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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

 

 
Lobo na serra de Soajo
 
Piquenique nas Fontes, em Adrão
 
Último piquenique comigo
 
Último sorriso para mim

28.08.09

Glória Afonso - 90 Anos


Ventor

Caminhada na Net.

Fiquei tão contente por vos ver, que não me canso de ouvir o som das vossas concertinas. Creio, Manel, Prazeres e todos os outros, que devo incentivar-vos a prosseguir agarrados às vossas concertinas, sem desânimo

Sim, por vezes, aventuro-me em caminhadas que nem sonho!

Hoje, foi um desses dias. Apeteceu-me dispender de uns minutos para ver se haviam outros Blogs que falassem de Adrão para além dos meus e mais uns poucos que estavam por aqui e que, mal ou bem, eu tenho conhecimento da sua existência.

Sem eira nem beira, entrei no YouTube e dei logo de caras com esta velha amiga!

Quando tropeço, na Net, com velhos amigos, eu sinto-me muito pequenino, como nos tempos que andava agarrado à roda da saia da minha mãe.  

Ao ver a tia Glória, fui obrigado a ouvir música. Para mim, para minha animação, nada como ouvir o "rebate" de uma concertina.

Ainda um dia destes estive encostado a um muro no Carril, em Adrão, a observar as vossas casas, como no tempo em que só lá havia uma. E, nesse instante, passaram-me pela cabeça os meus amigos de outros tempos: os Caturnos!

Vi desfilar todos. Todos os do meu tempo! E, entre todos, a concertina e o Simião, quando ele se  agarrava com tanto afinco, e tão bem, àquela maquineta que seu pai lhe trouxera de França.

Hoje, não sei quem toca a concertina, se calhar todos, mas sei que a família está ligada e a tia Glória, com os seus 90 anos é prova disso. Ela, filhos, netos, se calhar bisnetos, não sei (porque muitos anos nos separam) e, também as concertinas aí estão, caminhando na Net, ao lado do Ventor.

Ouvi-vos tocar e cantar e ouvi o Sargaceira que não tenho o prazer de conhecer, na sua desgarrada, referenciar a Tasca do Carrasco, quando cantavam debaixo daquele grande monumento verde a que chamamos: Carvalho de Eixão. Gostei de ouvir referenciar  a Tasca do Carrasco porque essa Tasca era o único ponto de rerência, em Adrão, nos nossos velhos tempos e, hoje, o som do seu nome, ainda se faz sentir bem alto.

Hoje certifiquei-me que não há nada que chegue às festas para unir as pessoas. Adrão é um lugar que está vazio de gente, mas as festas sempre trazem o fermento que faz crescer o seu corpo. Adrão como Riba de Mouro, estão ligados por vós. Em Julho passado, caminhei duas vezes por Riba de Mouro e só imaginava, por aquelas paragens, nas suas brincadeias de crianças, os meus velhos amigos Caturnos que ajudaram Adrão a crescer.

A ver estas casas, nunca deixo de, mentalmente, deixar um abraço à tia Glória

Para todos vós, sem excepção, deixo aqui um grande abraço e para a vossa e nossa Glória, desejo toda a glória do mundo com muitos mais anos pela frente para que eu possa continuar a ouvir essas concertinas.

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente

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