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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

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Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto. Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «Contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz

Se querem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho

17.08.20

Caminhada na serra de Soajo, em 2020


Ventor

Na primeira metade de 2019, senti-me morto por três vezes. Tive uma máquina a sugar-me bactérias e fui submetido uma terceira vez, em Junho, para fecho final. Ainda pensei que não iria ficar por ali mas, graças a Deus iniciei as melhoras em Junho e, comecei a acreditar que, nesse ano, ainda iria fazer a minha caminhada pela serra de Soajo. Com muita vontade e com o apoio de amigos consegui voltar à Pedrada, o monte mais alto da serra de Soajo.

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E lá vamos nós. Eu sempre atrás a tirar fotos! Por isso não fico em nenhumas

Dali voltei a ver os montes da Peneda e lançar a minha vista sobre os montes Laboreiro. Um dia disse a alguém que nunca ficaríamos sem a serra de Soajo porque ela dali não sairia. Tal como o alentejano com a sua estrada. «Oh, amigo, para onde vai esta estrada»? Resposta do alentejano. "Não vai para lado nenhum. Ela é nossa"!

O mesmo disse eu a um capitão de Abril: «a serra de Soajo é nossa e nunca ficaremos sem ela porque ninguém a tira dali». Mas o caso é muito mais complicado, quando há nhurros que subvertem os nomes às coisas. Como pode haver indivíduos que se dizem estudar arquitectura e brincar com nomes geográficos? Chamar à serra de Soajo, serra da Peneda será como chamar ao seu berço, por troca, uma latrina. Como é possível adulterar nomes ao ponto de chamar à branda de Bordença, branda da serra da Peneda? Em que escola esse arquitecto estudou?

Lá que brinque com a arquitectura dos «Iglos de Pedra», ainda vá que não vá! Mas adulterar nomes, isso não tem desculpa! É preciso falar disso. Irei falando à medida que as caminhadas se vão desenrolando.

Mas como ia dizendo, este ano de 2020, voltei a repetir a caminhada. Não me custou tanto, apesar do calor, sempre estava mais fresco que nos dias anteriores. Caminhamos sobre o planalto da Naia, subimos o Muranho e empanturramos-nos de água. A bela água do Muranho que corria normalmente sem darmos pela seca.

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Aqui, o Luis Perricho observa, com a sua máquina, as bordas do berço onde se encaixa, muito bem, a Senhora da Peneda. Mais um pouco e estávamos no Muranho, à sombra das suas urzes, a ouvir os versos que a água nos cantava e a obsrvar os seus iglos de pedra.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente