Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto.


Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz.


Se quiserem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts e blogs. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho.



Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


O Cantinho do Ventor
Caminhando por aí
Ventor e a África
Observar o Passado
Planeta Azul
A Grande Caminhada
A Arrelia do Quico
Os Amigos do Quico
Fotoblog do Quico
Fotoblog do Ventor
Coisas Lindas do Ventor
Rádio Ventor
Pilantras com o Ventor
Fotoblog do Pilantras
Montanhas Lindas
Os Filhos do Sol
As Belezas do Ventor
Ventor entre as Flores

rio adrão.jpeg

Aqui nasce o rio Adrão


Das melhores coisas da minha vida, foi caminhar no rio de Adrão. Até aos 15 anos e depois, à medida que por lá ia passando. Nesses tempos eu caminhava no meu rio como caminho hoje por muitos trilhos limpos.

 

O rio Adrão nasce aqui e vai perder-se enleado em matagais sem fim


28.08.13

Destino: Arcos de Valdevez


Ventor

No dia 19 de Agosto, segunda-feira, saímos de casa rumo a Arcos de Valdevez. Bebemos o café, na Amadora, e iniciamos a partida rumo a Norte cerca das 09:20. Por volta de Aveiras de Cima, na auto-estrada, deu-me uma grande dor na coxa direita. Disse para os meus botões: "estou tramado"!

Guiar na auto-estrada não custa nada e lá fui indo com o pensamento na Pedrada. Quando chegar aos Arcos encosto à Box e adeus Pedrada. O ano passado não fomos por causa da chuva e nevoeiro e este ano, a minha coluna estava a ensarilhar-me o sistema e, durante algum tempo, vi-me e desejei-me para levar a coisa a bom porto.

Porém, algum tempo depois, a coxa amainou, deixou de me doer e lá chegamos a bom porto. O entretimento foi o Pilantras que se pudesse matava-me por o tirar da sua vida pachorrenta e oferecer-lhe um mundo diferente.

cabra-cega.jpeg

As cabras cegas no rio Vez observam a minha vontade de caminhar a seu lado

 

cabra-ce.jpeg

Mas a vida das cabras cegas é também uma vida de festa, de luta permanente e velar pela prosperidade 

 

Chegamos aos Arcos, arrumei a tralha e fomos almoçar. Depois deitei-me em cima da cama um pouco a ver no que isto dava. Tudo corria bem! Levantei-me e fui fazer uma visita ao meu rio - o Vez. Mal cheguei, entrou-me aquele "must" muito especial pelas narinas dentro. Junto à chamada Ponte Nova, desci ao rio, caminhei junto do carriço e comecei a fotografar as cabras cegas, as libelinhas, os patos, os peixes, o rio com o seu carriço, as árvores, caminhei na sua margem e recordei como cheira bem o musgo húmido das árvores e das pedras e como o Vez me trazia aqueles cheiros que começa a ganhar nos torrões da Seida, em Lamas do Vez.

libelinha.jpeg

Mas, as minhas verdadeiras companheiras de caminhada são as libelinhas e estas são as minhas preferidas - as azúis. Elas sabem que eu já brinquei com as suas ascendentes, onde o nosso rio nasce. Na Seida, uma das bases de sustentação do nosso Outeiro Maior

Mas, eu não deixava de observar o rio Vez, caminhando enlaçados, eu o Vez e os Arcos. Fui cumprimentar os Afonsos. O nosso e o outro. O Afonso I de Portugal e o Afonso VII de Leão e Castela. Miraram-me bem e disseram-me que os primos também se matam, não são só os irmãos como Caim e Abel. O Afonso VII que não deixa de me surpreender, disse-me que ninguém devia morrer ao inspirar o cheiro das águas que então transportavam, tal como hoje, todos os odores da serra e seriam mais puras e o seu cheiro mais perfeito. O nosso Afonso, sempre com os olhos postos no cavalo do primo e na viseira adversária, sabe que o nosso rumo, queiramos ou não, será sempre para sul mas os nossos sonhos ficam sempre no Norte.

arcos-ponte.jpeg

Aqui está a nossa ponte. Às vezes as libelinhas passam por baixo, quase sempre! Outras vezes passam por cima. Mais não seja e conseguem ver melhor o Ventor, enquanto ele observa a velha ponte que, para ele, tem 57 anos e mais cerca de dois meses

Os primos Afonsos. O I de Portugal e VII de Leão e Castela.

Eles queriam que as águas do Vez corressem dentro de si e fizessem parte do seu sangue mas, elas sempre sonharam correr ao lado Ventor

Continuei a minha caminhada sempre de olhos no Vez e nas fraldas da minha serra. Neste exercício de aquecimento, pensava se seria capaz de ir à Pedrada, se a minha coluna me deixaria, se devia telefonar ao pessoal e marcar data. É uma tristeza vivermos limitados! Quando atravessava a Ponte Nova, tocou o telemóvel. Era o Luis Perricho a perguntar se já tínhamos chegado e marcarmos o dia. O Tone só podia ir no dia seguinte. Quarta e quinta não podia e na sexta ainda não sabia. Então vamos amanhã disse eu, achando que nada falharia. Liguei para o Eira-Velha e achei que, se ele pudesse, realizaríamos o nossos sonho de subirmos à Pedrada juntos. Ficou decidido. A Pedrada, o nosso Outeiro Maior, as nossas águas frescas da serra de Soajo matar-nos-iam a sede.

Mas, os meus olhos também caminharam pelas fraldas da minha serra - a serra de Soajo, o fulcro das minhas Montanhas Lindas. As sedes do passado, as caminhadas e corridas para água, a desilusão das águas sujas e, ... um pouco mais à frente! Era a sina dos meses de Agosto e Setembro, o tempo de beber na corga juntamente com as vacas

Pelo sim, pelo não, coloquei duas garrafinhas de água de luso no frigorífico e quatro cervejas, uma para cada um de nós a ser bebida num local onde a água não fosse bebível mas servisse de "frisa" para a refrescar como fiz em 2010 na Corga da Vagem.  Fui dormir e dei comigo a ensinar a noite a dar as voltas do vira! 


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

Pág. 2/2