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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto.


Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz.


Se quiserem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts e blogs. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho.



Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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Aqui nasce o rio Adrão


Das melhores coisas da minha vida, foi caminhar no rio de Adrão. Até aos 15 anos e depois, à medida que por lá ia passando. Nesses tempos eu caminhava no meu rio como caminho hoje por muitos trilhos limpos.

 

O rio Adrão nasce aqui e vai perder-se enleado em matagais sem fim


23.07.13

Sonhar com Bordença


Ventor

Umas três semanas atrás, pensei em rever algumas fotos de Adrão.

Pensei em organizar as fotos à minha maneira, no meu disco externo e separá-las por áreas.

Fotos da Açoreira;

Fotos de Bordença;

Fotos do Lugar, etç.

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Como era bela Bordença! Estas fotos são de Agosto de 20122

Entretanto, fui à televisão ver se havia algum filme que me agradasse e acabei por me deixar ficar.

Deitei-me bem depois da meia-noite e, as fotos acabaram por ficar para outros timings, quem sabe, um Natal qualquer.

Adormeci e comecei a sonhar!

Seria caso para dizer: "a minha alma deve estar parva"!

Mas não estava porque me deixou a dormir e foi passear para Bordença.

Quando dei pela fé, estava a fotografar o rio de Bordença mas, o rio do meu tempo. Tudo como no meu tempo. E não é a primeira vez que sonho com Bordença e um sonho semelhante a este.

No outro sonho, comecei por ver o ti João Rego a despedir-se de mim quando saí de Adrão, rumo a Lisboa. Neste sonho fiquei tempo sem fim a ver o local onde nos despedimos. O socalco estava igual, o chão estava igual mas, ele não estava lá. Olhei, re-olhei, tirei fotos ao local, recordando! Depois, desci ao rio. Estive a ver os buracos onde eu e o João da Piedade, o João Franqueira, escondemos a roupa e descemos nus o rio de Bordença e subimos o rio de Adrão, desde o fundo da Açoreira até Arriba dos Moinhos a fazer tempo para escurecer e entrarmos em Adrão às escuras.

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A ponte de Bordença está escondida pelas árvores, à esquerda

Verifiquei que os buracos ainda lá estavam mas não soube qual deles. Fotografei os buracos, deitei-me a adivinhar, qual deles e, tirei fotos. Saí do rio para os campos de cima, quem sai da ponte, rumo ao Senhor da Paz. Dali fotografava tudo.

As águas límpidas, os carriços, os salgueiros, as silvas, as libelinhas, ...

Saí e fiz toda a encruzilhada do rio, com a velha estrada do Areeiro para o Senhor da Paz. Primeiro de fora, das lavouras, depois rio abaixo e rio acima, sempre a caminhar, saltitando de pedra em pedra e sempre a clicar.

Recordo bem os salgueiros e os carriços do rio de Bordença, a sua beleza e o cantar das águas. Fotografei a ponte de todos os ângulos e tive vontade de voltar a descer o rio de Bordença!

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Do Miradouro, na estrada sobre Bordença

Desta vez, iria vestido e calçado e, como antigamente, saltaria de rocha em rocha, nadaria nos poços onde tivesse de o fazer mas, comecei a pensar que não o podia fazer. Teria de deixar a máquina, a carteira com os documentos, telemóvel, chaves, tudo, escondido num buraco.

Antigamente não tinhamos essas preocupações. Nem BI, nem fosse o que fosse. Apenas a roupa e a sachola. Comecei a pensar que não valia a pena descer o rio sem máquina para fotografar.

Não fotografaria as cobras d'água a esquivarem-se, não fotografaria os sardões, as trutas, as libelinhas, os melros d'água, o guarda-rios, a toupeira d'água, as cabras-cegas.

Não fotografaria os poços do Curral das Cabras, onde nesses tempos pescava e tomava banho. Não fotografava os poços que, então, eram tapados com torrões e pedras para preservarem as águas que, mais tarde, seriam libertadas para encherem o rego que iria regar a Açoreira. Se eu não levava a máquina para fotografar tudo isso e outros monumentos históricos da minha existência, como os moinhos, para quê fazer essa caminhada?

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Vista do miradouro, rumo ao Areeiro

Nah! Vou ter de comprar uma máquina à prova d'água!

Mas, e para quê se não voltarei a descer o rio de Bordença a não ser que a água me leve!

E porquê tanta estima por Bordença se nunca tive lá nada? Tive, tive. Bordença fez parte das minhas caminhadas. Eu sou dos tempos em que caminhava atrás das cabras que não eram minhas. Caminhava a pedido e com muito gosto por Bordença e pelos seus montes. Eu sou do tempo em que a minha madrinha me pegou debaixo do braço e correu campos a fugir aos sons de um machado realizados, segundo ela e outras pessoas por alguém que falecia em Adrão. Até disso me lembrei apontando a máquina para as árvores desse sítio e, recordando!

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Este é uma espécie de Canion granítico que liga Bordença ao fundo da Açoreira. Foto tirada, junto à ponte sobre a estrada que passa sobre o rio de Bordença

Há sonhos fantásticos!


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

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