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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


24
Fev15

O Senhor da Esfera caminha a meu lado

Ventor

 

Ele caminhou a meu lado no início do ano. Caminhou comigo por Adrão, em dias de sol e com muitas flores. Não me faltaram as flores das urzes. Urzes brancas e urzes rochas, todas floridas. Não era a Adrão dos últimos anos mas sim, a Adrão de outros tempos. A Adrão dos meus tempos, rodeada dos seus montes floridos. Havia flores por todo o lado, espalhadas pelas lavouras da Veiga e por todas as lavouras que eu, da barreira, com o carro a trabalhar, observava de mão estendida sobre os olhos a fazer de pala, tentando amortecer a luminosidade que o meu amigo Apolo me lançava vindo, já alto, do Gondomil.

 

Mas eu tinha um carro e, a minha Adrão velha, só era velha nas montanhas em volta porque, lá estavam as casas actuais e a sua estrada, rumo à Peneda e a Paradela. Tudo era lindo visto da estrada, só a minha tristeza de vir rapidamente para Lisboa me atormentava. Eu estava doente e triste mas vivia a alegria dos espaços floridos dos tempos de outrora.

 

Arranquei a olhar o Senhor da Paz e abandonei todo aquele meu mundo, muito triste. Acordei e revivi, mentalmente, toda a beleza que me tinha rodeado.

 

Dias depois, fui atingido por uma tosse avassaladora. Tossia de noite e de dia, permanentemente. Não dormia. Era uma tosse seca que me queria destruir por dentro. Foram uns 20 dias de tosse intensa que a minha médica me disse, no Hospital da Luz, tratar-se de uma tosse alérgica. Alérgica ou não eu via o meu mundo desfazer-se aos poucos. Fui fazer análises, vários exames de rotina, uma trabalheira diabólica que enfrento com birrice. Até embirro com não quer que eu morra. Raio X aos pulmões. Hummm! Um Tac. Hummmm! Pneumologista. Voltei à médica. Doutora, pneumologista, das duas que me indicou, só daqui por 15 dias. Se acha que devo tomar antibióticos tem de me dar uma receita. Não quero saber da pneumologista para nada. «Mas quero eu! Não sai daqui»! Pegou no telefone e ...

 

«A pneumologista vai atendê-lo agora de manhã. Faz tudo que eu lhe disse mais o que ela lhe disser. Até à próxima consulta».

 

"He! He! ...  bem! Vou lhe dar uns antibióticos para lhe limpar" ... para me varrer o salão, pensei eu! Vim para casa e mais um sonho.

 

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Caminhava na serra de Sintra, por entre urzes brancas. Naquela zona da serra, no meu sonho, não havia eucaliptos, nem acácias amarelas nem muitos dos arbustos que por lá encontro. Haviam urzes brancas todas floridas. Eu caminhava preocupado com a minha tosse que, na prática, quase já não existia mas, no sonho, estava cá bem instalada. Caminhava e pensava: "como raio vou terminar com esta tosse"?!

 

No meio das urzes brancas, num dia lindo, cheio de luz e ambiente florido, parecia que eu já caminhava no céu, tal como me tinha acontecido em Adrão. Sobre uma pedra de granito encontrei uma receita médica escrita com letras de ouro, numa tablete de mármore da cor do mel de rosmaninho com laivos de várias cores em que predominava o azul. Sobre a receita já estava o medicamento. Duas ampolas verdinhas, um verde uniforme muito acentuado. Disse para os meu botões: "como é que isto veio aqui parar"?

 

De entre as urzes falou-me o Senhor da Esfera: «Ventor, levas isso para casa, e tomas metade duma ampola hoje à noite e a outra metade amanhã de manha. Com a outra fazes o mesmo. Metade à noite e a outra metade de manhã. Se fizeres isso, ficarás livre de todos os males e não haverá doença que te apoquente».

 

Tenho pensado nisso mas nem tudo é assim tão simples. Peguei na pedra mármore e nas ampolas para vir para casa mas, antes de acordar na minha cama, ainda perguntei ao Senhor da Esfera o que faria eu com a pedra. Ele disse-me: «escreve por trás. Podes dizer: cumpri a palavra do Senhor e fiquei bom». "Mas, e como vou eu escrever na pedra"? «Experimenta. Verás que és capaz. Poderás fase-lo só com a mão»!

 

Acordei e só penso nas ampolas verdes. Mas sei que, tiro dos meus sonhos, que o Senhor da Esfera continua ao lado do Ventor.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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