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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


04
Set10

Da Pedrada ao Muranho

Luiz Franqueira - Ventor

No Alto da Pedrada tinha de fazer opções: voltar a fazer o inverso da caminhada, descer até ao Fojo do Lobo de Gorbelas (Brusca, Seida, ?) ou, então, descer pelo lado inverso, na direcção de Arcos de Valdevez e, visitar o Fojo do Lobo cujo buraco se dirige para os montes de Travanca/Mesio e julgo chamarem-lhe o Fojo de Covas (mas, como as minhas gentes chamam vários nomes à mesma coisa, não sei). E, como seria razoável, decidi por este porque, nunca tive oportunidade de fotografar o seu buraco, devido ao matagal onde se integrava.

 

(Deixo-vos algumas fotos, aqui, no Shutterfly)

 

 

Um troço do muro do Fojo do Lobo de Covas. O seu braço esquerdo dirige-se, na direcção do Monte Gião, desde próximo do Alto da Pedrada, junto ao Palácio da Dourada, o Cortelho onde a vaca do ti Joaquim Brasileiro entrava para dormir a sesta

 

No Alto da Pedrada, cerca das 13 Horas, o vento parecia apostado em enviar-me pelo ar, rumo a Arcos de Valdevez. Soprou bem, dirigido de Castro Laboreiro e até me ajudou na descida. Lá fui rumo aos muros do Fojo que se vêm lá em baixo e cujo muro esquerdo começa, mais ou menos, no centro do Outeiro Maior, quase junto ao cortelho onde, a vaca do ti Joaquim Brasileiro, com o nome de Dourada, costumava dormir as suas sestas. Disseram-me, e eu acredito que, a Dourada, era a única vaca que tinha a mordomia de ter o seu Palácio na Pedrada.

 

 

Lá ao fundo, o Monte Gião a arder mas, na sua rectaguarda, quem vai de Ermelo para os Arcos de Valdevez, o fogo parece aterrador

 

Lá fui descendo e, num certo local, o telemóvel tocou. Era a minha companheira que, com a irmã e o cunhado almoçavam num tasco, em Arcos de Valdevez e, mais estavam apostados a exaucrinar-me com os seus belos pratos e bebidas frescas, enquanto eu, feito lobo solitário, continuava a descer rebocado pelo vento, sedento, sem água e com duas cervejas quentes como o caldo, enfiadas na mochila!

 

 

Algures, escondido no mato, fica o buraco do Fojo do Lobo de Covas

 

Fui mesmo até ao fundo do muro, ao ponto de avistar o buraco ou melhor, o local onde ele deve estar. Quando verifiquei que, descendo mais cerca de 100 a 150 metros, o meu buraco não se mostraria à minha máquina, nem esta tinha possibilidades de o rebocar até mim, desisti!

Inverti a marcha e observava o horizonte bem junto ao nariz, o que me indicava que teria de trepar muito, para chegar lá cima. Não ao cimo da Pedrada mas à cota do Olheiro do Avô, para torcer para a Corga da Vagem onde, aí sim, mataria a sede, não com água, mas com uma das garrafinhas superbock que me tinham carregado todo o trajecto. Trepando de rocha em rocha, cheio de sede e cheio de calor, cada vez mais me parecia encontrar o objectivo mais longe. Ainda me voltei para trás e tirei as medidas às encostas que me poderiam levar até ao Mesio, tentando descortinar velhos trilhos e vi uma galanta que, de cabeça no ar, me observava como que a fazer-me perguntas.

 

 

Ainda pensei seguir a minha caminhada rumo ao Mesio, mas inverti a marcha com o horizonte, bem acima da minha cabeça. Para baixo os santos e o Vento soprando de Castro Laboreiro, deram uma ajuda, mas agora? Agora, rebocar o atrelado!

 

Por fim quase me pareceu ouvi-la! "Trepa essas rochas Ventor, olha o vento e o fogo no Monte Gião"!

