Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

derril.jpg

 

Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto. Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «Contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz

Se querem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho

29.06.16

Poulo dos Cagordos


Ventor

É uma maravilha olhar as minhas Montanhas Lindas a partir do Poulo dos Cagordos.

poul-Cag.jpeg

Desta vez tive a companhia dos garranos, belezas das minhas Montanhas Lindas.

Poulo dos Cagordos

Vejam aqui as minhas fotos ao redor do Poulo dos Cagordos

Foi este, um dos sítios, de onde eu vi esventrar a serra de Soajo. Daqui, das Fontes, do Barroco, do Poulo da Fraga, ao meio dia, eu ouvia e via as rochas desfazerem-se sob a força dos dinamites, na construção da estrada que ia de Entre-os-Outeiros para o Arieiro.

Este é um dos sítios que fazem parte dos meus momentos de sonhos. As vacas subiam da Assureira pelo Barroco, torciam à direita, bebiam a água que descia das Fontes e torciam direitas ao Alto de Facuque. Nesse tempo eu caminhava nas minhas Montanhas Lindas ao lado das minhas vacas. Há nomes que eu hoje não recordo mas, há outros que nunca esqueço. Nos tempos que eu andava pelo Barroco, pelo Poulo da Fraga, pelas Fontes, pela Centierira, pela Chãe do Ruivo, pelo Alto de Facuque, pelo Poulo dos Cagordos e, ... eu não andava pela Corga Grande, pela Chãe do Boi, pela Naia. Depois aprendi a ver os montes da Assureira de cima para baixo e, senti-me grande quando os comecei a observar desde o Alto da Derrilheira.

poulo-Cag1.jpeg

Eu sei que há muitas coisas bonitas mas, nenhuma é mais bonita que as minhas!

Sei que alguns não estarão de acordo comigo mas também sei que de tudo o que vi, até hoje, aquilo que a Natureza me apresenta de belo, o mais belo que tudo, está em redor de Adrão.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

27.06.16

Jasione Montana L.


Ventor

Volto aqui aos raminhos de S. João, ou botões azuis ou ainda, Jasione Montana L., o seu nome científico, para que não haja confusão.

Também volto aqui, para falar da beleza destas pequenas florezinhas azuis que, para mim, nos meus tempos de meninice, me encantavam e ainda hoje me encantam.

jasione-M.jpeg

Jasione Montana L.

Onde quer que veja estes botõezinhos azuis eu caminho mais de meio século para trás. Nunca me esqueci deles e vi-os uma vez na serra de Mochique, no Algarve, o que me encantou. Pensei então: "as belezas deste mundo continuam a meu lado"!

Mais tarde, em 2007, nas fraldas dos Picos da Europa, subíamos uma estrada de montanha, e levava os olhos fixos na estátua de um urso, feito de pedra. Paramos e, como sempre faço, observo tudo a meu lado, seja o que for. Insectos, lagartixas, flores, florestas, ... sobretudo coisas que me possam contar algo. E se há coisas que me contam algo, os raminhos de S. João são das mais belas. Quando era pequenote, um dos meus encantos era ver essas flores azuis penduradas nos socalcos de Adrão, o único mundo que então conhecia e por esse e outros motivos, o mais belo dos que poderiam existir. Nesses tempos, Lisboa, para mim, ficava por trás da serra Amarela e dos demais mundos possíveis ainda não tinha ouvido falar por aí além.

jasione.M.jpeg

Jasione Montana L., em Arcos de Valdevez

Raramente vejo estas flores penduradas pelos socalcos de Adrão mas, este ano, procurei-as em 12 de Junho e só vi duas ainda verdes que me disseram: "se voltares, em Agosto, Ventor, talvez algumas de nós estaremos por cá para encantar os teus olhos". Infelizmente, voltei mais cedo, mesmo no tempo delas, no S. João. Só que, Adrão só a vi de cima para baixo.

jasione.M1.jpeg

Jasione Montana L., em Cunhas, num socalco pendurados para a estrada

jasione.M3.jpeg

Penduradas no mesmo socalco, dois belíssimos grupos além de outros

Saí dos Arcos, dei boleia a uma pessoa para Soajo e disse cá para mim: "ainda vou a Adrão à procura dos Jasion Montana L., talvez tenha a sorte de os ver pendurados e belos como eles são". Perdi-me em Cunhas com eles, depois perdi-me, em Paradela, perdi-me na Cruz que olha a Várzea em honra do seu Bispo. Perdi-me nos montes sobre a Várzea, perdi-me no Poulo da Cascalheira e no Poulo dos Cagordos, no meio dos garranos. Perdi-me nas Fontes, em cima e em baixo. Perdi-me frente a Adrão e às minhas Montanhas Lindas do seu lado. Fez-se tarde e voltei a perder-me na Barreira, onde os "Jasione Montana L.", ficaram mais estupefactos do que eu, a observar-me.

jasione.M2.jpeg

Estas são de Adrão, na Barreira, penduradas para a estrada

O tempo corre e já não deu para descer abaixo, mas já estava encantado com os meus belos botões azuis. Reconheço, contudo, que ainda não foi este ano que os vi todos viçosos pendurados nos socalcos de Adrão a observar-me.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente