Voltei a sonhar com Adrão!

Raramente sonho com o meu pai e, já não tenho sonhado com a minha mãe. Desta vez sonhei com o meu pai. Poucas vezes tem acontecido, nos últimos tempos, sonhar com o meu pai.

Desta vez cheguei a Adrão e, como sempre acontecia, lá estavam todos à minha espera mas, só o meu pai conversou comigo. Disse que estava contente por ver e disse-me: "quero pedir-te uma coisa". Diga o quê, para ver se posso.

"Podes! Podes ir comigo a Paradela. Há pessoas que me dizem que nunca lá vais e eu gostava que fosses e gostava de ir contigo. Levas-me a Paradela"?

Claro que o levei a Paradela mas disse-lhe que tinha de ficar no carro pois não seria capaz de descer comigo a pé. Seria um esforço grande para ele. Mas lá fomos! Descemos Paradela a pé, como antigamente. Ele à minha frente porque eu ficava para trás a tirar fotografias.

 

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Belezas de todo o mundo, uma abelha procurando o néctar na Oxalis pes-caprae, a que chamamos azeda ou trevo amarelo. Flor invasora vinda da África do Sul

 

Depois disse-lhe: "já viu que não encontramos ninguém com quem falar! Paradela, tal como Adrão, vão ser engolidas pelas silvas". "Que pena, Luis, ainda um dia destes, pessoas de Paradela me fizeram queixa que tu vais a Adrão e não vens a Paradela". Descemos até Santos e naquele sufoco de não encontrar ninguém, acordei e fiquei a pensar nas tristezas da vida.

Pensei como tinha feito parte daquele caminho com o meu pai e o ti Domingues Barreira, em tempos, a última vez que fui com o meu pai a Paradela, antes dele falecer. Pensei nos mesmos caminhos onde em 2012 caminhei e não vi mais do que quatro pessoas. Fui até à capelinha de Paradela e não falei com ninguém porque não conhecia ninguém! No dia seguinte encontrei no Senhor da Paz, na casa da minha amiga Rosa da Valenta, que me disse: "então você é de Adrão? Andava ontem em Paradela e houve pessoas que pensavam que era um turista ou algum técnico da Barragem do Lindoso"! Isto foi uma mulher que encontrei em Paradela junto à cancela da casa de gente que, em tempos, eu gostava muito mas, mais de meio século depois, já não conheço ninguém. Fiquei a pensar nas tristezas da vida e voltei a adormecer.

Algum tempo depois estava a sonhar, mais uma vez, já não com o meu pai mas com Paradela. Voltei a fazer o caminho e a observar Paradela e, olhei os campos. Nem imaginam como os milhos estavam bonitos!

Regressei a Adrão. Houve três tipos que me pediram boleia para os Arcos e eu dei-lhes boleia, mas a estrada para os Arcos não tinha nada a ver com a estrada existente. Ela passava no meio de florestas encantadoras com vales lindíssimos e árvores frondosas. Carvalhos, sobreiros, castanheiros e eucaliptos como em tempos vi nos arredores de Vila Cabral, em Moçambique.

Será que ainda um dia verei florestas assim nas fraldas das minhas Montanhas Lindas? Será que ainda farei viagens entre Adrão e os Arcos de Valdevez com uma beleza daquelas? Não acredito que haja possibilidades que isso venha a acontecer um dia, atendendo à torpeza da sociedade actual.

Para isso ser possível, eu teria de chegar aos 100 anos e as plantações começarem já! Mas, teria também de serem proibidos os fósforos, os isqueiros, o tabaco, ... e, mesmo assim, proibir certas pessoas de caminharem nas florestas.

Como são lindas as minhas Montanhas Lindas, em sonhos!

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 00:57