E era! Era aterrador ver as belas áreas de biodiversidade nas minhas Montanhas Lindas contorcerem-se nas chamas do horror. Como eu saberia tratar de todos esse selvagens que, propositadamente, deitam fogos no meu berço e por esse mundo fora. Há dias, que observava o fogo de Cabril, desde todos os recantos por onde caminhva, os fogos de Soajo, do Gião e outros que encontramos pelo caminho. Toda aquela visão dos pontos mais altos das minhas Montanhas Lindas se tornava macabra a meus olhos.

 

 

Foi aqui que o Sardão, mal enjorcado, me gozou! Força Ventor, força. Costumas dizer que subir não custa. Eu vou aqui para uma sombrinha, que me assustaste! E foi mesmo! Incrédulos ele e eu!

 

De repente, senti rastejar a meus pés algo que ainda não via e me tirou daquelas visões horrorosas das labaredas. Liguei a máquina e apontei-a mas, não deu tempo para disparar. Um lagarto, daqueles que nunca tinha visto, deu-me a oportunidade de o olhar antes de se meter debaixo da rocha. Era um sardão semelhante a muitos outros que já por ali tinha visto. Só que, este, não era esbelto como os meus sardões conhecidos. Era todo verde escuro, pernas grandes, grossas e rasteiras, um corpo curto e cilíndrico, bem grosso e uma cabeça grande quase metida entre as patas dianteiras.

Pensei em ficar por ali até ele voltar a sair e me desse tempo para atingir o meu objectivo - o Fojo, sobre a Coroa, onde a minha gente me largara às 10 horas da manhã.

 

 

O nosso frigorífico! Na nascente da Corga da Vagem, gelei esta cervejinha, a minha safa!

 

Mas a sede era muita e a distância não era pouca até chegar ao nosso "frigorífico" - a nascente da Corga da Vagem. No Olheiro do Avô ainda havia água nos lamaçais pisados pelas vacas, mas não dava para beber. Por isso dei mais uma aceleradela até à Corga da Vagem. Ali encontrei algumas "Rainhas das Montanhas", levadas pelos mesmos desígnios que os meus - beber. Eu podia arriscar beber a água, mas estava quase estagnada e, tal como na Naia, seria palco de sapos e râs. As duas cervejas que reboquei, durante horas, serviam exactamente para estes momentos. Os momentos de desilusão proporcionados pelas secas.

 

 

 

Parti rumo ao Alto da Derrilheira, virei-me para trás e vi ficarem as nossas rainhas da Montanha descansando com a barriga cheia de água 

 

Cerveja para o frigorífico, máquina a disparar sobre as nossas "Rainhas das Montanhas", os tira-olhos, as flores, ... e, num ápice, lá estava a cervejinha saída da mais bela "caixinha" onde o metal e a electricidade nada mandam.

Depois, caminhei da Corga da Vagem até ao Alto da Derrilheira, sempre observando os fogos, os Canadairs, os Helicópteros e, certamente, a esperanaça de quem dirigia essas belas máquinas, em debelar os monstros proporcionados por Vulcano. No Alto da Derrilheira, tudo faz mais sentido! Dali vejo e fotografo o meu Berço, o mais lindo berço do mundo, sem desprimor para os Berços dos outros.

 

 

Do Alto da Derrilheira tirei muitas fotos e virei-me para a esquerda, iniciando a descida para o Poulo do Muranho. Lá estavam aqueles que deveriam ser os meus companheiros de caminhada. Parece que vou de avião! Este local é, para nós, uma espécie de Santuário. E agora, para nunca o esquecermos, temos por lá, em espírito e em cinzas, o nosso amigo Joaquim - o Pequeno. Nunca o esqueceremos. Um pequeno do meu tamanho! Era Pequeno no nome, porque eram dois primos e se chamavam Joaquins. Para nós eram e ficaram sempre a ser, o Grande (o mais velho) e o Pequeno (o mais novo). Que belos tempos!

