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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto.


Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz.


Se quiserem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts e blogs. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho.



Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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rio adrão.jpeg

Aqui nasce o rio Adrão


Das melhores coisas da minha vida, foi caminhar no rio de Adrão. Até aos 15 anos e depois, à medida que por lá ia passando. Nesses tempos eu caminhava no meu rio como caminho hoje por muitos trilhos limpos.

 

O rio Adrão nasce aqui e vai perder-se enleado em matagais sem fim


23.08.09

D. Abílio Ribas - A Homenagem


Ventor

Várzea - A Cruz.

 

A cruz que homenageia o Bispo, D. Abílio Ribas

Algum tempo atrás, pelo telefone, disseram-me que alguém iria levantar uma cruz de pedra no Muranho.

Quando perguntei quem era, foi-me dito que seria um emigrante cheio de dinheiro. Só podia! "E porquê no Muranho?" - Perguntei eu.

A resposta foi que era para ser vista de todos os lados.

"De todos os lados? No Muranho"!

Achei que se o objectivo era a cruz ser vista de todos os lados, aquele local só terá sido escolhido por alguém que não conheceria bem a serra de Soajo. E, pensei cá para mim que, o ideal seria o Alto da Derrilheira, porque se fosse no Muranho, a cruz só seria vista de alguns lados. Depois pensei que só seria alguém que gostasse tanto do Muranho como eu e que iria lá colocar uma cruz para agradecer ao Senhor da Esfera tê-lo ajudado na sua caminhada por esse mundo. Alguém que, tal como eu, tivesse feito a sua caminhada com os iglos de pedra, do Muranho, na sua cabeça.

Mais tarde, disseram-me que a cruz era para fazer uma homenagem a um Bispo da Várzea. "A um Bispo da Várzea"? Achei que seria uma brincadeira. Um Bispo da Várzea! Então ando aqui há tantos anos e porque carga de água eu nunca ouvi falar de um Bispo da Várzea? Nem o Senhor da Esfera me contou! E porque carga de água iriam levantar uma cruz, no Muranho, para homenagear um Bispo da Várzea?

Algo não bateria certo!

Em Julho passado, quando caminhava da Peneda para Soajo, via Paradela e Cunhas, junto à estrada que passa no monte que serve de divisória hidrográfica entre a Várzea e Paradela, vi uma cruz nova. Não dei importância à cruz porque pensei que fossem os de Paradela que levantaram ali uma cruz para, nos dias de festa, levarem a procissão desde a capela, lá no fundo do lugar, a dar a volta naquela cruz mas, algo não batia certo. Como quererão, agora que tudo anda tão cansado, querer fazer uma procissão tão longa!?

Em Agosto e, fazendo a caminhada ao contrário, dos Arcos de Valdevez para Adrão, com passagem por Soajo, Cunhas e Paradela, olhei a cruz e, já com mais tempo, encostei o carro e disse: "é agora! Fiquem no carro que eu vou ali ver a cruz e a placa".

A placa da homenagem

Lá estava a cruz a abraçar a Várzea, a abraçar Olelas, em Espanha, a abraçar, lá no topo a serra da Peneda e, do lado contrário, abraçava os montes de Paradela, Lindoso, Cidadelha, a serra Amarela ... e, também, lá longe, o Alto da Derrilheira!

Mas observando a placa, agora que eu já sabia que, afinal, a Várzea, era o lugar que sempre tinha dado um Bispo ao Mundo, ali estava confirmado!

Olhei em volta e verifiquei que, o D. Ribas, tal como eu, perdemos as belezas que nos viram nascer e, que tal como o John Denver, todos tínhamos as nossas Country Roads, aquelas estradas que nos levariam de volta à nossa Virgínia. A Virgínia de D. Ribas, a sua Várzea, e a minha Virgínia, o meu mundo de sonhos - Adrão!

Mas, no dia seguinte, rumando à Pedrada nos meus sapatos de alcatifa, observei mais uma cruz, tal como eu gostaria, no Alto da Derrilheira. No entanto, não deixei de observar que estava mal colocada. Os de Soajo, seja porque motivo fôr, colocaram a cruz virada para Soajo, quando, segundo me parece, um pouco mais ao lado, continuaria virada para Soajo, mas seria vista de todos os lados!

Mas não faz mal! O Senhor da Esfera sabe bem o que faz ali. Só é pena que não seja visto, o melhor possível, de todos os lados!

