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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Eu nasci na serra de Soajo e Adrão é o meu berço. É um berço de granito e os lençóis são bordados com as mais belas flores de ericas, de carquejas, de urzes e muitas outras. Caminhem comigo e vejam

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

A foto do cabeçalho mostra uma creche de vitelos no alto da Derrilheira - serra de Soajo

Podem ver aqui todos os Links dos meus Blogs. É só abrir e espreitar



Lobo na serra de Soajo

Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim

01
Set18

As Andorinha em Adrão

Luiz Franqueira - Ventor

Tenho falado por aí das andorinhas, essas penudinhas lindas que todas as primaveras nos visitam e todos os outonos ou pelos fins do verão, partem.

Sei que este mundo não está fácil para as andorinhas.

 

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 Uma andorinha tirada da pixabay

 

Após estudos nos últimos anos, feitos por especialistas nas várias matérias sobre animais em perigo de extinção, sabemos que também  as várias espécies de penudos, entre elas as andorinhas correm perigo de entrar no livro vermelho. É triste mas é verdade.

 

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Um ninho de Andorinha tirado da pixabay

 

Quando, há mais de meio século atrás, eu caminhava pelos trilhos de Adrão, recordo-me de não ver andorinhas por lá. Claro que elas passariam por lá, esvoaçando rumo aos seus objectivos mas, não faziam por ali as suas construções o que significa que não procriavam. Seria um lugar muito mau para as andorinhas. As casas eram de pedra, esburacadas, baixas o que tornava as suas construções impossíveis. Aliás nós próprios, os putos, nunca permitiríamos que as andorinhas fizessem os seus ninhos e fizessem as suas criações por Adrão. Éramos muito mauzinhos para todos os bichos.

 

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Ninho de andorinha tirado da pixabay

 

Mas foi, exactamente, em Adrão que eu apanhei a primeira andorinha. Caminhava da Assureira para casa, o célebre eido, quando ao atravessar o rio, vi uma andorinha a espojar-se nas areias, entre rochas. Armei-me em felino, fui-me aproximando por trás da andorinha e fiz uma caçada tão bem feita que a apanhei. Meti-a no peito por dentro da camisa e fazia-lhe festas porque aquela andorinha era para mim uma preciosidade. Alguma coisa começou a correr mal. Comecei a ficar comichoso, agarrei a andorinha com uma mão, fiz-lhe uma festa com a outra e soltei-a. Ela devia estar muito cansada porque, ao espojar-se, ficava estendida, de asas abertas, saboreando aqueles momentos, num dos quais eu a apanhei.

 

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Andorinhas tiradas da pixabay

 

Escusado será dizer que fiquei cheio de piolhos e tive de me lavar no rio. Mas eu era de Adrão e de Paradela e, tal como os nómadas, ia caminhando entre um lugar e o outro e Paradela foi, para mim, o primeiro contacto com as andorinhas. Eu era muito pequeno e as andorinhas tinham feito na casa da minha tia Rosa, 2 ou 3 ninhos. Uma parte da casa, um quarto sobre o curral era relativamente moderno e era bom para as andorinhas fazerem o ninho. Um dia que estava só, peguei num pau comprido que o meu tio Domingues tinha para os feijões e tanto tentei que esforaquei o ninho. Queria ver como era! O tio Domingues que Deus tem deu-me uma grande tareia e pregou-me um grande sermão que eu nunca mais esqueci. Espero que, por todas as razões e mais essa o meu Senhor da Esfera o tenha a seu lado. Aprendi muito e fiquei a saber que o Planeta Azul é de todos e muito das andorinhas.

 

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Andorinhas em Adrão, Agosto de 2018

 

Mas este ano de 2018 foi um ano excepcional para mim, em Adrão, no que diz respeito a andorinhas. Quando fui comer sardinhas com o Luiz Perricho ao Carril, atravessei Adrão e vi algumas andorinhas e ninhos e a minha companheira de caminhadas também ficou surpreendida por ver ninhos e algumas andorinhas. Mas quando fomos à Assureira, 5 dias depois, é que eu vi andorinhas com fartura, como as fotos documentam. Os tempos nos últimos anos, desde 2005, não têm facilitado nada a vida às andorinhas. Há anos que entram na Europa com calor e depois são apanhadas por frios terríveis que as dizimam. Penso que em 2006 ou por aí, só em França, terão morrido milhões delas!

 

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Andorinhas em Adrão, Agosto de 2018

 

Mas já não morro sem ver muitas andorinhas em Adrão. Em Soajo foi em 2011.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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29
Ago18

Caminhar na Assureira, 2018

Luiz Franqueira - Ventor

Caminhar na Assureira, em Agosto de 2018, não serviu só para matar saudades, para voltar a observar as suas lages e para olhar as paisagens cobertas de matos, silvas, tojos arnais ou pica-ratos (eu não sou rato e picam-me bem), giestas, etç. Caminhar na Assureira também deu para fazer outras observações.