 

Apontei a máquina para a minha esquerda e lá está o Poulo do Muranho, os seus Cortelhos e, algures, entre as urzes, a mais bela das minhas fontes, na serra, onde sempre bebi água! Mas achei que o Muranho estava demasiado colorido. Sacos-camas, chapéus, gentes coloridas e parecia-me que não descortinava quem estaria a mais ou quem estaria a menos!

 

Mas a sede que tinha aguentado durante horas, estava longe de ser sanada com uma garrafinha de cerveja. Desci da Derrilheira para o Muranho e sempre em direcção da nascente do nosso contentamento. Ali cheguei, meti a outra cerveja na friza, enchi o meu célebre copo de plástico de água pura e gelada e comecei a perceber porque, por ali, estou sempre Pertinho do Céu!

 

 

Os amigos, separam-se, perdem-se, reencontam-se e arrajam-se outros! Este casal de franceses, encontrados, em Soajo, pelo Zé Manel, queriam ir conhecer as nossas Montanhas Lindas e não podiam arranjar melhor companhia que a rapaziada de Adrão. Aposto que nunca mais esquecerão o Muranho, a Pedrada e o Fojo do Lobo de Gorbelas, da Seida, da Brusca, como quiserem! Ele está no centro disso tudo!

 

Olhei para o lado, junto da nascente, e vi uma panela. Seria a panela do grande cozido para o Luis, o António, o Zé Manel e, vim a saber depois, para um casal de franceses, filhos da França, que ali estavam com eles e queriam conhecer as nossas Montanhas Lindas.

Tanto quanto sei, o Zé Manel encontrou-os em Soajo e ter-lhe-ão perguntado algo sobre as nossas Montanhas Lindas e ele, filho de Adrão e dos Arcos, disse-lhes o que iriam fazer no dia seguinte e convidou-os a acompanha-los se realmente os interessava. E assim foi!

Sorrisos que eu colocarei aqui se eles voltarem a aparecer e se me permitirem.

 

 

O adeus do António, em pleno Muranho. Para o Ano, se o Senhor da Esfera o permitir, assim o espero, lá nos encontraremos 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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01
Jan10

Um Brinde a uma Caminhada

Luiz Franqueira - Ventor

Em 09 de Agosto de 2009, comemoramos a nossa chegada à Corga da Vagem com um aperitivo que estava guardado nesta garrafinha, deixada enterrada no lamaçal da nascente desde o ano anterior, pelo António.

 

 

Uma garrafinha de plástico que continha o saboroso néctar que o António tinha deixado na lama da fonte da Corga da Vagem, em 2008

 

 

O Ricard da garrafinha de plástico, saltou para os copos de plástico, uma das características da nossa civilização industrial e, depois, a mistura da água gelada e ei-lo pronto a descer pelos nossos gasganetes para empulgar a nossa animação

 

 

 

Os copos que estão a levar o ricard e depois a água gelada, proporções de 2 para 10 e, de seguida, ele aí vai

 

Hoje, sou eu que, faço um brinde solitário, àquela nossa bela caminhada, e aos meus amigos, Luis, António e Zé Manel, recordando-me, a mim mesmo, que vale sempre a pena brindar à amizade, nem que seja só. 

 

 

Um copo de ricard, em honra de vocês os três e, também  de toda a malta de Adrão que está espalhada pelo mundo. Creio que, agora, já voltamos a estar juntos.

 

Para todos vós, um BOM ANO de 2010.

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira

Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas

O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais

O lobo cinzento

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso

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Falar da serra de Soajo, na qual continuo a caminhar em sonhos, não é só falar de lobos mas, também, falar das suas flores e, escolho para as representar a primeira de todas, as ericas...

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... e depois esta Gentiana azul, esta bela flor azul, aparecida na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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