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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


22
Mai06

Adrão - A Rodada

Ventor

 

Recebi uma visita de um amigo novo, mas não consegui ler pois era uma mistura de html e escrita corrente, enviada via America Online. Como a gente de Adrão já tem conhecimento desta nossa página, vou colocá-la aqui também no blog sobre Adrão, pois esta é mais um pedacinho da vida do Ventor e da sua gente.

Um abraço para ti Alexandre. Acho que captei o teu e-mail.

Esta foi a história que o Ventor me contou dos seus tempos de menino:

 

«Quando o ventor era pequenino, Adrão era uma aldeia que tinha bastante gente, desde jovens a velhos e apesar de muitos homens partirem cá para a zona de Lisboa e as mulheres ficarem lá pela aldeia, eles iam lá fazer os filhos. Por princípio, iam passar o Natal a casa e depois alguns, sempre que podiam, iam lá para acarretar o estrume e lavrar as terras. Chamava-se-lhe, fazer o Maio ou fazer as sementeiras.

 

Havia ainda outro princípio basilar quando eles regressavam a casa. As pessoas da aldeia, especialmente as mais amigas, mal se constava a chegada de algum, iam encher-lhe a casa para saber da saúde do rapazola e fazer alguma conversa sobre outros que ficavam por cá.

 

Aqueles que, por qualquer razão não tiveram conhecimento atempado do regresso do felizardo, tinham sempre o local privilegiado para o desejado encontro A Tasca do Carrasco.

Mas fosse em casa, ou na Tasca do Carrasco, haviam esfusiantes apertos de mão, abraços, grandes galhofas e um nunca mais terminar de felicitações, tudo isto, sempre em volta de uma rodada.

 

O lisboeta regressava e tinha sempre o cuidado de não ferir as tradições da terra. Teria de levar uns cigarros que chegassem para oferecer aos da terra e de pagar umas malgas na Tasca do nosso amigo Carrasco.

 

As crianças, como o Ventor e outros, muitas vezes não conhecíam os regressados, porque saíram já a fazer-se homens e regressavam homens feitos, sem terem tido, ainda, a responsabilidade de ter constituído família e iam passando despercebidos aos seus olhares, mas mal sabiam de quem eram filhos, tinham amigos e tinham também, em todas as situações concretas, a possibilidade de partilhar da rodada.

Enche Manel!

 

À palavra enche, o Carrasco, como um autómato, pegava na malga e imediatamente se ouvia o abrir da torneira e o escorrer da preferência de Baco, vermelhinho carrascão ou mais rosadinho, lá vinha a malga para iniciar mais uma volta pelos convivas. As malgas, de tanto passarem de mão em mão, algumas já estavam com os rebordos esbeiçados. Sim esbeiçados, porque às vezes apareciam os mais meticulosos a exigir que a malga não fosse esbeiçada!

 

Mas esbeiçada ou não, o essencial da malga era, sempre, uma rosinha de bolhas redondinhas centrada no meio, que era a cartilha de apresentação da qualidade do vinho, para os puritanos das pomadas do meu amigo Baco.

Eram estas alegrias que davam vida à aldeia para além das vidas do trabalho. Mas, às vezes, as alegrias de ontem tornavam-se nas tristezas de hoje. Nem sempre os que partiram regressaram!

 

O Ventor recorda-se de um rapaz que andou cá por Lisboa e um dia regressou a casa, cheio de alegria e de vontade de pagar umas boas rodadas a toda aquela gente, pois tinha-lhe saído uns dinheiros na lotaria, e recordo-me bem de dizerem que a ele e a mais dois, lhe coube em sorte, a cada um, segundo diziam, 60.000$00, uma pequena fortuna para a época. O Ventor conhecia os pais dele, dois grandes amigos do Ventor e lembra-se desse filho do ti Silva se casar.

 

Esteve algum tempo na terra, a gozar as primazias do casamento e depois ele e os outros dois, de outras aldeias, decidiram apanhar o “carreiro da esperança” que ficava nos trilhos da França. Pagou as últimas rodadas na Tasca do Carrasco, despediu-se de todos e lá foi na aventura por trilhos que só ouvira falar.

 

Algum tempo depois, um telegrama, uma simples folhinha de papel, conseguiu colocar uma aldeia inteira num pranto de tristeza e deixar em total desconsolo, família e amigos. O filho do ti Silva caíra para sempre, nas ruas do medo de uma das mais belas capitais da Europa, Paris, fulminado por tiros da polícia francesa, quando sem saberem ler, nem escrever, nem falar francês, foram apanhados na encruzilhada de uma noite de terror em que era absolutamente necessário obedecer ao recolher obrigatório.

Eles ainda estavam a tratar da sua legalização, em França, e apeteceu-lhes ir passear para les Champs Ellisées, não obedecendo à ordem da polícia francesa, por não perceberem o que se passava e aqueles não perderam tempo a abrir fogo sobre três indivíduos que apenas passeavam em ruas desertas.

 

  

 

As malgas, como esta, andavam de roda, passando de mão para mão, por todos os presentes

 

Dois deles morreram e um deles era, o filho do ti Silva, da aldeia do Ventor. À chegada da notícia, Adrão chorava e o Ventor recorda-se de passar toda a noite deitado e acordado, de olhos pregados no escuro do telhado, escutando a mãe e a jovem esposa viúva, juntas com a família e amigos, gritando de dor e quase não queria acreditar que nunca mais o veria na Tasca do Carrasco, junto dos outros, noutra célebre rodada.

Agora, enquanto vão refrescando a garganta, podem ir caminhando ao lado do Ventor na nossa Grande Caminhada

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a a cadeira

Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas

O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

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... e depoi esta, a Gentiana azul, esta bela flor azul aparecida na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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