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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

 

 
Lobo na serra de Soajo
 
Piquenique nas Fontes, em Adrão
 
Último piquenique comigo
 
Último sorriso para mim

26.08.18

O Fio da Aranha


Ventor

No dia 24 de Agosto de 2018, eu, o Luiz Perricho e a esposa fomos fazer uma visita à velha Assureira.

Fomos matar saudades de caminhos de sonhos, de um espaço abandonado por todos. Parece impossível como esse espaço de nossos pais e avós teve tanta influência em mim e, julgo eu, praticamente em todos aqueles que pisaram os seus solos, acompanhando sempre o rio de Adrão, pela sua margem esquerda, até junto do moinho da Trapela, já de Soajo.

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Do lado da Assureira, é só mato

Já chorei muito na Assureira! Quando corria descalço nas suas lajes limpídas ao querer abraçar os cabritos e os cordeiros do ti Bento Ribeiro e sei lá de quem mais. No desespero de agarrar um cabritinho, lá ia, de quando em vez, arrancando uma unha. Mas já chorei emocionalmente, na Assureira, quando num dos meus primeiros regressos encontrei as minhas quatro pereiras mortas, três só com os troncos e uma outra, a mais nova, toda seca, apenas com um raminho verde saído da parte inferior do tronco e nele, uma pêra sorrindo para mim. Nesse tempo, ainda a Assureira era bonita mas a pêra disse-me que a Assureira iria morrer como aquelas quatro pereiras.

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Aqui, havia nos anos 90, uma grande cobra negra

«Eu fiquei para te receber e te dizer adeus em nosso nome, Ventor»!

Como essa pêra fez chorar tanta gente!

Foi um dos dias mais tristes da minha vida, adivinhando o que iria acontecer à Assureira. Certifiquei-me do que já sabia, em 28 de Agosto de 2006 e voltei a certificar-me este ano no dia 24 de Agosto. É triste querer tirar fotos aos recantos que me viram crescer e não conseguir. A Assureira, hoje, é um mono-bloco de mato.

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As maiores aranhas que conheço produzem teias muito finas

Mas eu falo do fio da aranha. Quando saia do caminho do grilo para o Porto Acerdeira, passagem na corga que desce da Chãe do Ruivo, fui preso por um fio de aranha. Um fio só, mesmo uni-filar e bem grossinho. Ele saía de um sobreirinho à minha esquerda e atravessava o caminho para os fetos do lado direito. Seria bem mais de dois metros o cumprimento do fio. Era um local onde a Celeste tinha passado e o fio prendeu-me a mim. Não sei que aranha produzirá tal fio, tão comprido, solitário e tão resistente.

Fui partindo o fio e tirando os bocados como podia. Andei à procura de um fio de aranha na Net para exemplificar mas perdi a paciência e desisti porque só encontrei teias e aquele fio não tinha nada a ver com teias. O que encontrei foi que o fio de aranha era o produto natural mais resistente do mundo, estudo de 2010, mas vencido em 2015 pelos dentes dos moluscos, actualmente o material biológico mais resistente do mundo. Foi baseado no estudo das teias de aranha que se fizeram muitos produtos resistentes, tal como os coletes à prova de bala.

Dizem os especialistas que se um fio desses tivesse a grossura de um lápis, seria capaz de deter um Boing 747 em pleno voo. O fio que me quis "prender" tinha grande elasticidade.

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente