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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

 

 
Lobo na serra de Soajo
 
Piquenique nas Fontes, em Adrão
 
Último piquenique comigo
 
Último sorriso para mim

10.07.20

O Baptismo do meu Rio


Ventor

Voltando ao cartão de identidade do rio de Adrão.

O rio Adrão nasce aqui, nos Sorreiros. Estas são as primeiras gotas, num mês de Agosto

Como devem calcular, eu estou-me nas tintas para o nome que queiram dar ao rio de Adrão. O rio de Adrão tem mais nomes que qualquer outra coisa que me recorde momentaneamente.

Quando eu era pequeno, para nós, o rio Adrão, começava no rio da Fraga, descia pelo rio da Leira, passava como rio da Ponte, rio de Outeiros, rio da Veiga, rio do Curral das Cabras e continua até abraçar o rio Lima, com outros nomes como rio da Trapela, rio da Laceira e outros troços que vocês conhecem melhor que eu.

Aqui é o troço do rio a que chamamos, rio da Fraga

Os nomes dos troços do rio serviam e servem para identificar as localidades e referenciar onde alguém se encontrava (encontra), relativamente ao rio, no seu todo. Uns tempos atrás, li notícias em órgãos escritos, ouvi na rádio e televisão, que um desportista (canoagem, creio), tinha morrido no rio Adrão e eu, tal como noutros tempos, pensei: "rio Adrão, mas onde"? E, como gosto de identificar as coisas o melhor possível, só parei quando soube onde. Já não me recordo mas terá sido lá para baixo, para os lados da Trapela. Não estava em causa o rio, mas o troço do rio.

Para além do rio e do troço do rio, ainda tínhamos os poços do rio. "Viste o meu Luiz, João"? O seu Luiz ficou no rio X, no poço Y (não em lagoas). Disse-me que só saía de lá quando apanhasse uma truta quase do tamanho de um salmão". Significava isso que podia esperar e quantas vezes de chibata na mão!


O rio Vez nasce na serra de Soajo, num local chamado Seida e reduzindo mais a escala, em Lamas do Vez. Sai dali a cantar até encontrar o rio Lima e, dali, partem os dois abraçados até ao mar.


O rio de Cabreiro, cujas águas descem da fonte das Forcadas e, chegando ao fundo, viram à esquerda e depois descem, correndo pela mata do rio Ramiscal, segue o seu rumo até ao Vez. Mesmo juntinho à fonte das Forcadas, já vi nascer as águas da Corga da Vagem, em pleno mês de Agosto. Tinha chovido e saíam do fundo do poulo em grande alvoroço, rumo a Bordença e, para mim, rio de Bordença, até morrer. Mais algum tempo e "ah, tá"! (Já está)!

Aqui é o rio da Ponte. E todos os demais nomes de troços que se seguem rio abaixo

No meu tempo, só ouvi chamar ao nosso rio, o rio Adrão uma vez e foi em Paradela. Diziam-me que Adrão tinha muita água e era uma terra rica. Já nessa altura, para mim, era apenas uma criança, riqueza era ter saúde e trabalhar.


Não serei eu a trocar o nome ao rio, nem a desfazer-lhe os troços cujos nomes a minha gente lhe dava e ainda dá. Quando andava pela Assureira, quando o rio lá no fundo ia todo branquinho, quase só uma cachoeira, dizíamos: "olha como vai grande o rio da Trapela"!

Eu em Soajo nunca ouvi falar do rio Adrão ou do rio Soajo. Ouço falar apenas do Poço Negro. Vamos ao Poço Negro. Ou outro, mas normalmente é o negro. Acho bem que fiquem com os Poços Negros ou brancos. É em Adrão que se ouve cantar o rio.

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente