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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto.


Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz.


Se quiserem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts e blogs. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho.



Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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Aqui nasce o rio Adrão


Das melhores coisas da minha vida, foi caminhar no rio de Adrão. Até aos 15 anos e depois, à medida que por lá ia passando. Nesses tempos eu caminhava no meu rio como caminho hoje por muitos trilhos limpos.

 

O rio Adrão nasce aqui e vai perder-se enleado em matagais sem fim


30.08.13

Os Abutres, na Serra de Soajo


Ventor

Um dia vi um filme. Não me perguntem qual porque não sei qual deles!

Os Gansos Selvagens, os Pretorianos, os Mercenários, ... não sei! O que sei é que havia uma frase: "quem ficar para trás, é para os abutres". Agora, como quase não há nada que o Ventor não saiba, ficou a saber que essa frase já serviu para ele!

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Estes fazem parte dos que observaram o Ventor. E atingem, estes feiosos, uma envergadura entre 2,50 e 2,80 m, um corpo de mais de um metro e 6 a 12 quilos se peso

A minha meta, é uma meta simples - a Pedrada! Não é nada do outro mundo. É uma das serras mais lindas que eu conheço e, não digo a mais linda para não ferir susceptibilidades. Isto, porque, para mim, ela é mesmo a mais linda!

De todas as serras que tive o privilégio de calcar com os meus pés, a Pedrada não fica a dever nada a nenhuma delas. E, de todas elas, como já tenho dito, é a única serra onde eu posso passear com sapatos de toilette.

Posso caminhar, posso dançar, posso cantar e até podia levar uma concertina, tal como o ti João Casanova levava a sua caixa nas montarias. Eu acho, até, que os lobos, nos anos 50 dançavam ao toque da caixa do Casanova.

Desta vez tudo me correu mal! Não fosse a companhia e a minha caminhada, à Pedrada, teria sido um fiasco. Se fosse só, tenho a certeza que chegaria lá na mesma! A alavancagem seria menor mas eu não desisto. Como eu costumo dizer, todas as caminhadas têm uma volta na ponta e, a ponta, pode ser mais curta ou mais comprida. No entanto, acredito que não voltaria para Adrão sem dar a volta ao marco geodésico da Pedrada ou, do nosso Outeiro Maior se preferirem.

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Mesmo esperando encontrar uma presa morta, eles, os abutres, andam na sua caçada

Para além da minha coluna me pegar, puxando-me para trás, eu tinha um enlevo grande para prosseguir a minha caminhada até à Pedrada - os meus companheiros de caminhada e os abutres. Os abutres foram meus companheiros de caminhadas, em Moçambique e, eu, acredito que eles vieram rebuçados pelos tempos, na peugada do Ventor. Sei hoje, segundo dizem os experts, que há abutres que vêm do centro da África, nidificar a Portugal. No entanto, tenho a certeza de uma coisa: eu nunca tinha visto abutres na Serra de Soajo. Tudo o que sei sobre abutres é que eles fazem a sua caminhada migratória e se dão muito mal pela Europa. Também sei que foram encontrados abutres inanimados pela fome e foram recuperados pela boa gente que ainda ocupa um lugar neste mundo e, também, ao lado dos abutres que ajudaram a recuperar.

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Entre as várias espécies de abutres (13?), o grifo também é um abutre e está com os olhos no Ventor

No Alto da Derrilheira, após beber água no Muranho e subir aquela encosta com muitas dificuldades, encostei à Box. Foi ali que comecei a pensar na tal volta na ponta. A rapaziada rumou à Pedrada e eu fiquei para trás a provar o fel da terra. Cheio de sede, com a coxa direita em estado de hibernia, a coluna pregou-me a partida! Prega-me a partida de vez em quando. Tinha começado na auto-estrada, a cerca de 80 kms de Lisboa, rumo a norte. Mas depois passou e tudo ficou bem.

Agora, estava num dilema. Para a frente ou para trás? Para a frente teria a subida da Pedrada, desde a zona da nascente das Forcadas, aquela que já matou a sede a muita boa gente e que, hoje, esconde-se debaixo da terra.

Para trás, voltaria a ter a Fonte do Muranho mas, também não me seria fácil descer aquela encosta, de imediato, até à sombra das suas urzes. Porém, como estava cheio de sede, decidi ir à mochila e tirar uma das duas garrafinhas de água de luso. Foi a desilusão! Nem garrafinhas de água, nem garrafinhas de cerveja! A minha boca parecia que saiu do inferno onde estivera a mascar palha cheia de pó.

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Na sua caçada, ou tentativa de arranjar alimentos, voam aos pares, tal como caminham os agentes do FBI

A decisão teria de ser rápida. Ou Fonte da Corga da Vagem, para a frente, ou Fonte do Muranho para trás, onde esperaria a minha malta. Mas com a desenvoltura com que os abutres me observavam de cima para baixo, passando à minha vertical, decidi mostrar-lhe que estavam enganados. O Ventor não fica para trás e muito menos para abutres. Perna em baixo, perna em cima, reiniciei a caminhada rumo à Corga da Vagem. Teria a sua fonte água? Poderia lá beber? Nah! Sempre vi água na corga e, se as rainhas das montanhas a bebem e não morrem, eu farei o mesmo. Além disso, se caminhava em Moçambique, 14 horas sem beber nada, à torreira do sol, porque raio deveria recear a falta de água na minha serra?

Por isso, em frente! E lá fui.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

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