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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto.


Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz.


Se quiserem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts e blogs. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho.



Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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Aqui nasce o rio Adrão


Das melhores coisas da minha vida, foi caminhar no rio de Adrão. Até aos 15 anos e depois, à medida que por lá ia passando. Nesses tempos eu caminhava no meu rio como caminho hoje por muitos trilhos limpos.

 

O rio Adrão nasce aqui e vai perder-se enleado em matagais sem fim


27.06.16

Jasione Montana L.


Ventor

Volto aqui aos raminhos de S. João, ou botões azuis ou ainda, Jasione Montana L., o seu nome científico, para que não haja confusão.

Também volto aqui, para falar da beleza destas pequenas florezinhas azuis que, para mim, nos meus tempos de meninice, me encantavam e ainda hoje me encantam.

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Jasione Montana L.

Onde quer que veja estes botõezinhos azuis eu caminho mais de meio século para trás. Nunca me esqueci deles e vi-os uma vez na serra de Mochique, no Algarve, o que me encantou. Pensei então: "as belezas deste mundo continuam a meu lado"!

Mais tarde, em 2007, nas fraldas dos Picos da Europa, subíamos uma estrada de montanha, e levava os olhos fixos na estátua de um urso, feito de pedra. Paramos e, como sempre faço, observo tudo a meu lado, seja o que for. Insectos, lagartixas, flores, florestas, ... sobretudo coisas que me possam contar algo. E se há coisas que me contam algo, os raminhos de S. João são das mais belas. Quando era pequenote, um dos meus encantos era ver essas flores azuis penduradas nos socalcos de Adrão, o único mundo que então conhecia e por esse e outros motivos, o mais belo dos que poderiam existir. Nesses tempos, Lisboa, para mim, ficava por trás da serra Amarela e dos demais mundos possíveis ainda não tinha ouvido falar por aí além.

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Jasione Montana L., em Arcos de Valdevez

Raramente vejo estas flores penduradas pelos socalcos de Adrão mas, este ano, procurei-as em 12 de Junho e só vi duas ainda verdes que me disseram: "se voltares, em Agosto, Ventor, talvez algumas de nós estaremos por cá para encantar os teus olhos". Infelizmente, voltei mais cedo, mesmo no tempo delas, no S. João. Só que, Adrão só a vi de cima para baixo.

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Jasione Montana L., em Cunhas, num socalco pendurados para a estrada

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Penduradas no mesmo socalco, dois belíssimos grupos além de outros

Saí dos Arcos, dei boleia a uma pessoa para Soajo e disse cá para mim: "ainda vou a Adrão à procura dos Jasion Montana L., talvez tenha a sorte de os ver pendurados e belos como eles são". Perdi-me em Cunhas com eles, depois perdi-me, em Paradela, perdi-me na Cruz que olha a Várzea em honra do seu Bispo. Perdi-me nos montes sobre a Várzea, perdi-me no Poulo da Cascalheira e no Poulo dos Cagordos, no meio dos garranos. Perdi-me nas Fontes, em cima e em baixo. Perdi-me frente a Adrão e às minhas Montanhas Lindas do seu lado. Fez-se tarde e voltei a perder-me na Barreira, onde os "Jasione Montana L.", ficaram mais estupefactos do que eu, a observar-me.

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Estas são de Adrão, na Barreira, penduradas para a estrada

O tempo corre e já não deu para descer abaixo, mas já estava encantado com os meus belos botões azuis. Reconheço, contudo, que ainda não foi este ano que os vi todos viçosos pendurados nos socalcos de Adrão a observar-me.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente