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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

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Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

10
Out05

Memória de um Combate

Luiz Franqueira - Ventor

 

 

Quando o Ventor era pequeno, já trabalhava, pois claro! Na sua aldeia começava-se a trabalhar desde que se nascia.

Uma vez ia apanhar agriões bravos junto ao rego da água para regar toda a Veiga. Sua mãe encontrou-o junto à cancela da Veiga e deu-lhe logo uma tarefa! Perguntou-lhe que ia fazer e ele disse-lhe que ia arranjar comer para os coelhos e agriões junto ao rego. O Ventor gostava de lavar os agriões no rego e comê-los assim passados pela água fresca que vinha do rio. Naquela altura a água do rio era limpinha! Quem dera hoje fosse assim!

 

“Nesse caso” -disse ela – “podes trazer-me couves da horta da Veiga para o nosso almoço e também para os coelhos”. «Nessa altura eu tinha dois coelhos que uma tia minha me tinha oferecido e com eles eu especializava-me todos os dias na bicharada que me acompanhava, dia a dia, na minha labuta» – diz o Ventor.

 

Rio-Turgueira.jpg

 

O troço do rio ao fundo da Veiga, chama-se rio da Turgueira. Este foi o local do combate

 

Foi à horta, apanhou as couves e ao sair da horta, sentou-se no socalco da lavoura pendurado para o rio, á sombra de um vidoeiro. Começou a olhar o poço por baixo e a meditar sobre o seu disparate, sempre que descia o socalco para, mais ou menos a meio, saltar de uma altura enorme para a água em que muitas vezes parecia que rebentava por dentro ao bater no fundo do poço. Em volta do poço e ao correr do rio, haviam umas ervas tenrinhas a que a gente da terra chama carriço e que o Ventor pensava ir a seguir ao almoço com uma foicinha cortá-las e levá-las para dar à sua maravilha de mesinhos – uma vitela a que chamava Nova!

 

Ali, sentado no socalco, observou todo o ambiente e, reparou no que nunca tinha visto. A voar sobre o rio, vale abaixo, duas aves de rapina, em pleno combate! Pareciam os aviões que muitos anos mais tarde viu fazer voos de treino aéreo de combate, a brincar, nos arredores da cidade de Vila Cabral, em Moçambique. Mas, para as aves de rapina, a luta ali, era de morte!

 

 

Uma águia

Não é a águia real do célebre combate, na zona da Turgueira, em Adrão, mas mete respeito

 

Uma águia e um milhafre, tinham-se zangado algures, e trouxeram a luta para junto do Ventor. Ali à sombra do vidoeiro e também resguardado por ele, verificou que o milhafre vinha a dar uma grande tareia na águia. Ela voava por baixo com intuito de fuga, e ele picava em voos rápidos sobre ela arrancando-lhe penas da cabeça. O Ventor diz que via mesmo o milhafre picar e arrancar penas da cabeça da águia e sempre que havia o impacto do milhafre sobre a águia ela descaía no ar, perdendo altura. Por fim, já juntinho do Ventor, mas do lado de lá do rio, a apenas uns metros, a águia poisou sobre o pau de uma meda de feno.

 

Com a águia pousada no pau, o milhafre subia e fazia voo picado sobre a águia espetando-se sobre a cabeça dela com uma grande bicada na nuca e a águia continuava pousada a levar tareia e a fazer um esforço enorme para não cair da meda abaixo, afocinhando
sempre que se dava o impacto. O Ventor diz que chegou a pensar que ia levar uma águia morta para casa, como troféu, mas também chegou a pensar o que fazer para acabar com aquela luta que tanto se assemelhava à célebre luta entre David e Golias de que já ouvira falar. Mais tarde, veio a saber que se tratava de uma águia-real.

 

Quando o Ventor pensava que fazer para acabar com o suplício da águia e se preparava para descer o socalco para o rio e espantar o milhafre, julgava que a águia não se iria importar nada mas, nesse momento, ela levantou voo e o milhafre ainda fez uns dois voos picados com arranque de mais umas peninhas na cabeça dela e quando ele se preparava para fazer mais uma investida sobre a águia, a terceira desde que ela levantara voo, o Ventor reparou que a águia, ali à sua frente, apenas com o rio pelo meio, inclinou um pouco a cabeça para o seu lado esquerdo para verificar se o milhafre vinha aí. De repente ele faz um grande voo picado sobre a águia que me parecia que com aquela força de violência tal, seria a estucada final na desgraçada da águia. Mas desiludem-se! No momento em que o milhafre picou e se ia dar o impacto, a águia inverteu o voo e recebeu o impacto do milhafre contra o seu peito e, nesse instante deu-lhe o abraço da morte. Os dois vultos voadores transformaram-se num só e o Ventor ainda viu, enquanto teve espaço, a águia em voo a picar o milhafre e as penas dele a esvoaçar para trás desse vulto.

 

 

A beleza de um Milhafre Real

 

«Foi uma luta que nunca imaginei que se pudesse desencadear com tanta violência e ainda hoje penso que um dos dois deveria ter fugido, mas não. Acho que a águia, desde que eu os vi, estava em fuga e quando parou no pau da meda era para ganhar forças pois via-se que estava cansada e de bico aberto e cheguei a pensar que o fim dela ia ser ali».

 

Diz o Ventor - «não sei se o milhafre teve conhecimento da luta entre David e Golias e se até, entre eles, também existe uma história semelhante, mas sei que nunca devemos dar numa luta, a vantagem como vitória certa, mesmo quando essa vantagem é bem evidente. Para mim serviu-me sempre de exemplo aquela luta e ainda hoje vive na minha memória».

 

«Claro que todos poderão pensar que esta história não tem pés nem cabeça, sobretudo aqueles que conhecem bem o milhafre e a águia. Pois foi exactamente assim! Ao poder da águia opôs-se a leveza e a agilidade do milhafre. Todo o combate foi, desde que eu assisti, do
domínio do milhafre. Mas há sempre um senão. O milhafre esqueceu-se que as manobras, quando em demasia, podem prejudicar-nos. E esqueceu-se também que a luta entre David e Golias não tem
semelhançapois foi utilizada uma arma ligeira, mas com poder mortífero. Não foi um duelo resolvido à estalada ou à bicada»!

 

Este Ventor quando se põe a pensar, deixa-me maluco!

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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