 

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Aqui estava o bufo, mais provável no carvalho, bem alto, do que nas paredes da corte

 

Eu tive na minha recepção um pardal, uma toutinegra, uma lagartixa e um morcego pendurado no fio de uma lâmpada eléctrica, na casa do ti Emílio que Deus tem. Não vi o Bufo mas sei que estava lá, bem perto de nós ou na sombra do carvalho ou num buraco das ruinas de uma casa de granito cheio de musgo e junto ao carvalho.

Só eu é que o ouvi. Devia estar chateado por ficarmos ali a observar a influência que meio século teve na caminhada da nossa gente. Foram três pios do Bufo, se calhar a avisar a companheira ou companheiro que não passávamos de uns chatos. Há muitos anos atrás eu ouvia o Bufo na Assureira mas sempre ao chegar da noite, quando já saíamos a caminho do eido, ao lusco-fusco ou já de noite.

 

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Foto tirada do Pixabay

 

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Foto tirada do Pixabay. É grande este bicharoco. De noite ele vence e mata a águia que não vê. De dia é a águia que o mata a ele. Assim existe equilíbrio entre os dois rapaces

 

Não ouvi o arrulhar das rolas ou dos pombos bravos, nem o grasnar dos gaios que na Assureira nunca me tinham faltado até 2006 a última vez que lá tinha ido. Em 2006 um gaio ficou sarapantado quando ia beber água à poça da mina e deparou comigo. Vimos os detritos da corça que tal como os javalis andarão fugidos pelo mato ao sentirem e cheirarem as pessoas por perto.

 

Dei por falta desses meus amigos de penas a que chamo penudos e não foi só na Assureira. Dei por falta dos chascos e dos cartaxos esvoaçando à nossa fente, quando subimos à Pedrada. Mas, também, em Arcos de Valdevez, apesar de ter fotografado o meu amigo melro de água, achei existirem poucas pegas negras, pardais, cartaxos e outros pássaros que todos os Agostos tenho visto com alguma abundância.

 

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Cartaxo-comum, nossos amigos a caminho da Pedrada

 

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Chasco, nossos amigos a caminho da Pedrada

 

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Chasco pequeno

 

Quando observava a ponte e o rio de Adrão em Arriba dos Moinhos, ainda sonhei que passasse por ali o guarda-rios, meu velho companheiro de há 57 anos para atrás. Achei piada, o grupo Desportivo das Pescas de Soajo ou lá como se chama, querer transformar o rio de Adrão num belíssimo centro de pesca às trutas.

Com o matagal que avassala o rio, as trutas não subirão de maneira nenhuma. Mas fazer placas não custa nada. Uns cêntimos, uma borradela e a placa está feita. Vamos lá coloca-la. Quem viu aquele rio cheio de trutas como eu vi, plantar placas e deixar andar deve ser um trabalho muito frutuoso! Deu-me muita vontade de rir. Se realmente houver pescadores em Soajo, não devem ganhar para os anzóis. Primeiro deviam limpar o rio. Não custa nada! Levem a cana numa mão e a foice na outra e então sim, as trutas passarão a subir o rio.

 

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  Lagartixa, foto pixamania. Haviam muitas na Assureira. Hoje não se vêm

 

Mete dó ter conhecido aquele rio e observa-lo hoje. Será que há trutas no rio de Adrão? Quando antigamente íamos da Assureira para o eido, o poço do moinho de Arriba dos Moinhos, estava sempre cheio de trutas e eu corria à frente dos homens caladinho só para as conseguir olhar.

Se calhar hoje nem me acreditam mas tirei duas trutas que ficaram a entupir a leva de água para fazer rodar o rodízio do moinho da tia Bondeira. Virei a água para o rio e fui lá apanhar as trutas que pareciam salmões. Caíram e ficaram aos saltos até eu as apanhar no meio das pedras, por baixo do moinho. O mais difícil foi a cobra negra!

Houve duas que seguiram o rego para regar o campo da Assureira de tão gulosas que eram que foram apanhadas pela minha tia Joaquina aos saltos no meio do milho, quando ela regava. Hoje não há nada disso. Hoje não temos trutas para ver nos poços, quanto mais para irem centenas de metros atrás de minhocas até ao milho. Mas há um Clube Desportivo de Pescas. Espero que tenham sorte mas têm de fazer por isso. A sorte protege os audazes!

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a cadeira


Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas


O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo rezam as suas histórias e o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais


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O lobo-ibérico

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso


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Esta Gentiana azul, esta bela flor azul, apareceu na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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