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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


01
Dez17

Eu nasci na serra de Soajo

Ventor

Foi por lá, na bela serra de Soajo, pelas suas fraldas que eu aprendi a caminhar.

Hoje, ao caminhar pela serra de Soajo, vivo, em sonhos, mais de meio século depois, os primeiros 15 anos da minha vida.

Como já tenho dito, por aqui, recordo, sonhando, aquelas pequeninas passadas que ia dando agarrado às saias da minha mãe para não beijar as pedras que, "estoicamente" me ameaçavam, numa espera permanente, aguardando mais um tropeção.

 

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As rochas graníticas metamorfizadas no Alto da Pedrada, resultado de milhões de anos de acão dos gelos, das alterações térmicas e não só, foto de 12.10.2010

 

Ainda hoje vivo, em sonhos, as passadas que dava agarrado à mão de meu pai, especialmente, ao atravessar as águas que lenta ou rapidamente desciam as encostas, seguindo sempre as descidas da gravidade apontando sempre rumo ao rio Lima, lá em baixo.

 

Vivo, em sonhos, o caminhar atrás das vacas, alargando sempre a passada, tão larga quanto possível até um dia atingir o Alto da Pedrada.

A Pedrada!

Sim! Aquele amontoado de pedras que a filha de um rei qualquer das Astúrias teria juntado para construir o tal palácio.

A lenda é bonita. Muito bonita!

 

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As mesmas rochas vistas, cá de baixo, quando subo do Fojo do Lobo de Travanca, foto de 12.08.2010

 

É bonita porque nos fala de valores humanos e de beleza

Essa filha desse tal rei, uma bela princesa, sentia-se infeliz na sua terra de nascimento. Andava sempre triste e seu pai o rei estava preocupado com ela e achou que a filha precisava de conhecer mundo. Os dois acordaram no seguinte: a princesa iria caminhar na direção que quisesse procurando uma terra onde se sentisse feliz, ou encontrar um local que lhe agradasse para aí construir um palácio.

 

Assim foi. Depois de percorrer várias terras, atravessar vales e serras, foi dar com uma montanha linda. Olhou em volta e, tudo o que via lhe agradava. Só via serranias e vales profundos e, depois de tanto observar o que a rodeava, apressou-se a informar o seu séquito que era ali que construiria o seu palácio. Por isso, enquanto iria às Astúrias informar o seu pai podiam começar a transportar as pedras para a construção.

 

Regressou e chegando junto do seu pai, informou-o de que a sua vida iria mudar radicalmente. Tinha encontrado o seu local desejado para a construção do seu futuro palácio e já deixara lá parte dos seus acompanhantes para darem início aos trabalhos. Já começavam a juntar as pedras para a construção.

Pegou nas mãos do pai esfregando-as e disse-lhe: «pai, não haverá local mais bonito no mundo. Todo o horizonte em redor daquele sítio é fabuloso. Montanhas e mais montanhas a perder de vista e por cima dos cabeços das montanhas somos acariciados por uma brisa marítima. Por lá, pelos seus vales e encostas há muitos lobos, javalis, veados, ursos, ... e muita floresta de carvalhos e demais árvores como as nossas aqui. Vou construir naquele local um palácio lindo e ....»».

 

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Subindo do Fojo do Lobo de Travanca, rumo à Pedrada, foto de 12.08.2010

 

O rei não passava de um homem e, foi contagiado pelo entusiasmo da filha, pensando que exagerou ao dar-lhe a possibilidade de se tornar uma princesa feliz.

Sisudo, tentando observar o vácuo diz: "não minha filha, se esse sítio é como tu dizes, só pode ser digno de um rei".

Ele matou o sonho da sua filha, a sua princesa. Assim, ainda hoje lá estão aqueles pedregulhos de granito à espera de uma outra princesa que dê andamento à obra.

 

Quando hoje caminho pela Pedrada e observo aquela gigante cascalheira de pedras recordo a bonita lenda e recordo também como ela foi bonita para mim. Quem melhor ma contava era o ti Manuel Ramos ao me explicar como tinha ficado sem a sua mão ao manipular um petardo dos foguetes que lhe rebentou na mão.

«Luiz, nunca mexas nessas coisas. Não te esqueças que ainda podes vir a casar com uma princesa que vá acabar de construir o palácio à Pedrada».

 

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Foi uma grande subida, no calor de 12.08.2010, com a zona do Mezio, para trás, cheia de fumo, rumo ao Gião

 

Mas hoje, caminhando sobre os granitos da Pedrada, eu tento esquecer a lenda. Esqueço a princesa da Pedrada e o seu pai, um rei sem palavra.

Recorro à Geologia, à Morfologia das Rochas e vejo que o rei é o Tempo e que a princesa é a filha do tempo. Caminhando sobre a serra de Soajo, caminho sobre o tempo geológico e sou informado pelos especialistas que as suas rochas graníticas, tal como as dos planaltos de Castro Laboreiro são muito antigas pois têm mais de 300 milhões de anos.

 

Dizem-me também que todos os vales em U já foram glaciares. Estou a lembrar-me da Seida. A Seida é um vale quase em U e os gelos desciam da velha Pedrada rumo à montanha de Santo António de Vale de Poldros, desviando-se à esquerda rumando pelo vale do rio Vez. Também os especialistas me dizem que os granitos da Pedrada são resultado das intrusões das águas e dos gelos sobre os granitos e das grandes alterações das temperaturas térmicas, na caminhada dos milénios, delapidando-os.

 

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Esta foto, tirada de Arcos de Valdevez para a Pedrada, em 29.08.2016, péssima, devido às circunstâncias, foi por ela, ainda na máquina que eu soube que a Pedrada tinha ardido. Mas eu não acreditava, porque a foto era pequenina e eu fiquei com dúvidas. Pensei contudo fazer uma caminhada à Pedrada e só quando caminhava da Derrilheira para a Corga da Vagem, já com a Pedrada em frente do nariz, verifiquei, sem dúvida que tinha ardido mesmo

 

A Pedrada terá sido, então, através de milhões de anos e das várias eras geológicas um centro de gelos que desceram em seu redor em todas as direções. Ela faz parte da cordilheira Central Ibérica o Massiço Hispérico que se estende rumo à serra da Estrela e por diante, nomeada Cordilheira Hercínica ou Varisca. É uma cadeia rochosa onde as forças compressivas se iniciaram no Devónico, por volta dos 380 milhões de anos e se prolongou até ao Pérmico por cerca de 100 milhões de anos. As rochas graníticas da serra da Peneda, entre a serra de Soajo e o planalto de Castro Laboreiro, como a Meadinha, a fraga da Nédia e parte leste da serra do Gerês são milhões de anos mais novas que os granitos da serra de Soajo.

 

A cadeia Hercínica ou Varisca é constituída por rochas muito deformadas com predominância de rochas graníticas e muito metamorfizadas. São estas, grosso modo, os "madeirames" do berço da nossa serra de Soajo.

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira

Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas

O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais

O lobo cinzento

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso

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Falar da serra de Soajo, na qual continuo a caminhar em sonhos, não é só falar de lobos mas, também, falar das suas flores e, escolho para as representar a primeira de todas, as ericas...

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... e depois esta Gentiana azul, esta bela flor azul, aparecida na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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