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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Nasci em Adrão e, desde muito novo, iniciei as minhas caminhadas pela minha serra - a serra de Soajo. Em 2009 ouvi falar de uma cruz que tinha sido colocada no Alto da Derrilheira. Numa caminhada realizada com os meus companheiros e amigos da serra de Soajo, Luiz Perricho, António Branco e José Manuel Gameiro, fomos recebidos no nosso mais belo Miradouro como mostra esta foto.


Algumas das vacas da serra, receberam-nos e, na sua mente, terão dito: «contempla Ventor, mais uma vez, toda esta beleza que nunca esqueces. Este é o teu mundo e é nele que o Senhor da Esfera te aguarda». Tem sido sempre assim, antes e depois da Cruz.


Se quiserem conhecer Adrão, Soajo e a nossa serra, podem caminhar pelos meus posts e blogs. Para já, só vos digo que fica no Alto Minho.



Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


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rio adrão.jpeg

Aqui nasce o rio Adrão


Das melhores coisas da minha vida, foi caminhar no rio de Adrão. Até aos 15 anos e depois, à medida que por lá ia passando. Nesses tempos eu caminhava no meu rio como caminho hoje por muitos trilhos limpos.

 

O rio Adrão nasce aqui e vai perder-se enleado em matagais sem fim


14.07.09

Ventor e as suas Belezas


Ventor

Durante a semana de 06 a 11 de Julho, desloquei-me com a Dona do Quico e os avós do Tomás e da Maria até às minhas Montanhas Lindas mas, mais uma vez, apenas as olhei de baixo para cima.

Falarei, por aqui, das nossas caminhadas, rodando nos tapetes de alcatrão, mas para ficar um pouco mais animado, mandava a minha máquina à frente a desbravar trilhos terrestres e aéreos para rebocar as minhas montanhas até mim.

Assim, elas sempre imponentes desciam das alturas ou subiam lá de baixo e prostavam-se diante dos meus olhos como autênticas belezas deste Planeta Azul.

Caminhando pela meia encosta o mais próximo possível, eu prendia-as a um fio dourado emprestado pela Senhora da Peneda e, todo entusiasmado, transportava-as até junto de mim, e agora, até à minha janela virtual onde todos que o pretendam as possam observar.

Na manhã do dia 7 de Julho, levantei-me, saí do hotel e caminhei até à porta da "grande casa" da Senhora da Peneda que, de tão cedo que era, ainda estava fechada. Encontrei a camisa de uma cobra, quando iniciei a aproximação às quedas de água que descem da Meadinha e, olhando para o lado, procurando a cobra, encontrei a minha flor dos sonhos de criança - a flor azul do São João

Mas, todas estas flores azuis são de Adrão. A Senhora da Peneda lembrou-me da sua existência, perguntando-me: "olha para elas, Ventor! Ainda as conheces?

Eu olhei-as e esqueci-me da camisa e da cobra

Fotografei-as junto da Senhora da Peneda, das suas capelinhas e do Hotel da Peneda, mas avancei para Adrão na esperança de as encontrar

Em Adrão, lá estavam, nos mesmos sucalcos, nos mesmos locais de sempre, quando há mais de 50 anos elas, espreitando-me,  faziam parte das minhas caminhadas, ... da minha Grande Caminhada!

 Elas saíam dos sucalcos quase como a festejar a minha passagem. E eu, hoje, faço a festa com elas!

Mas, com a intervenção da Senhora da Peneda, junto do Senhor da Esfera, talvez volte a caminhar por lá no próximo mês de Agosto e, então, sim! Então eu beberei água nas minhas fontes, espreitarei pelas portas sombrias dos nossos iglos de pedra e para compensar estas belas caminhadas de Julho, voltarei a rever tudo de cima para baixo.

Caminharei no planalto da Naia e beberei água naquela bela nascente onde Diana, Vénus e outras amigas e amigos gostam de lavar os pés, chorando pela presença do Ventor.

Caminharei no Poulo do Muranho e por entre os seus iglos de pedra e, se o Senhor da Esfera me der forças, farei uma grande corrida até à sua nascente onde beberei da sua água e recordarei todos que um dia por lá caminharam comigo.

Voltarei a fotografar tudo que se vê desde o Alto da Derrilheira como se estivesse a fazer um voo de avioneta sobre Adrão e assim observarei as ruínas dos iglos da Naia e da Chãe do Boi que hoje apenas ocupam um espaço na nossa memória, fazendo-nos recordar os nossos antepassados que, caminhando ao frio das nossas montanhas, ali se abrigavam do frio e dos lobos, protegendo os seus animais.

Em Adrão, encontrei, além de flores, outras maravilhas como esta libelinha dourada ...

... e encontrei outras flores, maravilhas dos meus tempos de crianças, mas nem todas trouxe comigo 

Mas, a libelinha dos meus sonhos é esta! Ela continua dentro da minha cabeça há anos sem fim. Encontrei-a também no rio da Peneda e na Branda das Aveleiras, mas eu queria encontrá-las no meu rio e elas aqui estão

 Esta flor é também uma bela companheira ...

Caminharei pela Corga da Vagem até à fonte das Forcadas de onde romarei à esquerda e iniciarei a subida até ao Alto da Pedrada, onde estarei, certamente, bem mais pertinho do Céu.

Por estes trilhos espero voltar a ver as nossas "rainhas das montanhas", e os garranos, seus companheiros e senhores das grandes corridas contra os ventos, agora que estão mais verdes e aptas a receber todos, quase como nos velhos tempos.

