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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Ventor nas suas caminhadas por Adrão e pela serra de Soajo

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Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos torgos da urze, é uma tradição de séculos. Os que eles estão a comer em cima, são estes. Eu estou de serviço às fotos.

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22.09.18

Caminhei nas ruas de Soajo, em 14 de Setembro de 2018, a "fugir" ao calor. Fotografei a estátua da concha, o Eiró com o Poleirinho e a Igreja onde fui baptizado e fiz alguma aceleração por algumas das suas ruas.

E claro, pela segunda vez, deparei-me com este fiel amigo. Eu na rua e ele deitado nas escadas. Fotografei o seu companheiro de pedra e não só e, com uma grande calma apontei-lhe a máquina e fotografei-o.

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O meu amigo Sabujo de Soajo

Há amigos que de sabujos não têm nada

A posição dele foi sempre a mesma. Olhos fitados, em mim, a controlar os meus movimentos. Acenei-lhe várias vezes e mandei-lhe um beijinho com a mão na despedida. E ficamos amigos como dantes. É a segunda vez que o vejo. Nem um latido! Se calhar o dono estava na sesta e ele não o queria acordar, mantendo-se silencioso como o seu companheiro de pedra.

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O Sabujo de granito que na nossa serra de Soajo simboliza uma das alcatifas do Ventor

É este o belo Sabujo de Soajo, o cão que perseguia ursos, corsos, javalis e lobos, o cão dos Reis, o cão das montarias, o cão amigo dos seus donos, o cão que foi adoptado pelas gentes de Castro Laboreiro como se fosse um cão original daquelas terras mas continuará sempre a ser o cão Sabujo de Soajo. É com este olhar que ele faz a pergunta de guerra, no seu combate, entre nuvens de confusão: "friend or foe" (amigo ou inimigo)! Se disseres friend e não o fores, não o enganarás. Ele ataca porque lê nas pupilas dos teus olhos que lhe estás a mentir. E é também nessas mesmas pupilas que ele lê se és um amigo.

Ele viu que eu era o Ventor e que o Ventor é sempre um amigo de todos os animais. Não sei o nome dele mas o "Hello, Friend" é praticamente universal. Que sejas muito feliz na tua terra de Soajo, amiguinho.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

01.09.18

Tenho falado por aí das andorinhas, essas penudinhas lindas que todas as primaveras nos visitam e todos os outonos ou pelos fins do verão, partem.

Sei que este mundo não está fácil para as andorinhas.

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 Uma andorinha tirada da pixabay

Após estudos nos últimos anos, feitos por especialistas nas várias matérias sobre animais em perigo de extinção, sabemos que também  as várias espécies de penudos, entre elas as andorinhas correm perigo de entrar no livro vermelho. É triste mas é verdade.

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Um ninho de Andorinha tirado da pixabay

Quando, há mais de meio século atrás, eu caminhava pelos trilhos de Adrão, recordo-me de não ver andorinhas por lá. Claro que elas passariam por lá, esvoaçando rumo aos seus objectivos mas, não faziam por ali as suas construções o que significa que não procriavam. Seria um lugar muito mau para as andorinhas. As casas eram de pedra, esburacadas, baixas o que tornava as suas construções impossíveis. Aliás nós próprios, os putos, nunca permitiríamos que as andorinhas fizessem os seus ninhos e fizessem as suas criações por Adrão. Éramos muito mauzinhos para todos os bichos.

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Ninho de andorinha tirado da pixabay

Mas foi, exactamente, em Adrão que eu apanhei a primeira andorinha. Caminhava da Assureira para casa, o célebre eido, quando ao atravessar o rio, vi uma andorinha a espojar-se nas areias, entre rochas. Armei-me em felino, fui-me aproximando por trás da andorinha e fiz uma caçada tão bem feita que a apanhei. Meti-a no peito por dentro da camisa e fazia-lhe festas porque aquela andorinha era para mim uma preciosidade. Alguma coisa começou a correr mal. Comecei a ficar comichoso, agarrei a andorinha com uma mão, fiz-lhe uma festa com a outra e soltei-a. Ela devia estar muito cansada porque, ao espojar-se, ficava estendida, de asas abertas, saboreando aqueles momentos, num dos quais eu a apanhei.

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Andorinhas tiradas da pixabay

Escusado será dizer que fiquei cheio de piolhos e tive de me lavar no rio. Mas eu era de Adrão e de Paradela e, tal como os nómadas, ia caminhando entre um lugar e o outro e Paradela foi, para mim, o primeiro contacto com as andorinhas. Eu era muito pequeno e as andorinhas tinham feito na casa da minha tia Rosa, 2 ou 3 ninhos. Uma parte da casa, um quarto sobre o curral era relativamente moderno e era bom para as andorinhas fazerem o ninho. Um dia que estava só, peguei num pau comprido que o meu tio Domingues tinha para os feijões e tanto tentei que esforaquei o ninho. Queria ver como era! O tio Domingues que Deus tem deu-me uma grande tareia e pregou-me um grande sermão que eu nunca mais esqueci. Espero que, por todas as razões e mais essa o meu Senhor da Esfera o tenha a seu lado. Aprendi muito e fiquei a saber que o Planeta Azul é de todos e muito das andorinhas.

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Andorinhas em Adrão, Agosto de 2018

Mas este ano de 2018 foi um ano excepcional para mim, em Adrão, no que diz respeito a andorinhas. Quando fui comer sardinhas com o Luiz Perricho ao Carril, atravessei Adrão e vi algumas andorinhas e ninhos e a minha companheira de caminhadas também ficou surpreendida por ver ninhos e algumas andorinhas. Mas quando fomos à Assureira, 5 dias depois, é que eu vi andorinhas com fartura, como as fotos documentam. Os tempos nos últimos anos, desde 2005, não têm facilitado nada a vida às andorinhas. Há anos que entram na Europa com calor e depois são apanhadas por frios terríveis que as dizimam. Penso que em 2006 ou por aí, só em França, terão morrido milhões delas!

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Andorinhas em Adrão, Agosto de 2018

Mas já não morro sem ver muitas andorinhas em Adrão. Em Soajo foi em 2011.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

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Luiz Franqueira e o Quico


Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras


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Pilantras - o Ticas


O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira

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Este é o cão Sabujo de Soajo


Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias bem como o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais

Comentários recentes

  • Ventor

    É isso mesmo, Eira-Velha.

  • Anónimo

    Sempre fotografias lindas da sua serra.Tudo de bom...

  • Anónimo

    Que é que eu posso dizer destas maravilhosas image...

  • Anónimo

    Desde miúdo que comecei a montar Garranos e a sua ...

  • Luis Franqueira

    Perdeste-te, ou já recuperaste o GPS?

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