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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


11
Set06

Adrão - Cemitério

Ventor

Sempre que posso, passo pelo Cemitério de Adrão para dizer olá à minha gente. Tenho lá muita família e muitos amigos.

 

 

O Cemitério de Adrão. Lá ao fundo a serra Amarela e o Gerês

 

Eu, quando passava por Adrão, encontrava-os atrás das vacas, atrás das ovelhas, pelos caminhos, à janela, ... e, sempre que vou visitar o Cemitério acabo por encontrar mais alguém. Mais um amigo ou amiga que foi caminhando à frente.

 

Desta vez foi o Joaquim "Brasileiro" ainda meu parente pois o seu pai e a minha mãe eram primos direitos. Ele era um pouco mais velho que eu e, entre os mais velhos e os mais novos houve sempre uma passagem de testemunho. À medida que crescíamos íamos caminhando sempre mais alto! Mais uns dias, uns meses e dávamos mais umas passadas inesquecíveis. Sempre mais um cabeço, mais um monte. Primeiro os montes mais baixos, agarrados ao rabo das vacas.

 

Depois o Poulo da Férrea, a Chãe do Boi, depois a Naia, depois o Muranho e, por fim a Pedrada! É para esses montes que dá a porta do Cemitério de Adrão. Estas eram as caminhadas que nos marcaram como crianças e depois como homens. Passo a passo, mas sempre mais um, mais dois, muitos! Nas costas do Cemitério ficam os nossos outros montes. A leste o Gondomil, a Corga das Estacas. A sul a Assureira, a Oeste o Senhor da Paz e os montes de Bordença. Para Norte, a Portela, a Corga Grande, mas entre o Norte e o Oeste fica a saga das nossas grandes caminhadas. O Alto da Derrilheira, rumo à Pedrada.

 

 

 

 

O Cemitério de Adrão. Do lado de lá, o Poulo da Fraga e os montes da Assureira 

 

O nosso mundo era grande à medida que trepávamos e a nossa liberdade era total. Contida nos parâmetros das caminhadas dos mais velhos, mas total. Corríamos montes e vales e trepávamos as rochas como cabritos até atingir a próxima fonte. Caminhávamos no rasto do lobo. Ainda hoje caminho no rasto do lobo e sinto-me tão lobo como eles, quando trepo nas minhas montanhas. O lobo via-nos, mas nós não o víamos a ele. Raramente lhe colocávamos os olhos em cima! Ainda hoje admiro aquele canídeo deslumbrante que sei que me olhava, me admirava e me respeitava. Se assim não fosse, não andaria por aqui, caminhando com os dedos sobre teclas e a falar-vos do respeito mútuo que nos norteava. Sinto que há dentro de mim muito do lobo! Sinto que trepo as nossas montanhas com a mesma animosidade e generosidade que ele. Somos mesmo inseparáveis!

 

Mas nessa altura, o lobo era inimigo dos nossos gados, portanto, nosso inimigo também! Era por isso que uma montaria era uma festa! Mas, a partir de uma determinada altura, quanto mais crescia mais imaginava o lobo como um companheiro de caminhada. O Joaquim perguntava-me sempre: «viste o lobo, Ventor»? Agora não me pergunta mais, está no nosso cemitério.

Mas no nosso cemitério também encontro gente viva, gente que presta homenagem aos seus parentes e amigos. Desta vez tive mais sorte!

 

 

Do Cemitério de Adrão vêm-se os nossos montes a Leste. A Corga das Estacas, o Gondomil ...

 

Fátima é o seu nome. Estava junto da campa de meu pai e de minha mãe. Depois caminhou para a campa de meu irmão e de meu sobrinho. Eu vi lá gente e enquanto a minha irmã e a minha "cara metade" seguiram para o interior do cemitério eu fiquei fora a tirar fotos às suas paisagens deslumbrantes, à espera que essa gente saísse. Quando vou visitar os meus amigos gosto de estar só com eles.

 

De repente ouvi uma espécie de "algazarra" dentro do cemitério e vejo um braço estendido e o chamamento: «Ventor, anda cá»! Era a minha irmã que me chamava.

 

 

Por trás do Cemitério de Adrão, vê-se a Assureira engolida por matos enormes, o rio de Adrão rumo a Soajo e, do lado de lá, a serra Amarela 

 

Entrei e apontou-me uma mulher do grupo presente. Os olhos dessa mulher sorriam para mim, brilhando! No seu sorriso eu via uma luminosidade infinita. Sentia que ela me queria abraçar e a minha vontade era igual. Ela já sabia quem eu era, porque a minha irmã lhe dissera, mas eu não. Mas não nos víamos desde pequenos e eu não a conhecia. Nem dava para a tirar pela pinta!  Os nossos sorrisos de crianças estavam separados por cerca de 45 anos. Tínhamos um elo de ligação. A minha tia Rosa de Paradela, minha tia e sua avó!

 

A Fátima era de Cidadelha e vinha para Paradela fazer companhia a sua avó. Eu ia a Paradela ver a minha tia e lá estávamos algum tempo juntos. Depois a Diáspora separou-nos. Eu vim para Lisboa e ela, algum tempo depois, foi para Inglaterra. Hoje está em França com o marido.

Mas quis o senhor da Esfera que num abraço, no cemitério de Adrão, matássemos saudades de uma eternidade de separação.

 

 

Do Cemitério de Adrão vemos os caminhos da Assureira, no Grilo e por cima o caminho para o Poulo da Fraga e Centieira

 

Que nossa Senhora de Fátima esteja sempre contigo Fátima. No dia seguinte vi a tua irmã Angelina mais o marido, no Campo, na casa da tua tia Clementina. A emoção ali não foi tão forte porque tu foste minha companheira a devorar as fatias de presunto com ovos estrelados e rodelas de tomates que a tua avó me arranjava quando eu, miúdo, atravessava a serra para chegar a Paradela.

Muitos beijinhos para ti Fátima e não te esqueças que eu e o Quico temos muitos e-mails.

 

Mas vi também um amigo dos velhos tempos - o Emílio. O Emílio da Curta como a gente lhe chamava. Gostei de te ver Emílio. Tantos anos passaram entre nós e como tu me fizeste lembrar uma das pessoas de Adrão de quem tanto gostei. A tua mãe! Ela era a minha grande amiga que tudo fazia para não deitarem abaixo o cortelho do Ventor. Ainda há pouco tempo estive lá, nas minhas ruínas e nem imaginas quanto me lembrei dela. Também nunca tinha visto o teu filho. Um abraço para todos, do Quico e do Ventor. Foi o nosso Cemitério que nos ligou.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a a cadeira

Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas

O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais

O lobo cinzento

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso

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Falar da serra de Soajo, na qual continuo a caminhar em sonhos, não é só falar de lobos mas, também, falar das suas floes e, escolho para as representar a primeira de todas as ericas...

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... e depoi esta, a Gentiana azul, esta bela flor azul aparecida na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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