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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

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Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto. Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «Contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz

Se querem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho

06.09.13

Com a Pedrada à Vista


Ventor

Pois foi. Em frente e lá fui!

Consegui desenterrar-me da sombra saborosa com bastante dificuldade. Após algumas tentativas, vi-me à altura da rocha protectora. Às vezes temos necessidade de nos protegermos dos amigos. O melhor dos meus amigos, Apolo, o Senhor da Luz, sem querer, iria fustigar-me. Ele queria acompanhar-me e eu queria a sua companhia mas, ele sabe que eu só quero a sua companhia quando posso andar.

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Ao sair da Derrilheira, logo de seguida, caminhei com os olhos na Pedrada. Mais à frente, consegui descê-los até à Corga da Vagem

Reiniciei a caminhada rumo à Corga da Vagem. Com dificuldades, mas lá fui indo, observando a paisagem e tentando encontrar a minha flor azul dos últimos anos - a gensiana das regiões alpinas. Estava um pouco desapontado porque não encontrava nenhuma. Por fim, lá observei a rapaziada observando a fonte e, certamente, já teriam bebido da sua água. Eu continuava a minha caminhada dolorosa. Aquilo que para mim costuma ser uma alcatifa maravilhosa, estava a ser uma tortura. A minha coluna torcia-se e retorcia-se a cada passada que dava. A dor era transportada para a minha coxa direita e, algumas vezes sondava a coxa esquerda. Só me faltava gritar mas com imensas dificuldades lá prossegui a minha caminhada da tortura.

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Da Corga da Vagem caminhamos até às Forcadas e, dali, fotografei este amigo que nos ia observando, mais em cima, no rumo da Pedrada. Não fossem as carquejas e as urzes e julgar-me-ia em Moçambique

Mas restou-me a alegria de voltar a ver a Pedrada. Alguma vez será a última e eu espero que, desta vez, ainda não o seja. Eu tinha um projecto para, se estivesse bom tempo, ir à Pedrada duas vezes, uma delas na companhia dos meus amigos e a outra, possivelmente, à lobo solitário. Mas eu não posso fazer projectos. Tenho de fazer à moda antiga. Levantar o nariz, olhar o horizonte e pôr-me em marcha.

Desta vez, à chegada à Fonte das Forcadas por lá estavam os abutres. Tirei umas fotos a um pousado. Não ficou bem porque me enganei no programa da máquina mas sempre notamos ser uma abutre. Quem é que tira uma macro a um abutre a tal distância? A minha coxa não me deixava andar nem pensar devidamente. Quando a hora era de gritar, fotografava abutres! Iniciamos a subida e deparamos com o motivo de tal revoada de abutres - uma vaca morta.

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O Eira-Velha já tinha conquistado o seu castelo, que pelos anos fora ia observando dos lados da sua Cavenca. Não é a mesma coisa observar ao longe e pisar o local com os nossos pés. A partir daí está conquistado

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O Luis Perricho lá estava mais uma vez, no cimo das ameias mas, desta vez, tinha a sua bandeira primária na recepção - a bandeira de Soajo - a bandeira do nosso berço

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O rei António, não está sentado no seu trono da Seida mas está sentado no topo do seu castelo, como sempre gosta de fazer

Custou-me muito fazer aquela subida. Só o prazer de lá me encontrar atenuou tanta dificuldade. Porém, lá me encontrei frente a frente com o nosso marco e os meus companheiros de caminhada a triturá-lo com o olhar. Umas fotos em volta e não me atrevi a acompanhá-los ao Palácio da Dourada. Eles foram ao palácio e eu fiquei a apanhar moedas. Ganhei um 1, 75 € por ter ido à Pedrada. Foi quanto encontrei no chão da alcatifa rapada da Pedrada mas eles ganharam mais do que eu pois foram ao Palácio da Dourada.

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As rainhas das montanhas e os garranos são parte integrante da belelza das nossas Montanhas Lindas. Um dia, sem elas, pouco nos restará da Pedrada

Eu fui descendo rumo ao Olheiro do Avô, sempre seco, como em todos os Agostos. Haviam algumas vacas num poulo mais abaixo para animarem a nossa caminhada mas, muito pouco gado, este ano. Quanto a gado, para mim, 2009 foi o melhor dos meus últimos anos pela serra de Soajo. Torcemos à esquerda, rumo à Corga da Vagem. Comer à sombra da urze, e beber na sua fonte é sempre uma praxe!

Sentado no chão, pensando porque ainda não tinha encontrado uma única das minhas belas gensianas, comecei a procurar. "porque raio não encontro uma única das minhas florezinhas azuis"?

O Eira-Velha olhou e apontou uma perto dele. Ali era a única mas teria de haver mais!

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A minha flor linda - a gensiana. Uma flor alpina que embeleza as minhas Montanhas Lindas. Esta foi descoberta pelo Eira-Velha, do lado oposto à fonte da Corga da Vagem. Foi a primeira do dia que embelezou o nosso salão do almoço


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente