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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma rola brava entre pombos torcazes. Quando vejo uma rola brava, vejo Adrão!

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

31
Dez07

Ano de 2008

Luiz Franqueira - Ventor

Como seria em Adrão?

 

Se fosse noutros tempos, como seria que eu faria a minha caminhada de fim de ano de 2007 e início do ano de 2008?

Simples. Muito simples!

 

Seria fim de ano. Seria tempo de trabalho. Sempre tempo de trabalho, mas não tempo de escola. Por isso, eu continuaria atrás das minhas vacas e a caminhada, nesse ponto, seria sempre o mais simples possível.

 

Controlá-las, só, ou com ajuda da   familia e amigos e, por fim, a saga de as ir buscar. Sem custos especiais se o tempo estivesse bom, com custos dolorosos se estivesse de chuva e frio. Especialmente chuva puxada a vento frio. Se por acaso estivesse de neve, seria uma brincadeira!

 

Depois de tudo arrumado, havia necessidade de pôr o programa em andamento. O programa era pre-estabelecido. Quantos e como? Quantos fazíamos parte do grupo que iria pedir as janeiras e como o iríamos fazer. Primeiro havia que assentar arraiais. Jantar (nós chamávamos cear) e, de seguida, preparar para a festa.

 

Era aquilo que, no meu tempo, se chamava a festa dos moços pequenos. Era mais pedir as janeiras do que cantar as janeiras! Pedir todos sabíamos fazer mas, cantar, tornava-se mais difícil! Por fim, pedia-se e cantava-se. Mas nós tínhamos um problema. Era o problema da cadeia! Cadeia de encadeamento de idades. A partir dos 14-15 anos, tudo se complicava. A miudagem começava a bater as asas, preparando-se para voos com destinos insondáveis. Todos sabíamos que era lá longe, mas não quanto! Ali a cadeia quebrava-se. No entanto, aqueles que ficavam, queriam dar continuidade à festa.

 

Vamos, então, pedir as janeiras!

 

A primeira vez que pedi as janeiras, teria cerca de 4-5 anos. Os moços crescidos foram pedir as janeirase nós tentamos imitá-los. Eu e um primo meu, mais velhinho uns meses, fomos a casa de uns tios nossos e resolvemos fazer a nossa cantoria:

 

«Oh, ti da casa,

somos cinco,

somos seis,

vimos-lhe pedir o reis»!

 

Isto não foi nada de especial! Mas demos origem a uma batalha lá em casa. O nosso tio, que nos achou muita piada, queria dar-nos a maior chouriça que tinha no fumeiro.  A nossa tia que nos achava muito pequeninos, achava que nos deviam dar uma chouriça pequena para nós não a arrastarmos pelo chão.

Foi o diabo mas trouxemos a grande. Quando íamos no caminho com o pitéu, arranjamos logo transportadora para ela e fomos pedir mais! Arranjamos mais umas duas e a minha irmã encarregou-se de nos tratar do pitéu!

 

 

Quem me dera os produtos de outros tempos

 

Mais tarde, já maiorzinhos, as festas das janeiras continuaram. Pedíamos as janeiras e arranjávamos sempre, uma mulher ou duas para nos fazerem o jantar. Pedíamos as janeiras de porta em porta e recebíamos os "sancos" dos porcos, chouriços, chouriças de carne e de massa, pedaços de presunto ou da pá e outras coisas. Tudo o que servisse para a nossa jantarada. Até dinheiro!

 

Normalmente a tradição éramos nós que a fazíamos! Era assim porque já tinha sido assim no ano anterior e porque outros também o fizeram em anos passados e assim, as moças, especialmente, as mais velhas, se encarregavam de fazer o nosso baile. Depois tínhamos a mania de emitar os homens, e o vinho não faltava e com ele a festa tornava-se mais animadora.

 

Eu ainda sou do tempo em que a minha mãe dizia assim: «se te embebedas levas uma tareia»! Sem mais.

 

O nosso almoço e jantar, no dia um do Ano Novo, era sempre o nosso belo e gostoso cozido à portuguesa. Tudo era bom. As carnes, as couves, as batatas, ... a festa! Valia a pena pedir as janeiras!

 

Hoje, os que podemos, acabamos o Ano Velho e começamos o Ano Novo sempre em festa. A festa é outra, mas não deixa de ser festa.

 

Para variar, quem quer vir comigo pedir as janeiras?

Vamos pedir as janeiras? Neste momento, cantar não posso, mas pedir, é só estender o braço com a palma da mão para cima e hoje é dia 31 de Dezembro de 2007! Hoje pedimos e amanhã fazemos a festa.

Vamos a isso e passem o primeiro dia do ano o melhor possível.

 

BOAS FESTAS PARA TODOS

BOAS SAÍDAS DE 2007

BOAS ENTRADAS EM 2008

 

ERGO A MINHA TAÇA À VOSA E À MINHA

 

BOM ANO

        

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

Ventor, nas suas caminhadas | Divulga também a tua página

24
Dez07

Natal de 2007

Luiz Franqueira - Ventor

Como seria em Adrão, hoje?

Hoje não sei mas, noutros tempos, o tempo dificilmente seria igual a este, limpo e cheio de sol como aqui pela zona de Lisboa. Mas poderia ser assim:

- admitindo que estaria sol, nesta véspera de Natal, talvez o frio estivesse presente. O sol iria ao Marco d'Além e eu estaria a agarrar a minha vara de carvalho e dirigir-me-ia à janela para dar uma última espreitadela às minhas vacas. Observá-las-ia na sua caminhada desde o Poulo do Grilo, umas pela parte de cima do caminho e outras por debaixo, todas a raparem os últimos tufos de ervas, esquecendo-se que iriam ter uma bela ceia de Natal, e levarem a barriga mais aconchegada.

