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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço


Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


09.01.07

Nos Trilhos do Céu


Ventor

Nos caminhos do Céu há coisas sem valor, com um valor enorme. 
 
Desde que saio dos Arcos e começo a subir rumo às montanhas do Mesio, entro nos Trilhos do Céu que só começam, verdadeiramente, a partir do Mesio. Ali tudo muda! Os penhascos que vejo rumo aos Bicos e à Pedrada, os fetos e os tojos, as carrascas e as urzes, a própria florestas, os odores … passam a ser outros. Para a esquerda, vejo as encostas rumo a Travanca e olhando para a direita vejo o Gião. Nos montes do Gião os garranos fazem seu ponto de encontro antes de subir à Pedrada, e voltam a fazer seu ponto de encontro depois de descerem da Pedrada, quando a frescura outonal invade as nossas Montanhas. Depois ao passar sobre o Soajo, na estrada para Adrão, começo a grande cavalgada. Os meus olhos não deixam de varrer tudo como se fossem dois radares que, em vez de procurarem inimigos invasores, procuram marcos históricos – os meus marcos. Eles começam a varrer os cabeços das montanhas.
 
Todos os montes á minha frente começam a contar-me histórias – as minhas histórias! Os encontros e desencontros do princípio de uma vida cheia de saudades. Ali o Céu é mais bonito e o sol brilha mais, porque foi ali que eu colhi os seus primeiros raios. Muitas das rochas que vejo ao longe, à frente, à esquerda, à direita, já me serviram de mesa, de abrigo, de encosto, de miradouro…Elas permanecem inertes a ver-me chegar. Por entre as urzes e carrascas, por entre os tojos e os fetos, eu continuo a ver os trilhos. Os meus trilhos, os trilhos de meus pais, os trilhos de meus avós, os trilhos de meus amigos.
 
Vejo Bordença sem milho e os seus montes levantarem-se à minha esquerda, tal como sempre, mas com falta dos rebanhos de cabras que outrora os limpavam. Ao passar a ponte sobre aquilo a que chamámos o rio de Bordença, as águas começam a cantar ladainhas à minha passagem e eu nunca deixo de olhar os seus salgueiros e matos que o escondem. Lá em cima à minha frente, lado esquerdo está sempre imponente a nossa Montanha “Sagrada”. Ela sobe, sobe, sobe, até ao pico máximo visto de todos os lados. O Alto da Derrilheira. Este alto é o pico máximo que se avista em volta de Adrão e até do Gerês. Quando estava na Pedra Bela a apreciar as belezas que o Gerês nos oferece, agradeci-lhe por me oferecer também o meu Pico. Ao olhá-lo, o meu coração começou a bater com mais força. Muita força, como se, poucas horas antes, não tivesse lá estado e como se ele ficasse no fim do mundo!
 

Alto da Derrilheira

Não verei mais os rebanhos de cabras a subir ou a descer o Alto da Derrilheira mas, enquanto tiver forças, eu continuarei por lá, mesmo sem cabras. Eu continuarei a espreitar os nossos montes de cima para baixo. Não ouvirei os carros de bois a chiar na Veiga, mas gosto de ver os nossos montes pelos pontos mais altos dos seus horizontes. Eu sei que em Adrão já ninguém me espera como no passado, mas passando por lá, aproveito para prestar homenagem a todos que em tempos, me esperavam.

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente

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