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Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço

Adrão e o Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão, nas suas encostas, é o meu berço


Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


14.08.06

Adrão está a arder!


Ventor

Ontem à noite, enquanto escrevia sobre a minha caminhada, o telefone tocou.

Quando o telefone toca, nem sempre as notícias são boas. Primeiro pediam-me para ligar o Canal I. Já não vi nada. Estava só em casa e raramente vejo televisão. Tenho pó a canais que dão touradas! (Lamento muito amigo, pois sei que muito esforço fazes para levares àvante esse canal).

Mas deram-me a informação essencial. Os bombeiros que tentavam apagar o fogo de Arcos de Valdevez que já durava seis dias (seis dias!), estavam concentrados em Adrão! Depois o telefone continuou a tocar: «Ventor, Adrão está arder! Vai arder tudo Ventor, o fogo já chegou à Barreira. A casa do Emílio foi salva no último momento. A seguir vinha a do primo Manel. O Jack veio agora de lá, diz que se viram aflitos para tirar os animais cercados pelas chamas e voltou a sair parecia um doido».  

Há esquerda desta imagem, 10 a 15 Kms, toda a área florestal do Mezio, terá ardido tudo

Parecia um doido? Pois não havia de parecer! Ele adora aquilo. Nasceu na América, de momento está em França e veio passar férias e ver as nossas Montanhas Lindas. Era aquele pequenino que ouviu a mãe dizer mal de tantas pedras que haviam pelos caminhos depois de ter passado anos nos passeios cimentados de New Jersey.

Essa primeira casa foi defendida do fogo por milagre. Nesse espaço fica a base de 300 homens que tudo tentaram para aniquilar aquele incêndio e nem sequer foram capazes de o circunscrever

«Malditas pedras, já não estava habituada a vocês». "Cala-te mãe, não digas mal das pedrinhas tão bonitas  do nosso Portugal"! Era a primeira vez que via a terra de seus pais. Agora, já um homem, estava preparado, à espera,  para subir comigo à Pedrada, mas o terror tomou conta de tudo. Andaram a tentar salvar animais e deisseram-me agora, por telefone, que morreram muitos. As vacas e os garranos escondiam-se do calor nas sombras das florestas do Mezio e em locais aprazíveis onde ouvesse água e árvores. Soube agora que o fogo ainda não foi circunscrito e que está a arder toda a montanha ao norte de Adrão. Isto, nunca aconteceu antes desde que eu me lembro de fogos que por lá têm havido.

Quer isto dizer que o desleixo atingiu este país no seu máximo. Ninguém quer saber de nada! Para limparem as bermas das estradas ficam à espera que as dificuldades dos pó-pós lá passarem seja o estímulo da ordem. E isto num Parque natural!

Que mais dizer? Sabem quantas palavras malévolas há na cabeça de uma pessoa? São exatamente as que eu tenho neste momento para aplicar a todos os pulhas que têm responsabilidades por estes acontecimentos. Sempre houve incêndios, mas uma coisa destas nunca se viu nas montanhas em volta de Adrão!

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente

04.08.06

Adrão - A Minha Escola


Ventor

Com fotos da minha máquina velhinha.

 

Esta era a minha escola e nesta parede, em baixo, ainda se vê encravado na parede o local que serviu de porta por onde eu entrava na minha escola do Senhor da Paz, no Poulo de Eixão. Faltam lá os degraus por onde subíamos para este Templo da Sabedoria. Devem ser os mesmos que servem, actualmente, a porta do lado contrário.

A porta por onde nunca mais entrarei 

Por aqui, as traseiras em relação ao Senhor da Paz, era a entrada e do lado contrário ficavam as duas janelas e a porta da corte das vacas do ti João Chica.

Há dias, estive frente a esta porta, só eu e ela, a matarmos saudades. Eu ouvia os meus companheiros de caminhada de então em correria escada acima e escada abaixo. Olhava as suas caras, os seus olhos os seus cabelos tal como se estivesse a viver 50 anos antes. As  imagens, de grande maioria deles, estão comigo encostadas num pequeno local do meu universo. Ainda ouço as suas vozes, os seus gritos, os seus choros. A maioria nunca mais nos voltamos a ver!

Carvalho de Eixão

Das nossas janelas, espreitávamos o Carvalho de Eixão, que já na altura, há 45 anos, tinha o mesmo formato e robustez de hoje. Já se dizia então, quando alguém atingia uma proveta idade, que estava a ficar tão velho como o carvalho de Eixão.

 

 

A minha escola vista de frente para o Senhor da Paz

A porta de cima e as escadas não existiam então, deste lado, apenas existiam as janela por onde espreitávamos o carvalho, o Senhor da Paz e as minhas Montanhas. Por baixo havia a entrada para a corte. Essa árvore e os bancos não existiam e o Poulo de Eixão onde jogávamos a bola e fazíamos outras brincdeiras era puro e sem intervenção humana como hoje.

 

Aqui mora o Senhor da Paz

O muro de então era apenas a parte velha da esquerda. A parte direita já é uma modernice. Ali, no muro velho, frente ao Senhor da Paz, tínhamos um pau que colocávamos sobre o muro, onde fazíamos o nosso Balancé e onde um companheiro nosso ia morrendo, mas o Senhor da Paz não o permitiu. (Olá Pequeno!).

 

As Montanhas Lindas do Ventor, são as montanhas da serra de Soajo, da serra da Peneda, da serra Amarela, do Gerês, ... são as montanhas dos seus sonhos e são, também, as montanhas da sua gente