 

Confirmada a sua posição, eu seguirira de vara na mão, pelo Carril, Porto d'Além, carvalhos do Valente, Marco, Corga das Estacas e, já com o sol a apassar o Alto do Gondomil, aproximar-me-ia das companheiras da minha Grande Caminhada.

 

Elas olhar-me iam, dariam umas passadas em minha direcção enquanto eu, com a vara metida debaixo do braço, normalmente o esquerdo, iria esfregando as mãos, para fazer o sangue circular mais rápido aquecendo-as, iria falando com elas, chamando a candogueira da Briosa que se deixava ficar sempre para trás para conseguir mais umas dentadas. Depois, enquanto as outras se perfilavam no caminho, já a pensar na corte, a Briosa daria umas passadas mais rápidas em minha direcção e, como a pedir desculpa pelo atraso, iria passar aquela língua áspera pelas minhas mãos, fazendo sempre promessas de menina bem comportada.

 

 

Esta não é a minha Briosa de outrora, mas a sua imagem faz parte do sonho vivo de sempre

 

Eu abraça-la-ia, encostaria a minha cabeça à dela como para dar uma marrada e dir-lhe-ia: «anda, minha Briosa, vamos»!

A Briosa colocar-se-ia a meu lado e, os dois, estugaríamos o passo atrás das outras, enquanto eu iria olhando o único mundo que conhecia então: «As Minhas Montanhas Lindas»!

Caminhávamos em direcção da aldeia, da corte, da casa, ... e iria observando as fumarolas que já saíam debaixo dos telhados, sinal de que o "canhoto" do Natal já começava a arder. Ao entrar na aldeia, o perfume dos fumos nunca mais me largava. Meteria as vacas nas cortes, iria buscar as suas rações bem avantajadas e, enquanto eu me dirigiria para casa, elas desfaziam o seu grande jantar da sua noite de Consoada.

 

Quando chegasse a casa gelado, com as mãos negras de frio, sentar-me-ia numa cortiça junto do grande braseiro que entretanto se fizera, a queimar o canhoto e as axas de carvalho, e ouviria a minha mãe dizer: «cuidado, Ventor, com as frieiras»!

 

Entretanto, eu observaria esfregando as mãos, como a minha mãe passava aqueles pedacinhos de pão de trigo pelo ovos batidos e os colocava na frigideira esturricando-os, enquanto os que de lá tinham saído eram pulverizados com açúcar e canela e colocados em pilha, prontinhos para serem comidos. Era a minha grande brincadeira de Natal. Comer as belíssimas rabanadas que nunca mais tive iguais! Então eram feitas com metades dos papossecos de Soajo, agora são feitas com rodelas de cassetes de pão feito à pressa que não me diz nada. Nem cheira a trigo! Também o arroz doce era meu companheiro de todos os natais. Depois de ficar bem quentinho, de ver as rabanadas prontas e o arroz doce, lá começava a sair a "grande ceia"!

 

O sempre fiel amigo, o bacalhau, lá saltava do pote de ferro para uma travessa, junto com belíssimas batatas, couves e belas cebolas cozidas. Tudo fumegava! Tudo era gostoso! Até o nosso vinho, feito na Assureira, era o melhor vinho do mundo!

 

Depois da grande Consoada, no meu tempo de menino e já moço, iríamos visitar as pessoas de família e algumas famílias mais chegadas, desejando-lhes um Bom Natal e votos de um Ano que vinha aí, cheio de tudo que fosse bom para eles.

 

Para mim, não havia, então, qualquer problema relacionado com o Natal. Nem havia prendas de qualquer tipo, brinquedos, fosse o que fosse ... Não! Eu tinha uma prenda todos os natais que me lembro! O meu padrinho vinha de França e trazia-me qualquer coisa. Umas botas, uma camisola, fosse o que fosse ... Nada de brinquedos!

Que me lembre, vivi sempre à homem, não tenho recordações de criança, como um dia terão as actuais crianças. Mas se eu hoje tivesse oportunidade de recomeçar, voltaria aos primórdios e cantaria a canção de John Denver: «Thank God I'm a Country Boy».

 

Hoje, os meus natais, são feitos das recordações de outrora. À volta da minha mesa estarão todos os que perdi, até hoje, mais os que não podem estar presentes.

 

Lembro-me de perguntar à minha mãe porque fazia tanto arroz doce e de ela me dizer que era para as alminhas da nossa gente poderem comer também. Eu não me levantava sorrateiro para ver se tinha alguma prenda no sapatinho, mas para ver se as alminhas tinham comido do nosso arroz doce. Lembro-me de deixarem um prato ou dois onde tinham começado a comer para eu ver que era verdade e de eu dizer. "Esta parte foi o avô que comeu"! "Pois foi meu filho, eles vieram comer das nossas coisas. Vêm todos os natais"!

Ainda hoje eu gosto que eles comam do meu arroz doce!

 

Tudo isto, para vos dizer que a vida está sempre a mudar, e mude para melhor ou para pior, não esqueçam que o Natal tem uma função para além do factor comercial. Façam por viver o vosso Natal e sejam felizes.

 

Para toda a gente de Adrão espalhada pelo mundo e todos que por aqui passam, os meus votos de um BOM NATAL

 

BOM NATAL PARA TODOS e com um grande abraço para os Malinos pela amabilidade de me enviarem um e-mail com um olá especial. Um, «olá, Ventor», marcando a sua presença!

 

 

Que os vossos tambores, as vossas caixas, as vossas gaitas e as vossas lindas concertinas, se façam ouvir no Mundo Inteiro e que o vosso sorriso seja espalhado por bons ventos.

 

Que as Festas vos animem sempre.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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