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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço


Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


28.02.10

Caminhar no Rio da Peneda


Ventor

Caminhar nas serras de Soajo, da Peneda, do Gerês, ... é caminhar na Natureza, e caminhar no rio da Peneda é caminhar pela mão da Senhora da Peneda!

Cuidado Ventor, olha as ervas, olha as ervas meladas do carriço molhado, olha as silvas entre as ervas que podem estar a fazer de ratoeira, olha ...

Enfim, uma preocupação permanente da Senhora da Peneda em colocar todos os meus poros em alerta.

Um pormenor num troço do rio da Peneda

Mas que é lindo é!

Eu gostei de fazer no rio da Peneda a caminhada que já não consigo fazer no meu rio. No rio da Peneda ainda há troços onde se pode saltar umas rochas sem matos a incomodar. Mas os tais troços só são usados, tipo toca e anda. Isto é, entramos, saímos, voltamos a entrar e a sair e assim sossecivamente até desistirmos. Em Adrão, já não há troços onde entrar e sair. Os matos não deixam!

Uma truta no rio da Peneda

Mas, na Peneda, cerca de uma hora e meia antes de ter de estar no hotel para irmos a Soajo ter com os nossos amigos, Tina e Alex, eu saí do carro e disse até logo. Segui pela estrada até entrar no rio, onde matei saudades dos cheiros de outros tempos. Por ali vi quase tudo o que há para ver nos rios das minhas Montanhas Lindas, menos o melro d'água, a toupeira d'água e o guarda-rios. Vi trutas, vi libelinhas, vi cabras-cegas, aquelas amigas do Bocage, vi os carriços, vi lindos salgueiros, vi silvas, borboletas, flores ... quase tudo, porque não ter tempo, porque estou convicto que se ficasse por ali uma tarde, acabaria por ver tudo. Faltou-me, também, a cobra d'água uma velha amiga de outros tempos.

Uma libelinha azul, pousada num salgueiro, no rio da Peneda

Para já deixo por aqui algumas coisas lindas que muitos anos depois voltei a rever no belíssimo rio da Peneda, um dos meus rios de encanto das minhas caminhadas.

Flores rosas, flores mágicas, no rio da Peneda

Mas as flores que existem pelas minhas Montanhas Lindas, existem também penduradas nas margens do rio a observar as suas águas límpidas e tiveram também oportunidade de ver o seu amigo Ventor, mais uma vez, a apreciar todas as maravilhas que fazem parte do todo a que aqui chamo de Rio da Peneda.

Outra flor rosa, no rio da Peneda

Se um dia passarem pelo rio da Peneda, não esqueçam que também por lá há muitas flores de todos os tipos, mas sempre flores selvagens que melhor que qualquer outras sabem enfeitar os nossos olhos, especialmente, os olhos do Ventor.

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente

25.02.10

Voltei a subir a minha serra ...


Ventor

... mas sonhando!

Sonhei que cheguei a Adrão, pela manhã, num dia nublado, o que não será nada difícil. Depois vi os horizontes mais altos das minhas Montanhas Lindas e disse para os meus botões: "acho que ainda vou à Pedrada hoje"!

Não quis levar comer, nem nada para a eventualidade de umas chuvadas. Meti as máquinas na sacola e lá fui. Quando cheguei à Fonte da Naia, as nuvens começaram a ficar mais escuras e só para contrariar, elas vinham do lado de Castro Laboreiro. Ainda pensei voltar para trás, mas lá fui rumo ao Muranho. Uma malotinha com duas máquinas e um cajado eram a minha carga. Nada de ir carregado. Afinal só me divirto caminhando e nem sequer tenho vontade de comer. Só andar!

Cheguei à Serrinha e, sem passar pela fonte da Corga da Vagem segui direito às Forcadas e foi num ápice que quase fiquei às escuras! Era uma escuridão provocada por nuvens negras, a tal ponto que quase não via nada à minha volta. Por fim, as nuvens levantam um pouco e mesmo escuro já comecei a ver mais à distância, mas sempre com o ferrete do escuro. Por fim, olhei à minha esquerda e o Alto da Pedrada estava totalmente coberto. Cinco a dez metros à minha esquerda e não se via nada. À frente as nuvens ficam esfarrapadas e parecia-me que iria ficar com uma tarde boa. O carreiro para o Curral do Pai era largo e cerca de 30 a 40 metros à frente estavam 5 lobos numa curva de um carreiro que nem existe.

Seria por aqui que vi os cinco lobos

Voltei a olhar para a Pedrada e como tudo estava escuro, resolvi seguir em frente e passar onde estavam os lobos, pois tudo me parecia mais claro.

Peguei numa pedra arredondada e mandei-a direita aos lobos. A pedra bateu no chão a uma boa distãncia, mas não ganhou velocidade, tal como eu queria, perdeu-a e parou antes de chegar aos lobos. Os cinco lobos ficaram em tom de desafio a olhar-me, parados. Voltei a olhar a Pedrada e além da escuridão, verifiquei que os matos já estavam molhados e eu também já estava com o cabelo molhado, o casaco cheio de gotículas que já escorriam e os lobos continuavam a olhar-me.

"Ora bolas! Vim aqui para tirar fotos e não consigo, nem àqueles gajos! Mas aqueles parvos não me parecem nada amigáveis. São mesmo lobos e ficaram mal dispostos com o raio da pedra! O melhor é mandar o passeio à fava, pois já estou a ficar todo molhado e acho que vou fazer a volta rumo à Fonte das Forcadas"! 

