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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

 

 
Lobo na serra de Soajo
 
Piquenique nas Fontes, em Adrão
 
Último piquenique comigo
 
Último sorriso para mim

02.05.09

As Maias


Ventor

Na vida simples do início das minhas caminhadas, em redor daquelas nossas Montanhas Lindas, quando eu imaginava como seria o mundo que me rodeava, diziam-me que, para Norte ficava, Tibo, Rouças, Gavieira, Peneda, Galiza ... e, para Sul, ficava o resto do mundo! O mundo daqueles que vinham de Lisboa, da América, ... sei lá de onde mais, mas sabia então, que, todo esse mundo, ficava por trás da serra Amarela.

Sabia também que, para além disso, nós tínhamos as "Maias"!

As giestas são arbustos verdes que parecem explodir, de um momento para o outro, em pétalas amarelas

Essas "Maias", não as dos Maias das velhas gentes que pisaram velhas terras, hoje do México, mas as nossas "Maias! As "Maias" que eu nunca entendi o sentido da sua existência em termos de atribuições "misteriosas", mas que, para mim e no meu entender, não eram mais do que uma beleza amarela para colocar nas pedras das janeas por serem lindas e, por isso mesmo, apenas serviam para enfeitar a casa e os nossos olhos.

Para mim, elas eram as "Maias", as flores amarelinhas das giestas e, eram elas que davam o sentido figurativo à nossa entrada no mês de Maio e também, por isso, usávamos os seus ramos no dia um de Maio a que, na altura, nunca ouvi chamar o dia do trabalhor e até trabalhávamos que nos fartávamos!

Mas, para mim, as "Maias", em Adrão, começavam a ter o seu encanto mal começavam a amarelecer nas giestas verdes e as via crescer todos os dias e até já enfeitavam, muitas vezes, o nosso Domingo de Ramos. Isto, dependia dos bons anos, quando as giestas floresciam cedo e a Páscoa chegava tarde. Mas era já no Domingo de Ramos que as "Maias" começavam a enfeitar algumas casas, em Adrão.

Eu chegava a ir, da Assureira ao Curral Coberto, buscar ramos de "Maias", as nossas belas "Maias", que trazia às braçadas cheias de flores amarelinhas. Isto, porque, tal como as abelhas, sempre esvoaçava entre as giestas, não para me encher de pólen, mas para me enebriar do perfume das giestas floridas e da sua frescura.

As flores amarelas das giestas continuam a ser um dos meus encantos

Um dos melhores momentos que tão bem apreciava era, chegar cedo ao alto de Facuque (creio que é assim que se chama), espraiar a vista desde a Chãe da Porca pelo Curral Coberto abaixo e ver o meu amigo Apolo rasgar as sombras e penetrar por entre as giestas floridas enquanto me gritava: "diverte-te, Ventor"!

E, tal como então, dentro do possível, continuo a divertir-me junto das "Maias".

Mas recordo-me também dos olhos da minha mãe a admirar aquelas belas braçadas de flores amarelas e me dizer: "olhem-me para este moço! Não sei como ele desencanta flores tão lindas onde eu só vejo esses raios desses arbustos a me incomodarem"!

Gostava de a ver hoje a olhar-me metido entre as giestas, disparando a máquina, com todos os cuidados deste mundo para não as molestar!

Sim, porque, quando amanhã lá voltar, quero vê-las lindas como ontem!

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente