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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto.


Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz.


Se quiserem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts e blogs. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho.



Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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Aqui nasce o rio Adrão


Das melhores coisas da minha vida, foi caminhar no rio de Adrão. Até aos 15 anos e depois, à medida que por lá ia passando. Nesses tempos eu caminhava no meu rio como caminho hoje por muitos trilhos limpos.

 

O rio Adrão nasce aqui e vai perder-se enleado em matagais sem fim


01.10.05

Adrão - Caminhada por Travanca


Ventor

Vou responder aqui a uma pergunta que a nossa amiga Saloia, fez ao meu Quico.

Sim já conheci Travanca. Respondo a ela, ao mesmo tempo que informo as gentes jovens de Adrão, nascidas lá e por outros mundos, como era a nossa vida, a minha e a dos pais deles. Fui lá duas vezes! Há mais de 45 anos. Ainda era miúdo. À terceira vez, mais modernamente, tentei ir de carro, mas a estrada tinha sido estragada por fortes chuvadas.

Há muito, muito tempo, eu fui de Adrão a Travanca, cerca de duas horas a andar bem, pouco mais. Fui buscar uma égua que estava presa na área florestal de Travanca. Era eu e mais dois amigos, um actualmente em Paris e outro, em New Jersey. O dono da égua estava nesse tempo em França e agora estará a recordar-se da nossa vida, junto ao Senhor da Esfera.

Saímos muito cedo de Adrão e fomos ver romper o dia já próximo do Mezio. Levávamos uma égua e íamo-nos revezando pelo caminho, mas eu quis ir sempre a pé! Iria subir à serra de Soajo, à Pedrada, pelo lado oposto. Chegamos a Travanca e fomos pagar a multa da prisão da Rola. Eram 75$00 da multa e depois mais um quanto por dia pela alimentação da égua e ela já lá estava há bastante tempo. O mais velho, o Manuel de Sistelo tinha vindo da América e não a conhecia, mas prometeu ao amigo, o ti Eduardo da Bondeira, que a ia buscar.

Nós, os putos, fomos com ele para ele não ir só. Fazíamos-lhe companhia e éramos nós que iríamos identificar a égua. Mal a vi conheci-a logo e ela a mim. Pagamos, bebemos uns pirolitos na casa do Guarda. Alguém se lembra dessa bebida fantástica de gostosa?

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Travanca está encaixada nessas encostas, que se vêm de S. Bento, Arcos de Valdevez

Depois fui à cerca do guarda e coloquei um cabresto na Rola, e como ela me conhecia, não foi difícil montá-la e tudo correu bem até ao cimo da montanha, do lado esquerdo do rio Ramiscal. Depois foi o diabo! A Rola viu as companheiras e amigas na encosta mais abaixo, guina de repente para a esquerda e desata num galope frenético. Impossível manter-me em cima dela. Malhei no poulo duro e fui rebocado até à entrada nas urzes.

O Manuel do Sistelo, gritava-me para largar a égua senão ela desfazia-me todo ao entrar nas urzes, mas eu não a larguei. No momento de ela entrar na mata das urzes que descia até ao Ramiscal, ela abrandou para circular uma grande moita de urzes e eu tive tempo para dar uma volta ao cabresto num torgo velho de urze. A Rola não podia fugir mais!

Mas não ia ficar por ali! Com os braços arranhados de fazer esqui no poulo, levei a Rola pelo cabresto até à Corga da Vagem. Ali prendemos as éguas numas urzes e fomos almoçar, já tarde, presunto com pão e água (as águas divinas da serra de Soajo, no caso, a nascente da Corga da Vagem). Depois virei-me para o Manuel do Sistelo e disse-lhe: «vamos tirar os arreios à Briosa e colocá-los na Rola, que ela vai-me levar daqui até ao Alto da Pedrada, sempre a galope».

Assim foi. Ele disse-me para ter cuidado senão ainda ficávamos sem a égua e sem os arreios. Mas o cuidado era chegar rapidamente ao Alto da Pedrada! Cheguei lá acima e fui dar a volta ao marco geodésico e, já no regresso, de lá de cima, a Rola vê a Briosa lá em baixo, relincha e começou uma correria frenética outra vez. Ela galgava carqueja e rochas e eu estava a ver que aquele ia ser o meu dia de sorte ou de azar. Mas aguentei firme, montanha abaixo, até 100 metros deles. Aí a Rola meteu todos os travões e eu voei pelas suas orelha fora, caindo no chão como um saco de areia. Segurei-me e fui de rastos mais uma vez até junto da outra.

O presunto que tinha comido fazia todos os possíveis para se manter quieto e sereno e a custo lá conseguiu. Depois descemos toda a serra até Adrão, na paz dos alazões. Foi assim um dia que nunca mais esqueço, a minha primeira ida a Travanca. Da segunda vez que lá fui, fui sozinho, à procura de uma toura que nos desapareceu e que nunca mais vimos. Num dia de muito calor, descobri-a junta com outras e as companheiras dela um pouco mais afastadas e não quis incomodá-la a levá-la para junto delas porque estava perto, ela estava a remoer, descansando.

Não liguei. Abracei-me a ela junto ao Fojo do Lobo e depois de as ter controlado, regressei a casa. Dias mais tarde não a encontrei e procurei tudo, em todas as aldeias em volta da serra de Soajo. Ou o lobo a matou ou, então, foi roubada e levada de contrabando para Espanha. Nessa altura constou-se que houve por lá uns larápios que roubavam gado.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

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