Pelo sim pelo não, não gostei da atitude daqueles lobos e peguei mais um calhau semelhante ao anterior. Mandei-o com mais força e bateu bem no chão, ganhando a velocidade pretendida e a fazer róóóóóóóóómmm, passando na brasa pelo meio dos lobos. Estes saltaram do caminho para fora e até parecia que voavam. Parei a caminhada ali e voltei para trás sempre a olhar se os lobos se manteriam por ali, mas era praticamente impossível controlar as coisas à minha volta. No entanto, encontrei uma casota de cimento com uma grande antena em cima, com uma porta de ferro fechada e uma escada com 4 degraus para subir ao patamar de cima onde havia uma pequena divisão com outra porta também fechada à chave.

"Como raio não vi a casota há pouco"? Continuei rumo às Forcadas. Um caminho seguia, rumo à Seida, pela minha esquerda e, mais em baixo havia uma corte velha com um caminho já a sério e um carvalho português em frente da corte. Entre a corte e o carvalho, no meio do caminho, os lobos estavam reunidos e já contei sete.

Pensei que os gajos me iriam atacar quando eu chegasse às Forcadas. Aquela reunião de lobos serviria para isso, pensei. Voltei para a casota. Coloquei o cajado junto às escadas, pendurei-me nas escadas e subi. Peguei o cajado para cima, verifiquei a altura do sítio e calculei que os lobos não iriam ser capazes de chegar lá. Mas a humidade era muita, eu já estava molhado e cheio de frio. Sacudi violentamente a porta de ferro do cubículo de cima e a fechadura foi dando de si até que a porta se abriu. Ao entrar, na parede à esquerda, vi duas mantas azúis, como as da Força Aérea e fiquei todo contente, pois iria ficar protegido dos lobos e também protegido do frio que já me penetrava nos ossos.

Por aqui, também haveria a tal casa com a antena

Meti o cajado a segurar a porta, fincado contra a parede contrária e seguro na travessa de ferro que existia no meio da porta. Descobri uns troncos de urze e, com um, reforcei a segurança da porta entre um buraco junto da fechadura e outro junto à dobradiça. Entretanto, sentia o barulhito das patadas de um dos lobos junto à porta daquele cubíqulo que, por obra  e graça do divino Espírito Santo, já estava seguro e tinha lá duas mantas que tanta falta me faziam. Acordei, já tapado com as mantas e a tentar usar o telemóvel, mas sem êxito.

Foi pena ter acordado, pois gostaria de ver como iria sair daquela!

Mas tenho pensado muito neste sonho, pois parece que o vivi na realidade. Mas não foi só isso! O frio que tinha quando me tapei com as ditas mantas, era o mesmo frio que tinha ao acordar do sonho. E não é que eu estava bem tapado com as mantas da minha cama! Tremi de frio depois de acordar. Como é que uma pessoa, acorda de um sonho e, mesmo depois disso, sente o frio tal e qual como o tinha durante o sonho?!

E até levei algum tempo a recuperar!

Neste sonho tudo era real, na minha caminhada. Só das Forcadas para o Curral do Pai é que as coisas mudaram. Havia um carreiro que não existe, havia uma casota com uma antena, que também não existe, havia outro carreiro rumo à Seida e, à direita desse carreiro uma corte e à esquerda do carreiro um belo carvalho portugês rodeado de silvas no tronco e os lobos que passaram a ser sete e que também não existem. Nem acredito que hoje hajam por lá sete lobos!

Todos os locais, os montes, a escuridão do tempo, as fontes da Naia e do Muranho foram tão reais como sempre são. O que não foi também, nada real, foi eu não tirar uma simples foto!

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente

15.02.10

Uma Caminhada na Cova da Iria


Ventor

Na 6ª-feira passada, 12 de Fevereiro de 2010, dei uma saltada até Aveiro e à Gafanha da Nazaré.

No regresso, a Dona do Quico entendeu passar por Fátima, se o tempo nos permitisse. Assim foi!

Encostamos o carro e fomos entrando pela Cova da Iria e, mais uma vez, observamos os belos aposentos de nossa Senhora de Fátima que a todos recebe, pelo menos, aqueles que ainda têm esperança na sua ajuda. 

Nossa Senhora de Fátima na Capelinha das Aparições, onde conversa com o Ventor

Lembrei-me da minha gente de Adrão espalhada pelo mundo e fui-me recordando de, quando era pequeno, ver como recorriam a nossa senhora de Fátima para que Ela lhes desse a protecção que pretendiam.

Lembrei-me também de, quando andava na escola, a professora ir até à nossa capelinha para rezarmos o Terço e também me recordo da bela voz da professora Alexandrina, quando, com a Capela já cheia, começava a cantar:

A 13 de Maio,

Na Cova da Iria,

Apareceu brilhando,

A virgem Maria.

Avé, Avé,

Avé maria,

....

Almas de romeiros

Estas estátuas nesta rotunda de Fátima, representam todos aqueles que com Fé se dirigem todos os anos a Fátima - à Cova da Iria

E foi baseado nessas recordações que pensei que haverá muita gente que conhece a Senhora de Fátima, mas nunca viu o local onde Ela procurará atender os pedidos de cada um. Por isso, e porque entendo que muita dessa gente, a nossa e outras, gostariam de ver esse local, a Cova da Iria, deixo-vos aqui as fotos que tirei, nesse dia friorento, em que cheguei a pensar desistir de tirar as fotos pois andava com as minhas mãos geladinhas.

Mas as fotos foram tiradas num dia escuro e com ameaças diluvianas e por isso até parecem a preto e branco. Mas eu ainda espero encontrar a Senhora de Fátima num dia em que o meu amigo Apolo esteja presente para que tudo seja bem iluminado e depois vejam fotos com mais um pouco de dignidade colorida.

Se a nossa Senhora deixar, voltarei lá.

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente