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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço


Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


09.07.10

Adrão, chora!


Ventor

Adrão é um lugar  que continua a ficar sem aqueles que o amam, ou que o amaram. Um após outro, todos vamos partindo e um após outro, vamos chorando por aqueles que nos vão deixando; a nós e ao lugar que nos viu nascer.

Adrão, encravado nas montanhas, no caminho da Senhora da Peneda, vê os seus filhos partir e chegar, como todos os lugares deste país, perdidos por aí. Eu sou dos muitos que partiram e só regressam para chorar. Se não for para chorar, haverá os que regressam para beijar uma última vez a terra onde, em tempos, viram a luz, e será nessa luz que querem ficar para a eternidade.

É assim com todos ou quase todos. Desta vez foi assim com o ti Joaquim da Chica, um amigo. Um amigo de Adrão e um amigo do Ventor. Soube há pouco, por um telefonema de França, de Paris que, hoje, o ti Joaquim da Chica, o meu amigo Joaquim de Barros, nos deixou para sempre e foi em Adrão que quis que os seus ossos ficassem, também, para sempre.

Há muita gente de Adrão que tem partido e eu só tenho conhecimento quando entro no Cemitério. Neste caso morreu um amigo e outro me deu a notícia da tristeza.

Um dia, esse homem, pediu-me para levar para Adrão o projecto da sua futura casa. Eu, era um puto que sonhava com o mundo e, ele, o homem que sonhava com Adrão. Com o regresso!

"Olha, Ventor, Adrão não pode dar de comer a toda a sua gente, por isso fugimos! Viramos-lhe as costas, mas temos sempre vontade de regressar. Esse projecto é o projecto da minha casa onde, um dia, espero viver os últimos anos da minha vida. Sim, porque nós partimos, mas regressamos sempre. É uma terra que não nos mata a fome, mas que nos dá uma pujança enorme ao nosso coração. A pujança da saudade"!

Foi mais ou menos isto.

A última conversa que tivemos foi, já há meia dúzia de anos, debaixo do Carvalho de Eixão, onde eu estava numa sardinhada, e ele de pau na mão se aproximou a olhar-me e pronto para mais uns dedos de conversa. A nossa última conversa.

Há três dias, ele enviou-me a mensagem de que iria partir, pois eu fiquei grande parte da noite a pensar nele, na sua saúde e na velhice e tive saudades de falar com ele. Pensei que, talvez, este verão, o visse pela sua casa de Adrão e ainda conseguíssemos ter mais dois dedos de conversa. Dois três dias para a notícia de que ele nos deixara para sempre.

Até um dia, ti Joaquim!

Para toda a sua família, deixo aqui os meus sinceros pêsames.

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente

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