Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


01
Jul11

Gostava de Falar de Adrão ...

Luiz Franqueira - Ventor

... das suas alegrias e não das suas tristezas.

 

Eu tento sempre esquecer as suas tristezas mas, nem sempre consigo!

Hoje, o que eu gostaria mesmo, era de estar a fazer as malas e partir a caminho das minhas Montanhas Lindas. Caminhar no meu Berço de Rocha, com o nariz levantado, sempre, passo a passo, rumo ao Alto da Derrilheira. Caminhar entre os fetos da Naia, direito à sua fonte, conversar com os sapos, beber água se estivesse tragável e, olhando em volta, iniciar o rumo ao Muranho, beber água na sua fonte e prosseguir, no mesmo passo a passo, sobre o tapete de carquejas e carrascas, observando as galantas curiosas ...

 

Inclinar-me à esquerda e, desse alto, pontiagudo e mágico, observar, lá em baixo, os montes das minhas primeiras passadas: os caminhos para a Açoreira, pelo Grilo, a Portelinha, o Barroco, o Poulo da Fraga, a Centieira, a Chãe do Ruivo, as Fontes, o Gondomil, o Marco d'Alem, a Veiga e, para minha tristeza, os telhados de Adrão, sem fumo, sem lareiras, mas com gás ou electricidade, sinónimo do progresso que não foi do meu tempo. Provavelmente, alguém seria capaz de ligar a lareira a lenha, para assar uma fatia de pão e, se mais não fosse, para animar o Ventor.

 

 

Uma das belas flores, companheiras das minhas caminhadas, na minha serra - a serra de Soajo

 

Eu sei que, se o Senhor da Esfera me deixar, voltarei a passar por isso! Voltarei a caminhar ao lado dos chascos, os chascos dos meus montes e não dos chascos de outros montes. Caminharemos lado a lado, conversando, de moita em moita e, depois de ver todos os caminhos dos meus sonhos, de completar, calcorreando, esse tapete esverdeado de carqueja, rumo à Pedrada e de fazer o inverso, ficarei sentado, aqui, em frente desta minha janela, a observar tudo e a pensar se, um dia, voltarei a caminhar nesses trilhos de sonhos.

 

Infelizmente, não farei as minhas malas, não caminharei nas tapeçarias de carqueja, não ouvirei os chascos e, nem sei, embora tenha esperança de que, mais uma vez, ou mais umas vezes, repetirei essas caminhadas e falarei das suas alegrias.

 

Mas sei que, hoje, lamentavelmente, falarei das tristezas de Adrão! Das alegrias do passado, transformadas, com o tempo, em tristezas.

Recordo-me de, quando nos anos oitenta (80'), eu fazia algumas das minhas caminhadas por Adrão, encontrar, junto da minha gente, a nossa amiga Teresa da Clara e, por razões várias, os seus filhotes, o Zé e o Afonso. Recordo mais o Afonso, o mais novo e acho que eles faziam parte da geração que me seguiu. Vi-os, tal como eu, noutros tempos, a trabalhar o cimento e recordava-me que, em Adrão, fui o primeiro puto a trabalhar o cimento com os homens que construíram a primeira casa de tijolo e cimento, ainda nos anos cinquenta - a Casa do meu amigo Rio Frio. Quando me recordo dos putos da Teresa da Clara, senhores da mesma azáfama, anos depois, acredito que estou mesmo velho! E, reparando nisso, faço balanço para quantas vezes mais poderei subir à Pedrada.

 

 

O mais belo Alto da mais bela serra - a serra de Soajo

 

Hoje penso nos filhos da Teresa da Clara e como o Senhor da Esfera lhe roubou o primeiro. Eu a pensar que ele andaria a tratar da vida por esse mundo e, ele a morrer, em Adrão, no Berço de Pedra que o viu nascer. Como a vida é madrasta para tanta gente! Eu sei que, provavelmente, o Senhor da Esfera me  dirá: "não fui eu, Ventor, foram as Parkas e, contra elas, eu nada posso"! Pois não! Eu estou aqui a escrever porque as Parcas ainda não me toparam ou, porque, quando elas tentavam cortar o fio, a força não lhes era suficiente.

 

Mas eu não gosto de falar disso. Só vou pedir ao Senhor da Esfera para ajudar a Teresa da Clara e o seu outro filhote, o Afonso, a levarem a sua vida normal, tão normal quanto possível. E, embora saiba que a Teresa da Clara não vai ler este meu post, pelo menos, em telepatia, lhe deixo aqui os meus pêsames para ela e para toda a família, pelo roubo que as forças que moldam o nosso destino lhe fizeram.

Que Deus te ajude Teresa.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

Ventor, nas suas caminhadas | Divulga também a tua página

3 comentários

Comentar post

luis.jpg

Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

Ticas2.jpg

Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira

Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

Ticas1.jpg

Ticas

O Cão Sabujo de Soajp

2017-09-15 14-22-58_0096.jpg

Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais

O lobo cinzento

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso

16726778_eS0z4.jpg

Falar da serra de Soajo, na qual continuo a caminhar em sonhos, não é só falar de lobos mas, também, falar das suas flores e, escolho para as representar a primeira de todas, as ericas...

DSC03018.jpg

... e depois esta Gentiana azul, esta bela flor azul, aparecida na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.