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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


28
Jan09

O Charco ...

Ventor

... fonte de vida.

 

Num charco, ou nos lamaçais à sua volta, há sempre vida. Vida que às vezes nos faz confusão.

 

Se nós sabemos que numa determinada nascente e nos charcos que a rodeiam há muitos bichinhos de várias espécies que aparecem por lá durante parte da primavera e pelo verão dentro, também sabemos que, a partir das primeiras chuvadas do outono e, depois, pelo inverno até à próxima primavera, tudo em volta nos sugere que a força das águas que nasce ali, mais as águas que escorrem pelas montanhas que chegam a formar pequenas correntes de limpeza em certos sítios, acabam por limpar tudo que por ali se acumulou, nascendo e morrendo durante os tempos de bonança.

 

Dá a impressão que, micróbios, insectos aquáticos e aéreos, sanguessugas, escaravelhos da água e outros, tudo foi limpo e nada ficou para renascer durante os tempos de renovação da vida. Mas, na verdade, ao voltarmos lá, encontramos tudo renovado!

 

Normalmente, é assim em todas essas fontes de vida, como em tudo, umas melhores que outras. A não ser que seja a secura definitiva como na Senhora do Lago!

Por isso, ficamos contentes ao rever a mesma bicharada do ano anterior. Lá estão as minhocas, as sanguessugas, as libelinhas, as borboletas, as rãs, os escaravelhos ... Tudo o que se renova, dentro e fora do charco.

 

Durante as minhas caminhadas, tenho encontrado vários charcos de vida que me prendem por ali, em volta, durante bons pedaços dessas caminhadas. Mas nunca esqueço os charcos que encontrei pelas montanhas daquela velha Vila Cabral, a actual Lichinga uma cidade, em Moçambique.

 

Uma vez, numa dessas caminhadas, encontrei umas nascentes como aquelas que existem na serra de Soajo, na Corga da Vagem, junto da Pedrada. A zona era grande, a água nascia e entrava por baixo de espaços de poulos, voltando a aparecer, depois escondia-se e voltava a aparecer novamente e assim por diante. E eu observava o espaço e só me lembrava da Corga da Vagem .

 

Enquanto eu esmioçava tudo aquilo à minha volta e apreciava a paisagem, lembrei-me que seria um bom local para as gibóias andarem por ali. De repente, vi o Goldfinger aflito a tentar desenvencilhar-se de um bicho e, nesse momento, eu só me lembrava que uma cobra veneosa, uma mamba, por exemplo, estivesse a atacar o cão ou, mesmo um escorpião o tivesse picado, porque o chinfrim do cão era grande. Meti o "turbo" e corri até ao Goldfinger e, ao chegar junto dele, fiquei contente e estupefacto com o que via. Contente porque o grande companheiro das minhas caminhadas não corria qualquer perigo e estupefacto porque, as carcaças que eu encontrava por ali de bivaves e de caranguejos, que mais me pareciam dos tempos do Terciário, me mostravam que, afinal, pelo menos o caranguejo era uma viva realidade. 

Um estranho caranguejo tinha-se agarrado ao focinho do cão porque este, atrevidamente e, se calhar, tão estupefacto como eu, terá ido meter o nariz onde não fora chamado!

 

O Goldfinger, quiz apreciar, bem de perto o que aquela coisa estranha faria por ali, a cerca de 600 kms do mar e entre 1.100-1.300 metros do nível do mar. Ora, encontrar caranguejos naquelas condições, foi para mim um fenómeno intrincado e, mais ainda, quando ninguém acreditou na minha história. Mas tudo bem!

 

 

Olhem o jeitaço!

 

Eu também achei intrincada a busca destes amigos, que para mim seria de minhocas, mas longe da fonte de pesca, embora haja (havia)  vogas na Seida, seria pouco provável. Minérios, seria outra probabilidade. Tudo menos petróleo!

Mas, afinal, o que eles procuravam era uma garrafinha de vinho que deixaram lá no ano anterior a refrescar para, no regresso, apreciarem uma bela pomada fresquinha que os lamaçais das minhas montanhas lindas tão bem sabem preparar. Por isso, vamos saber esquecer os minérios e saber lembrar que, o retorno de uma caminhada poderá não vir a ser o adequado.

 

Ainda me lembro da azáfama que tivémos, eu e o Luis, com o Jack, em Agosto de 2006. Ele estava estoirado da noitada anterior porque se deitou acerca de duas horas antes de se levantar para irmos até à serra. Eu levantei-me caladinho para ele não acordar e, quando preparava o meu pequeno almoço para comer e partir sózinho, apareceu ele na cozinha. "Que vou comer eu"? Eu disse-lhe para se ir deitar que não queria arrastões atrás de mim, mas ele teimou e quiz ir. Depois da pedalada até à Corga da Vagem, encheu-se de coragem e pediu-nos para prosseguirmos viagem ao Fojo do Lobo e à Pedrada que ele esperava ali por nós pois já estava cansado.

Ficou ali mas levou as garrafas para colocar naquele belo refrigerador natural. A fonte da Corga da Vagem.

 

 

Tanto quanto sei, esta nascente nunca seca. Lá em cima a nascente das Forcadas nasce e corre para o lado de lá e a nascente da Corga da Vagem nasce no meio das urzes, e corre para o lado de cá

 

 

Isto é que foi dormir! Mas será a 2ª caminhada à serra de seus pais, que nunca mais vai esquecer. Na primeira foi sempre a dançar o Fire Inside

 

Apontamos-lhe o local da nascente, nós tínhamos passado ao lado, e ficava atrás de nós, do nosso lado, junto às urzes que tinham escapado ao incêndio. Ele assenou que sim com a cabeça e lá foi. Bem me pareceu que ele já não nos ouvira. Foi para trás, passou a corga para o lado de lá, atirou com as garrafas para a água, estendeu-se no poulo e adormeceu. Quando chegamos, o Luis foi direito à fonte e eu desloquei-me para a esquerda onde ele dormia profundamente. Não houve grito nem assobio que o acordasse, só mesmo quando lhe dei um chuto nos ténis ele acordou.

 

Olhei a nascente, lá em baixo, do lado contrário, e perguntei-lhe o que fez às garrafas, pois não as via. Que fizeste às garrafas Jack? "Metias no rio, como disseram"! Eu olhava para o "rio", a Corga da Vagem, e nada! Lá demos com as garrafas e levá-mo-las para a nascente e pouco faltou para o Luis se antecipar na prospecção do tal minério que ainda não tinha chegado. Ele levava uma grande fézada naquela garrafinha de vinho verde, fresquinho, de Ponte da Barca.

Ali, dentro de alguns minutos, já estavam geladinhas e aí almoçamos.

 

Talvez, muitos de vós não saibais que, há momentos na vida dos caminhantes que vale mais uma garrafinha de qualquer coisa bevível do que um poço de petróleo. Quem nasce nos States dos Bushs e dos Obamas, nunca chega a perceber nada sobre as minhas Montanhas Lindas, mas tanto quanto sei, todos ficam deslumbrados!

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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