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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma rola brava entre pombos torcazes. Quando vejo uma rola brava, vejo Adrão!

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

09
Jul19

Sempre na serra de Soajo

Luiz Franqueira - Ventor

Parece impossível mas é verdade. É verdade eu caminhar sempre, em sonhos ou em pensamentos, pela minha linda serra de Soajo. Sonho sempre com a minha serra e com a sua fauna. Dos animais graúdos, para mim, o mais famoso que fez parte das caminhadas do Ventor, continua a ser o lobo. Vi uns quantos várias vezes nos princípios da minha vida, pela minha serra.

 

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Tenho de voltar a beber água da Corga da Vagem, com ou sem Ricard

 

Hoje, os lobos continuam a fazer parte dos meus sonhos mas, nesses sonhos entram, também, as corsas e os javalis. Embora, na vida real, até hoje, só vi uma corsa na serra de Soajo. E, quanto a javalis, apenas só vi a carcaça de um já bem entrada pelos abutres. Porém, vêm-se muitos rastos da existência, de uns e outros, por lá.

 

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Tenho que voltar à Pedrada com bota rebentada ou não

 

Eu gostaria de fazer, pela serra de Soajo, mais umas caminhadas à moda antiga. Só, sem conversas, sem assobios, caminhando no silêncio e, de preferência, contra o vento.Então sim, certamente caminharia entre os meus amigos, como caminho nos meus sonhos. Passei cerca de quatro meses terríveis, sem vontade de comer e de dormir. Apenas deitado e, por vezes, tentando dormitar, na solidão de um quarto onde, a vida já não tinha algum significado de jeito mas, a todo o momento, sonhando ou pensando, eu continuava a caminhar na minha serra.

 

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Mas, se não der para ir à Pedrada pode ser que dê para ir à Assureira que ainda era assim nos anos 80

 

Uma noite, uma enfermeira entrou no quarto e ficou de pé a olhar-me. Entrou silenciosa mas basta o bafo para eu detectar a sua presença. Estava a começar a sonhar com um lobo escondido nas urzes e o barulho do lobo a esconder-se melhor era o movimento da enfermeira a tentar não me acordar se eu estivesse adormecido. Abri os olhos e aquele corpo, de pé, a observar-me, fez-me lembrar a estátua de uma deusa grega. Disse-lhe que "estava a pensar na estátua de uma deusa grega mas, como tem óculos, vi logo que não seria porque nunca vi uma estátua de uma deusa grega com óculos".

 

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Tal como a Assureira eu também já estou a caminho mas, temos de nos voltar a olhar

 

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No meu tempo, em 1961, este carvalho ainda era saudável. Estava assim em 2006

 

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A mina, na Assureira, onde eu aprendi a sacudir todos os medos. Entrava na poça, cheia de água para regar, passava para a mina e ia lá dentro encher as canecas de água fresca. Para mim era o terror ir lá dentro. Às vezes uma ou outra cobra acompanhava-me pela mina dentro. Elas tinham, pelo menos, tanto medo como eu. A água escorria pela rocha abaixo, do lado esquerdo, antes de chegar ao fim da mina. Para o fim da mina iam as cobras e eu acho que preferia ir buscar a água às fontes mas a minha mãe dizia-me: "oh, meu filho vai-nos buscar água à mina, estou cheia de sede". E, quando eu atravessava a lage, gritava: "mas tem cuidado com as cobras"! Claro que tinha e comecei a ficar mais animado quando todas me fugiam e fugiam bem mais que eu.

 

"Tenho que lhe colocar mais um bidão, Sr. Luiz e ia ficar cheia de pena se tivesse que o acordar". Eram bidões e comprimidos atrás uns dos outros e para quem leva tanto tempo a adormecer, para mim tornava-se impossível. E eu, com um sonho que se  avizinhava, ia entreter-me com mais um lobo que sumiu de repente. A verdade é que a minha serra esteve sempre comigo. E está! Nem sei se vou esperar por Agosto para dar lá um salto. Quero subi-la nem que seja devagarinho e renovar os pulmões com aquele ar que sopra sobre outros montes, vindo do Atlântico, passando sobre a Pedrada a grande velocidade. Quero receber o bafo do meu amigo Neptuno, transportado por Eolo e ouvir este dizer: "temos aqui o Ventor, outra vez"!

Será? Vou fazer tudo para que seja.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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