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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


25
Set10

O Castelo de Castro Laboreiro

Luiz Franqueira - Ventor

Agora sim!

Agora já vos posso continuar a falar daquele todo montanhoso a que passaram a chamar de Castro Laboreiro, Planalto de Castro Laboreiro, Montes Laboreiro e que eu chamo de Castrum.

 

Deixo-vos algumas fotos, do castelo de Castro Laboreiro e arredores, aqui, no Shutterfly

 

Agora, como dizia, já posso continuar a falar do castelo e das gentes de Castrum. Mas, continuo a dizer-vos que, falar das gentes de Castrum é tal e qual como falar-vos das outras gentes em volta: de Soajo, por exemplo, de Lindoso, de ...!

 

 

Subida norte para a entrada no castelo de Castro Laboreiro

 

Porém, há sempre alguma diferença! As gentes de Castrum, tiveram e têm o seu castelo, tiveram e têm os seus mastins, aqueles belos amigos de Castro Laboreiro, os seus cães. Os de Soajo, nunca tiveram castelo mas tiveram os seus mastins que os acompanharam pela vida fora, nas grandes caçadas. Nas duas zonas, a de Castro Laboreiro e a de Soajo, as suas populações serranas, deixaram raízes e marcas da sua presença por aquelas belas montanhas forradas de fraguedos.

 

 

 Porta norte de entrada no castelo de Castro Laboreiro

 

Mas existem, entre as zonas de Soajo e de Castro Laboreiro, algumas diferenças topográficas e com elas algumas diferenças nas características e nas caminhadas das suas gentes.

Não me parece que os romanos, os árabes ou outros, permanecessem muito tempo pelos arredores de Soajo. As raízes das gentes de Soajo estavam impregnadas da rigidez da sua serra e das suas lages de granito em volta das zonas do Mesio e do Gião e até, por vezes, tenho dúvidas que os árabes e os romanos tenham por lá passado e se passaram, terá sido, toca e anda! Provavelmente, já nesses velhos tempos, as gentes de Soajo e dos seus arredores seriam tentados a aplicar a teoria do pão quente na ponta da lança até esfrear. Por isso sou tentado a acreditar nessa teoria e a acreditar que talvez alguns dos eventuais invasores do nosso Minho, utilizassem a mão a servir de pala para, apenas, dar olhada. 

 

 

Alguém dá uma olhadda para sul, de onde caminhan rumo a Castro Laboreiro os fumos que se soltam do Inferno em que se tornaram os arredores de Soajo e a mata de Cabril 

 

Em Castro Laboreiro já não. Em Castro Laboreiro, quem foi tentado a ficar por ali, teve de meter mãos à obra e levantar o seu castelo. Uns dizem que foi obra dos árabes outros dizem que foi obra dos romanos e eu digo que, uns e outros, deitam-se a adivinhar. A verdade é que ele lá está, majestoso, embora esventrado pela explosão da pólvora, muitos tempos atrás.

 

Por mim, acho-o majestoso e altivo, como o monte onde ele se ergue, espreitando todos os cabeços à sua volta até terras de Espanha. As suas gentes de origem céltica, viveram protegidas pelos cabeços graníticos dos seus montes e, com a chegada dos romanos, dos árabes e sei lá de quem mais, foram tentados a organizar-se, a traçar planos como demonstram as suas pontes e o seu castelo. No caso de Soajo, que me recorde, a ponte romana mais perto, será a de Cabreiro. Talvez a ponte de Bordença tivesse uma origem romanóide bem como os resíduos de calçada que existiam nos meus tempos de puto (aproveitada pela estrada florestal para Adrão), passando por Bordença, subindo a Coroa, rumo ao Fojo, que eram os caminhos de passagem para a Peneda e, quem sabe, para Santiago de Compostela. Ainda hoje há romeiros caminhantes que perdem a cabeça e vão a pé desde a Peneda para Santiago de Compostela (eu sei de quatro mangas que ficaram pelo caminho, creio que já perto da meta mas, as bolhas não dão tréguas!). Em Soajo, não conheço nenhum painel que nos indique os caminhos de Santiago, mas em Castro Laboreiro há e diz-nos que o meu amigo Apolo é o nosso guia. Só que, o caminho de Santiago que, em Castro Laboreiro nos indica o rumo a Santiago de Compostela, nos indica também o caminho para a Senhora da Peneda, para Adrão para Soajo e por diante.

