas fabulosas e a nunca esquecer as belezas desse meu mundo.

Numa determinada altura aceitei que as serras de Soajo e a Amarela, fossem absorvidas por esse nome colectivo de Parque Nacional da Peneda-Gerês. O Parque tinha de ter um nome e era aceitável que fosse utilizada a lógia orográfica das serras que o compõem - Peneda-Gerês!

Porém, não aceito que uma cambada de pilantras, armados em sabichões, passem a chamar à serra de Soajo, serra da Peneda! Cada macaco no seu galho!

 

Fazemos parte de um país habituado a deturpar tudo. Até a porcaria de uma telenovela, produzida e realizada por Nabos, se propôs subverter os meios para atingir o seu fim.

Quando diziam, "vamos para a Peneda", apenas queriam dizer, vamos para os Arcos! Quando diziam que iam para a serra da Peneda, queriam dizer que iam para a serra de Soajo. São gente de tão fraca índole que até descobriram que os lobos iam aos poleiros às galinhas! Porém, podem inventar tudo, menos outro nome para a serra de Soajo! Podem caminhar nas fantasias da incompetência, sempre que queiram, mas não admito que troquem o nome à minha serra.

 

 

A minha companheira de caminhadas pela serra de Soajo, nos meses de Agosto

 

Estou farto de doutores e engenheiros pindéricos, cheios de palas. Colocaram-lhe palas nos olhos e só olham em frente, esquecendo-se dos lados e da rectaguarda. Conheci muitos assim! Com o canudo mas, com uma pobreza de espírito atroz que me parecia terem apenas serradura na cabeça! Não é por acaso que o nosso país tem andado à deriva e parece, assim continuará, eternamente.

Podem governar mal. Podem encher-se à custa do povo e em nome do povo. Se o povo deixa, nada tenho a ver com isso e se entram sem nada e todos saem bem abastecidos, como dizia uma noite destas, o Manuel Monteiro, isso só acontece porque o povo, na sua boa fé, lhes permite que assim seja. Contra isso não posso nada! Todos esses pindéricos podem fazer tudo mas, junto de mim, não podem trocar o nome à minha serra!

 

Já caminhei em serras com quase o dobro da altura da serra de Soajo mas, a Pedrada, será sempre, para mim, o meu Outeiro Maior, tal como vem nas cartas militares.

Há muita gente que chama a Adrão, a terra da fome, do frio, da escravatura ... De facto foi uma terra que não foi capaz de dar de comer a todos os seus filhos, tal como todas as terras de Portugal mas, para mim, Adrão conseguiu o milagre de nunca me pôr contra ela. Adrão teve o dom de me fazer esquecer tudo o que tive de mau por lá e apenas registei tudo o que por lá tive de bom! O mesmo me aconteceu com Moçambique. Cheguei, olhei e gostei. Quase não me recordo de nada que tenha sido mau. Limitei-me a encostar a tristeza num canto do sótão e esquecê-la.

Quando a minha vida não corre bem, só há um lamento que não me larga. É este: "se calhar, nunca mais vou conseguir subir à Pedrada"!

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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