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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

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Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

30
Set09

No Sítio do Quico

Luiz Franqueira - Ventor

 

 

Voltei a sonhar com o meu Quico, mas não o vi!

 

Os sonhos podem não ter explicações, mas creio haver sempre uma predisposição psico-somática que nos leva a isso. A sonhar!

 

Já passaram 5 dias sobre a morte do meu companheirinho de caminhadas lindas e ainda hoje me parece que ele anda aqui comigo. Tal como me aconteceu com o Rafinho, o meu coelhinho anão, está-me a ser terrível, meter na "corneta" que o perdi para sempre. Cada passada que dou, a prioridade é não pisar o Quico, é procurar o seu comer, a sua água e até julgo que nunca mais deixo de o ter à minha volta. É um duelo terrível entre a sua existência passada e a certeza de que o perdi.

 

Eu sei que adorei este gato, que foi um grande amigo e que tínhamos a nossa maneira habilidosa para falarmos um com o outro. Nós entendíamo-nos perfeitamente. Ainda há pouco tempo eu a brincar com ele lhe dizia que ele iria ecapar à turbulência cá de casa, e que iria resistir a tudo, por isso, eu  iria procurar alguém para ficar com  ele quando a Dona e eu resolvêssemos iniciar a caminhada final.

 

Ele parecia vender saúde e, de repente, cançou!

 

Não é por acaso que voltei a sonhar com ele! Dois dias depois, de o levar, dirigi-me às minhas Montanhas Lindas, em sonho, para o procurar. Achei que, se fosse lá, o via! Mas eu cheguei, cansei-me a procurá-lo por uma boa área em volta do seu sítio e, nada!

 

 

Estas foram as fontes que eu vi. As minhas Fontes

 

Já cansado, transpirado, todo sujo, cheguei à nascente das Fontes, onde ia beber água. Ali, encontrei duas mulheres muito lindas vestidas com vestidos pretos que se dirigiram para mim. Ao chegar junto delas, perguntei-lhes o que estavam ali a fazer, pois não me pareciam dos lugares em volta. Pois, por ali, vestidos negros, tão lindos, ninguém lhes dá uso. Elas eram muito bonitas e achei muito esquisito estarem por ali sòzinhas, pois não via mais ninguém.

 

Uma das duas mulheres chegou junto de mim e disse, sorrindo: "olá Ventor! Nós somos as Ninfas das Fontes, e velamos pelas suas águas e pelo Quico". Observou-me e disse: "estás muito cansado Ventor"!

 

«Estou! Estou cansado e sujo» - disse eu. «Estou farto de andar por aí às voltas a ver se vejo o Quico, pois estava convencido que o iria ver hoje»! Depois desanimado disse-lhes: «Não me podem mostrar o Quico»?

A mesma Ninfa, aproximou-se de mim, muito triste, e disse: "não, Ventor! Tu és um homem e o Senhor da Esfera não permite que tu vejas o Quico! Só um dia poderás voltar a ver o Quico e a brincar com ele. Mas não te preocupes, porque ele anda por aqui connosco"!

 

Olhei em volta e vi tudo tão natural como realmente é. Olhei o pequeno tanque de betão para reservar maior quantidade de água para os animais e, disse-lhes: «estou tão sujo! Se vocês não estivessem aqui, entrava naquele pequeno tanque e, se não me lavasse, pelo menos, refrescava-me».

 

 

Esta foi a parte moderna que vi no sonho! Queria entrar e refrescar-me!

 

"Não te preocupes que nós vamos dar-te banho! O Senhor da Esfera, isso não nos proibiu"! E, uma delas, a que permanecia calada, sorrindo, levantou os braços e colocou um biombo e um duche. Eu entrei, despi-me, meti-me debaixo do chuveiro, muito bonito, comecei a mulhar-me e, de repente, faltou a água.

 

«Então a água já acabou»? - Perguntei eu!

"Não Ventor, vais ter muita água"! - Disse a ninfa faladora.

Ela levantou os braços, apontou-os à Fonte e a água começou a jorrar sobre mim.

Depois de me lavar bem lavado, a que estava sempre calada, só tinha sorrisos, estendeu-me uma toalha muito bonita mas, semelhante àquela onde embrulhei o meu Quico.

 

«Vocês roubaram a toalha ao Quico»?

"Não, Ventor! Essa toalha é outra! É semelhante àquela onde trazias o Quico embrulhado só para te recordar que nós estivemos presentes, embora tu não nos conseguisses ver"!

 

«Bom, se não posso ver o Quico, vou-me embora. Obrigado pelo banho».

A sempre sorridente e conversadora, disse: "vai Ventor! Vem aí muita gente visitar o sítio do Quico, mas ninguém o vê e depois vêm todos beber água nesta nascente".

 

Então, a ninfa muda, pois nunca falou comigo, fez-me uma festa no queixo, sorrindo, e, a sua companheira faladora, levantou o braço, sorriu e acenou-me, desaparecendo as duas ao mesmo tempo, no local da nascente.

Eu comecei a ouvir a algazarra de pessoas que se dirigiam à nascente para beber água, mas só vi uma velhota aproximar-se, tendo todas as outras ficado para trás, junto do sítio do Quico. Olhei a velhota já tão cansada e acordei sem ver as outras pessoas ...

 

Levantei-me, fui à cozinha beber água com muito cuidado para não pisar o Quico e, como me certifiquei da realidade, não vendo os seus comedouros, nem a sua água, fiquei por ali a limpar as lágrimas, caladinho. 

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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