 

 

Rumo a Oeste, o meu amigo Apolo espreita-me sobre esta espécie de Menhir, sorrindo ao ver a azáfama em que me encontro a fotografar tudo em redor do meu novo castelo

 

Por isso, acho que, hoje, tudo é muito simples mas, antigamente, não fossem os romanos e tudo seria o diabo para encontrarmos qualquer caminho rumo a Santiago ou a outro lado qualquer. Por tudo isso, eu até acredito que, se os romanos fizeram as pontes e as calçadas que serviram para passar Santiago e os que o trasportaram, também, certamente, terão pensado melhor e, no meio da gente castreja, resolveram juntar os botões e ir a jogo. Vamos lá fazer um castelo para defendermos o couro, o nosso e o vosso, porque existe uma certa fúria, em movimento, que já varreu a Europa e agora vai varrer a Ibéria e prepara-se para nos varrer a nós também aqui, neste planalto de pinhascos.

Claro que também estou a adivinhar. Por esses tempos também eram outros os meus castelos que foram erguidos por vários azimutes de outras galáxias e como o Senhor da Esfera não me deu  o dom da adivinhice, tento eu fazer por isso.

 

Feito, em termos de projecto, pelos romanos, pelos árabes ou por quaisquer outros dos seus primos, ele tem, de certeza, na sua construção, o pulso do povo castrejo. E hoje, penso eu, mesmo que o seu castelo não volte, mais alguma vez, a rebentar com pólvora, penso que o povo de Castro Laboreiro irá continuar a olhar o seu castelo com orgulho porque, mesmo nas suas bases, ele continuará sempre a ser uma relíquia.

 

 

Um pormenor da base das grandes muralhas do castelo de Castro Laboreiro

 

Esse orgulho eu também sinto por um castelo que nunca tinha sido meu mas que agora também já é! Conquistei-o num dia de Agosto de 2010. Eu assaltei as suas muralhas, caminhei nele, observei os seus muros, imaginei como terão sofrido aqueles que o construiram sobre penhascos e aqueles que o viram estoirar envolto em fumo que se terá espalhado pelos seus horizontes. Essas ruínas dizem-nos que, em locais inóspitos como os da sua base, a presença dos homens foi uma caminhada constante rumo à eternidade. Nas raízes desse castelo ficou a mensagem!

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

Ventor, nas suas caminhadas | Divulga também a tua página

20
Jul10

Castro Laboreiro

Luiz Franqueira - Ventor

Castro Laboreiro: o homem, o cão e a serra (veja fotos aqui)

 

Eu, para ti, era um estranho, mas tu soubeste que nos meus olhos, tal como nos teus, não havia maldade

 

Já falei aqui, algumas vezes, de Castro Laboreiro, dando, pelo menos, um cheirinho dos seus belos cães e das suas pontes romanas, românicas, célticas ou "miscelâneas" (reconstruções, reparações), porque não? Desde que o homem tentou atravessar rios, ribeiros, corgas, ... que pensou em construir pontes e, nisso, sabemos que os romanos foram especialistas no seu tempo. Hoje tudo evoluiu, desde as pontes das grandes vigas e, especialmente, desde que S. Francisco quis uma grande ponte na sua baía. 

 

 

 

Mas, mesmo não havendo maldade, tu indicaste-me que nós éramos estranhos e cada um deveria seguir seu rumo, mas ficamos amigos para sempre

 

Eu, e outros de Adrão, por exemplo, tal como os de Castro Laboreiro e muitos outros, podíamos vir a ser bons engenheiros de pontes. E porquê? Porque nós, quando pequenos, brincávamos às "pocinhas"! Isto é: "represas e pontes em miniatura", eram a nossa especialidade (fazíamos os nossos brinquedos). Quando ouvia falar da velha represa de Lindoso, sabia que a passagem era feita de barco, de Paradela para Lindoso e de Lindoso para Paradela. Cheguei a imaginar construir barragens e, para evitar o barco, construir a respectiva ponte que permitisse a passagem. Havia determinados locais que as águas das chuvas escorriam e nós fazíamos a barragem e construíamos a tal ponte de madeira ou pedra, imaginando como dispensar o barco (na realidade, nunca fui amante dos barcos), mas os dilúvios de Adrão, levavam-nos tudo!

 

 

Vós sabeis que sois os guardiães da vossa dona e que fazem parte da sua família e ela da vossa. Juntos levaram as ovelhas à serra e juntos as levarão de volta. Agora, se calhar, o lobo já não é perigo

 

Ninguém me garante que não foi assim, brincando às "pocinhas" que os povos (como os celtas, os romanos e outros) aprenderam a construir as suas pontes!