... tal como esta e muitas outras que vagueiam pelo meu cérebro

Por agora contentei-me com as belas estradas das meias encostas, rodando pelo Planalto de Castro Laboreiro, pela Peneda, por Lamas de Mouro, por S. Bento do Cando, pela Branda das Aveleiras, pelos trilhos alcatroados da Gave, de S. António do Vale de Poldros, por Paradamonte, por Cavenca, por Rio de Mouro, Sistelo, Cabreiro, Mesio, Soajo, Cunhas, Paradela, Tibo, Rouças e, sem esquecer, pois claro, o meu ninho - Adrão. E também, não vou esquecer Ponte da Barca, Arcos da Valdevez, sempre integradas nos meus roteiros e uns saltinhos pelas belas terras da Galiza de onde observei, tal como um galego, as belezas das minhas Montanhas Lindas, vistas de outro lado.

Melgaço, S. Gregório, Monção, Valença, Vila Nova de Cerveira, Caminha, Paredes de Coura e algumas outras vilas e aldeias foram, também, parte do nosso roteiro.

Foram sels dias sobre rodas!


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

03.07.09

Hoje passei por Soajo


Ventor

Sim! Hoje passei e passeei por Soajo!

Hoje voltei a caminhar entre os espigueiros, a lançar a minha vista sobre aquelas minhas Montanhas Lindas.

Voltei a olhar o lado de lá, aquele lado que, subindo desde o rio Lima, suporta a estrutura norte da serra Amarela.

Eu sei, eu sei!

Os milhos de Soajo estão a crescer, a ser regados, a prepararem-se para poderem encher os espigueiros. Também sei que, hoje os milhos, existem quase só por diversão! Para alimentar o porco, as galinhas e para matar saudades da broa. A broa que nos fazia sonhar! Que nos alimentava os sonhos e a alma!

Este exemplar, cujo nome já não me lembro, procurava-o há muito e já desbravei centenas ou milhares de hastes, deste arbusto, para descobrir um. Estará mau para eles, também!

Hoje, as gentes de Soajo começaram a ir de fora, mas outros foram com elas. Estiveram lá presentes, além de Soajo e arredores, gentes dos Arcos, de Braga, do Porto, e sei lá mais de onde. Todos foram ver Soajo a velha vila recuperada, mas mais que isso, olharam todas aquelas montanhas, em volta, e verificaram que, mesmo com um capacete de nuvens, elas continuam a ser lindas.

Este espantalho não é daqueles que a tia Custódia engendrava lá pela Assureira, mas eu chamei-lhe logo, o guardador de girassóis

De manhã, recebi no meu telemóvel a informação de que a RTP, iria fazer o seu programa para o mundo, a partir de Soajo. Depois recebi algumas chamadas a informarem-me da dita emissão e, cheguei a casa, almocei, mas esqueci-me. Deitei-me sobre a cama e adormeci, mas há sempre alguém que não quer que eu durma e voltaram a acordar-me por causa da RTP a emitir de Soajo (olá Tina).

Cerca do meio dia deparei-me com este campo de girassóis, em Campolide, Lisboa, mas a bateria fintou-me. Deixou-me a falar só

Olhem-me só estas maravilhas!

Depois liguei a televisão e assisti a um programa com a ameaça de chuva até que a ameaça se cumpriu. Eu disse logo, depois de ver as nuvens a esconderem as minhas Montanhas Lindas de mim, que a emissão só poderia continuar debaixo dos espigueiros ou na escola. Não sei se o programa acabou normalmente, se precipitadamente. Raramente a televisão, qualquer delas, é um dos meus passatempos preferidos. Muito raramente! Mas hoje ela, a RTP, trazia-me Soajo e eu, voltando a sonhar com o passado, marquei presença!

Bom dia girassol! ... girassóis!

E todos em conjunto: BOM DIA, VENTOR!

A RTP, aposto, terá feito um belo programa, pelo que vi. Pelo menos para aqueles que foram obrigados a abandonar o berço para procurar outros pedaços de mundo. Tenho a certeza que, a quadra deixada, no fim do programa, pelo meu amigo Manuel da Pedreira, foi um belo remate. Ele deixou os beijinhos das gentes de Soajo, dos soajeiros, para a RTP e eu, que só me posso associar a ele, também deixo aqui os meus agradecimentos a essa mesma RTP por conseguir levar um dos mais belos recantos do nosso país a caminhar mundo fora.

São lindos, não são?

Mais lindos ainda por inesperados em tal local mas, todos gritaram para mim: NÓS SOMOS LINDOS!!!!!

Mas eu, caminho sobre todos os valores possíveis, reais ou virtuais! Caminhei pela manhã, durante uma hora, sobre pedaços de vida que me alimentam a alma, em falta das minhas Montanhas Lindas. Nessa hora dialoguei com esta beleza, além de outras e, para remate, fiz mais uma bela caminhada de uma outra hora, por Algés e Miraflores, onde dialoguei com um coelho bravo num local impensável. Voltei a Lisboa e deparei-me com um belo campo de girassóis num local onde não sonhava que existisse.

Mas este mirone de Miraflores, só pelo rastejar assapado do gajo imaginei logo um coelho. Pensam que fugiu? Dei passos atrás, passos à frente e fui disparando a máquina. Em todas as fotos só vejo um olho do gajo. Sempre um olho por entre os arbustos! A minha máquina de um lado e a dele do outro. Reparem bem no centro da foto!

Depois, regressei a casa cansado, almocei e encostei à box, esperando por melhores tempos. Foi a intervenção telefónica da Tina que me relembrou e me levou a Soajo através da RTP.


As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos meus sonhos e são, também, as montanhas de toda a minha gente

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