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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

22
Jan16

O Tição

Luiz Franqueira - Ventor

Vamos recordar o Tição. Há tantas coisas para contar sobre Adrão!

O tição? O que será um tição? Pois bem, em Adrão, um tição poderia ser considerado uma preciosidade. Senão vejamos!

Imaginem-se numa aldeia na escuridão da montanha, sem energia eléctrica e com quase nenhuns recursos alternativos!

Pois é! Se queríamos lanternas clássicas, daquelas com quatro vidros laterais, teríamos de ter lanterna mais petróleo. Se queríamos petromax, teríamos de ter o instrumento mais os bicarbonatos, se queríamos as lanternas a pilhas, teríamos de ter o chamado "foxe" e as pilhas, etç. Mas, num sítio, onde o abastecimento era, normalmente, longínquo, quando faltava na Tasca do meu amigo Carrasco ou mesmo Soajo, o abastecimento mais próximo viria a ser nos Arcos de Valdevez (cerca de quatro horas e meia a pé para cada lado).

Eu tinha sorte porque, o meu amigo Carrasco era quem me abastecia com pilhas de 4,5 V para o meu "foxe" de olho de boi. Pedia-lhe as pilhas e os anzóis para a pesca à truta e, raramente, ele me deixava ficar mal. Ou não havia, ou ele esquecia-se, quando ia aos Arcos abastecer-se com os produtos mais necessitados para uma aldeia sem nada. As minhas encomendas eram sempre, pilhas para o "foxe" e anzóis para a pesca. Nem sempre havia dinheiro e, quando não havia, eu pagava isso tudo com ovos frescos.

 

 

 Uma foto tirada da wiki da autoria de Photo by Jens Buurgaard Nielsen

 

Um tição será um  pau lançado para o lume do borralho em que uma extremidade fica incandescente como estas brasas e a outra extremidade, ainda por queimar, serve de pega

Se o lume estava como este, todo incandescente, dizia-se: "espera aí que eu arranjo-te um tiçãozinho". Atirava-se um tronquinho com uma ponta para o braseiro, deixando a outra metade de fora. Em pouco tempo estava feito um bastão incandescente

 

Mas, nem toda a gente podia ter tudo, nem mesmo dessas coisas, hoje insignificantes. Ou não havia dinheiro, ou não havia os produtos mas, havia sempre um tição. Nas visitas nocturnas, quer apenas por visita ou fazer combinações para o dia seguinte, sobre o trabalho, qualquer que ele fosse, a vezeira do gado, trabalhar a terra, ir ao estrume ou à lenha, havia necessidade de combinar as tarefas do dia seguinte. Depois, ai depois, é que eram elas! Era preciso regressar a casa e isso não era tarefa fácil! Na escuridão dos caminhos de Adrão teria de haver algo que nos mostrasse a nós e ao mundo que estávamos presentes e não éramos cegos. Para isso bastava-nos um tição. Um pedaço de lenha em brasa (incandescente) numa ponta e a outra ponta deveria estar normal para a podermos pegar. Oh, tia Teresa, não me arranja um tiçãozinho? Olha minha filha, o meu Luís leva-te a casa com o "foxe" dele.

Mas nem sempre isso era possível. Então, por vezes, as pessoas cruzavam-se com o tição incandescente na mão, pareciam aquelas armas utilizadas na Guerra das Estrelas (bastões), sacudidas para um lado e para o outro, para a aragem manter a brasa viva e, assim, marcar presença e tentar ver os pedregulhos que haviam pelos caminhos. Quem vem lá? Oh, Maria, que raios fazes aqui às escuras? O mesmo que tu, tento ver no escuro!

 

Para quem hoje tem tudo ou quase, acho uma beleza recordar a nossa vida com mais de meio século para trás. Grande era o teu nome, Tição!

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

Ventor, nas suas caminhadas | Divulga também a tua página


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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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