 

 

Depois de subir e descer outeiros e de pisar tapeçarias de granito, pisar tojos e carrascos, observar as belas flores dos vossos montes (como as dedaleiras, pois haviam muitas à vossa volta), sabe bem o descanso

 

Mas, sobre pontes, como as de Castro Laboreiro, romanas ou primas, eu só mostrei fotografias, e falei dos carriços do rio. Pouco sei sobre Castro Laboreiro a não ser que algumas dessas belas pontes romanas ou "romanóides", que atravessam o rio Laboreiro, são lindas, como lindas são as suas paisagens.

Sobre os cães de Castro Laboreiro, conto por aqui a história que o meu pai me contava  quando era miúdo. Essa história o meu pai contava-ma como se o dono do cão fosse seu amigo. Se calhar era. Isso será de somenos importância! A importância está no comportamento do cão de Castro Laboreiro perante o seu dono. E quem conhecer um pouco dos cães de Castro Laboreiro, sabe que eles são assim e não custa nada admitir a história como verdadeira. Com essa história e outras, além da minha permanente convivência com cães de várias raças, como os de Castro Laboreiro (lembro-me muito bem de um cão chamado Grilo que veio de Castro Laboreiro para Lisboa) e de um pastor alemão que conviviam e brincavam porque o pastor alemão viu crescer o castrejo e adaptaram-se mas, nunca me esqueço dos ciúmes que tinham se eu dedicasse um pouquinho mais do meu tempo ao outro.

 

 

 

Também a vossa dona estará cansada mas, aposto que nunca da vossa companhia

 

Mas em Castro Laboreiro eu gosto de tudo. Dos seus montes na sua escalada para alcançar o céu, dos seus cães, junto dos rebanhos e das suas gentes! As gentes de Castro Laboreiro espalham-se pelo planalto, por cerca de 40 localidades, eu ainda só vi algumas! Além de Castro Laboreiro, a terra que dá o nome genérico a toda aquela bela área castreja, no Parque Nacional da Peneda Gerês, mais umas quantas das suas brandas e inverneiras (só passar e olhar), sempre na corrida com rodas no alcatrão do planalto.

Sei que as suas gentes, tal como as de Adrão e de todos os lugares serranos, em volta, continuam a vestir-se de negro pelos que partiram para outros mundos. Aqueles que jamais voltarão e aqueles que não sabem se voltarão um dia. A vida das famílias dos emigrantes foi sempre triste para os que ficaram e para os que partiram. Os seus corações pulsam mais forte para alcançar mais longe.

 

 

Agora, vão reiniciar mais uma caminhada, monte abaixo porque, Apolo que vos aqueceu durante o dia, também já desce rumo a ocidente

 

Mas ver Castro Laboreiro como área turística é apenas uma das formas de caminhar por lá. Para as suas gentes, as caminhadas tornam-se mais penosas, pois os novos arrancaram à procura de vida e os que ficaram ou que vão regressando, ficaram mais velhos e com menos força para escalarem os seus outeiros. O cão de castro Laboreiro, tal como as suas gentes tentam caminhar entre os granitos, sonhando com os lobos, sonhando com as caras familiares, esperançados de que um dia voltarão a encontrar-se todos, uivando ou chorando uns pelos outros.

 

 

Mas, antes de reiniciarem a caminhada da descida, a vossa dona observa os forasteiros e vós vão observando ela para confirmarem se tudo está bem e nem se levantem porque sabem que o Ventor caminha ao lado do bem

 

Nós, os que vamos caminhando por lá, quando podemos e os de Castro Laboreiro que vão e vêm, sabemos que os lobos já não uivam. Uns contentam-se com ver as paisagens, observando o seu Castelo desde o Restaurante Miradouro e outros, observam os morros graníticos por onde um dia caminharam cheios da mágoa de, quase com toda a certeza, não voltarem mais a escala-los com o seu chão naturalmente belo e junto ao seu nariz.

Tentem caminhar gente castreja. O meu coração está convosco, como está com a minha gente de Adrão e tal como está com tantos outros. Caminhem rumo aos picos sempre que possam e desçam aos vales sempre na Paz do Senhor da Esfera.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira

Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas

O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais

O lobo cinzento

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso

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Falar da serra de Soajo, na qual continuo a caminhar em sonhos, não é só falar de lobos mas, também, falar das suas flores e, escolho para as representar a primeira de todas, as ericas...

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... e depois esta Gentiana azul, esta bela flor azul, aparecida na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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