Mas não estou a fazer este post para criticar a posição da cruz. Afinal o marco de pedras, no Alto da Derrilheira, continua bem visível e, até agora, ele fazia bem o papel da cruz! Porque, tal como a cruz, o nosso marco de pedras era o sinal que referenciava as maravilhas da nossa serra.

Fiquei sem saber se a Cruz da Derrilheira também seria para homenagear o D. Abílio mas, pelo que vi, ela seria para fazer um pedido ao Senhor da Esfera que protegesse a serra de Soajo.

Mas tudo bem! Agora sei que a Várzea deu ao mundo um Bispo e que as gentes de Soajo lhe prestaram a sua homenagem à qual me quero associar.

Já fiquei a conhecer parte da caminhada de D. Abílio Ribas. Ele caminhou por Angola e por S. Tomé e Príncipe, onde foi Bispo durante, pelo menos, um pouco mais de duas dezenas de anos.

Ora, sendo eu, Ventor, respeitador de todos aqueles que servem a casa do Senhor, não podia deixar de me associar a todos aqueles que quiseram dizer ao mundo que havia um Bispo, nascido na Várzea, a correr mundos e que Roma se dignou colocar à frente daquele seu Principado.

Tão longe e tão perto, D. Abílio Ribas! Deixo aqui a minha homenagem à sua pessoa, como filho da Várzea e como cidadão do mundo que, durante tantos anos caminhou, servindo o Senhor, no coração da "Mãe negra"! 

A Várzea que, assocoando-a à música de John Denver, "Take me Home, Country Roads", é The West Virgínia, de D. Abílio

Bem-vindo a casa D. Abílio.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

15.08.09

Montanhas com Alma


Ventor

Adrão, como já todos sabem, é uma aldeia nas montanhas da serra de Soajo. Mas Adrão é mais que isso. Adrão tem alma! Ou melhor, Adrão e as suas montanhas têm uma alma comum.

Em Julho, andei por lá uma semana, mas andei sempre em torno das nossas Montanhas Lindas. Por portas e travessas, não arranjei maneira de subir à Pedrada e, para mim, ir a Adrão sem subir à Pedrada, torna-se uma grande tristeza, pois tudo fica incompleto. Por isso, tinha de lá voltar. Tinha de complementar a minha caminhada. Sinto-me esvaziado de tudo se ando por lá e não consigo pisar os meus montes. Ali sim! Ali sinto-me em solo sagrado!

O Poulo do Muranho, fotografado do Alto da Derrilheira. No centro a beleza de uma rainha das montanhas

Adrão tem alma e a sua alma está impregnada nas suas Montanhas Lindas. Caminharmos nas nossas montanhas é caminharmos, sempre, ao lado da nossa gente. Todos aqueles que nasceram em Adrão e até muitos que nasceram longe, continuam a caminhar nas peugads dos seus antepassados. Todos nós, que andamos pelo mundo, caminhamos de olhos cravados nos horizontes vastos das nossas Montanhas Lindas.

Todos sabemos que as montanhas existentes no nosso Planeta Azul são lindas mas, algo nos diz que nem tudo está bem e concluimos que nem tudo está bem porque não sentimos nas outras montanhas a nossa alma. Quando eu caminho pelos montes que me viram crescer sinto-me a caminhar ao lado de todos que comigo partilharam a sua beleza. Todos que comigo partilharam as águas frescas das suas fontes, todos que comigo admiraram as suas flores, todos os que comigo partilharam os trilhos dos lobos.

Mãe e filho, no Alto da Derrilheira. Eles embelezam as minhas Montanhas Lindas

Creio, também, que estão presentes na nossa alma colectiva, na alma da nossa gente, todos os animais como as vacas, os garranos, as cabras e as ovelhas, tal como sempre estiveram.

Por isso voltei a Adrão apenas para subir à Pedrada e fi-lo, no domingo, com mais três companheiros de caminhada que tal como eu, partilhamos essa alegria com todos aqueles que, através dos tempos, caminharam, por ali. Hoje nós fazêmo-lo por prazer e por amizade para com todos eles que, tal como eu, e alguns de nós, caminhavam por obrigação e necessidade. Eu também tive necessidade de fazer essas caminhadas e, por vezes com alguns sacrifícios, que acabávamos por levar a brincar.

Mas hoje, caminhar, nas minhas Montanhas Lindas, caminhar entre os garranos, caminhar entre  as rainhas das montanhas, é caminhar pela vida, é caminhar no sonho.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

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