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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


29
Ago13

Rumo à Pedrada, em 2013 ...

Ventor

... pelo caminho dos romeiros da Peneda.

 

 

Antigamente os romeiros não precisavam de sinalização. Havia sempre alguém que conhecia o caminho

 

De manhã cedo de terça-feira, como tinha ficado combinado, na véspera, lá fomos, eu e o nosso amigo Eira-Velha, buscar o Luis, a Ponte da Barca. Regressamos aos Arcos e rumamos a Adrão. Subimos a estrada dos S's, rumo ao Mesio, Triângulo do Mesio, onde não cumpri as regras actuais, é uma chatice fazer aquele triângulo com regras!

A estrada era só nossa e lá fomos encontrar o Tone na Barreira para iniciarmos a subida por Fontoura. Mas descemos, deixamos o carro perto do Cemitério de Adrão. Ali eu tinha a certeza que ele ficaria guardado, por toda a minha gente, quando ouvi dos fundos da terra a mensagem: "anda aí o Ventor"!

 

 

Descendo a Quelha da Costa, em Adrão

 

Pegamos nas tralhas e eis-nos no velho caminho dos romeiros da Peneda até ao Cruzeiro da Portela de Cima. Já não fazia aquele caminho há muitos anos. Descer a Quelha da Costa, onde, na tal zona das despedidas e das chegadas, mais uma vez, tivemos gente à chegada. Ali encontramos a Teresa da Piedade (como sempre foi chamada) com o seu marido e a Teresa do Valente a espreitar pelo portão. Foram as únicas pessoas da nossa gente de Adrão que encontramos no início dessa caminhada matinal. Atravessamos o Cabo do Eido, o Eirado, a Ponte, o Carril e subimos à Coroa.

 

 

Passar na Ponte, observar o moinho e o seu rio

 

Ao passar no Carril, olhei o pontão do rio d'Além lá em baixo e sonhei lá passar nos dias seguintes. Ao passar a Ponte de Além, vi o rio enterrado no matagal e recordei os meus tempos de puto, onde aprendi a apanhar trutas à mão com o meu amigo Joaquim Brasileiro. Como vi ele tirar a truta da boca duma cobra d'água, enganchá-la e matar a cobra, disse:.

"Joaquim, essa truta está envenenada"!

«Não está nada! Truta que não mata a cobra não mata a gente»!

"Mas foi mordida pela cobra"!

«Estas cobras não são venenosas mas podem morder-te, diz o meu avô. Se te morderem é como se fosses arranhado por silvas"!

 

 

O rio e a Ponte d'Além.

Ali, como em todo o rio de Adrão, o rei é o mato. Havia uma fonte que nascia aí, por baixo do caminho, onde bebíamos água. Hoje, provavelmente, nem os pássaros lá bebem

 

E, lá fomos nós, subindo a Coroa, e eu, a remoer as minhas caminhadas passadas. A minha coxa, junto ao joelho, ia dando sinais que eu não iria ter uma caminhada fácil. Mas aquilo não era nada, comparado com outras situações passadas. Pela amostra, seria "a peace of cake"!

Ao passar junto à casa dos meus velhos amigos Caturnos, ainda me lembrei de dar um grito à Tarzan e desafiar o Jack a acompanhar-nos mas desisti. Mas o gatinho perguntou-me se podia ir connosco. Perante a nega, virou à esquerda e desistiu.

 

 

Um belíssimo amigo de Metistophees e do Ventor

 

Subimos a calçada da Fonte do Ouro (talvez de origem romana), ao lado dos carvalhos (onde, em tempos, eu procurava os ninhos de pombos bravos, de rolas e de gaios): à esquerda, os muros dos prados, à direita, um dos montes da minha meninice onde fiz belíssimas caminhadas. Não me recordo do nome da égua do meu amigo Tábuas, o Guarda da Floresta, de então, que o Senhor da Esfera la tem. Penso que era "Linda". Ela não se deixava montar e eu, um puto, apostei com eles como era capaz de montar a "Linda". Peguei em dois pedaços de pão de milho e subi ao Fojo (Fojo da Cabrita). Peguei num dos bocados e dei à Rola, a égua Garrana do ti Manuel Inês. Peguei no segundo bocado e dirigi-me à tal "Linda". Ela pegou-o nos dentes e começou a comê-lo. Eu agarrei-me às crinas da égua e saltei-lhe para cima, como se fosse uma pulga. A tal "Linda comeu o pão e, no fim, desanda numa corrida frenética direita à Coroa. Correu sempre no monte por baixo da actual estrada, monte abaixo, e ia rumo à mina abatida onde um grande buraco me esperava.

 

 

A Fonte do Ouro que sempre deu água fresca para os romeiros da Peneda e todos que lá passam com sede

 

Quando vi a coisa mal parada, ao ver a égua ir direita ao buraco do abatimento, ou caí, ou mandei-me fora. Ainda hoje não sei como foi! Sei que a tal "Linda" continuou a corrida e passou a cerca de três metros do tal buraco.

 

Tudo isso está na minha memória e, caminhando ou não, vou recordando.

Logo a seguir a esse buraco, apareceu a Fonte do Ouro. Os meus amigos beberam água fresca e seguiram e eu fiquei para trás a fotografar, recordando a grande cobra verde que o Nico e o Miguel viram fugir da mesma fonte, para o muro ao lado. Estava quase na hora do almoço e eles, então uns jovens, não se lembram da peripécia!

Por ser uma cobra, com a idade deles, eu, hoje, ainda me lembraria. Os meus companheiros seguiram e eu fiquei para trás a ver o trajecto da tal cobra, nos anos 80.

 

 

No tempo dos romeiros não havia esse matagal. Não eram possíveis toldos para obstruir a passagem dos raios luminosos do meu amigo Apolo. Se queriam sombra, encostavam-se ao muro das bouças, à sombra dos carvalhos a reganhar forças para subir a Portela

 

Subimos, rumo à Portela, ao velho Cruzeiro, onde ficamos um pouco a admirar os Vales dos rios Pomba e da Peneda. O S. Bento do Cando, a Gavieira, Rouças, Tibo, Beleiral e a Senhora da Peneda e, eu sei, que ela estava preparada para ajudar o Ventor nesse dia. "Basta ver-te, Ventor e já fico feliz". Eu sei que Ela e eu ficamos felizes quando nos vemos nos nossos sítios!

Torcemos à esquerda, às Lameiras e, seguimos o estradão da Naia.

Ao atravessarmos a Naia a minha coxa volta a dar sinais e, ao aproximarmo-nos da Ferrada, começamos a ver velhos amigos do Ventor a esvoaçar sobre o Muranho, onde a Serrinha era o pano de fundo. Comecei a apontar a máquina mas ela não podia fazer milagres. De qualquer modo, fiquei a saber que, aqueles, eram, tão só, descendentes dos meus velhos amigos africanos de Moçambique, os mesmos que iam comer os porcos mortos do Garcês, nos arredores de Vila Cabral.

 

 

Amigos reais que eu acreditava ainda não haverem na serra de Soajo. Mas eles também fazem parte da globalização e, tal como o Ventor passou por África, também eles passam pela Europa

 

Continuamos pela Ferrada, subimos ao Muranho onde observei as portas que alguém lá colocou nos seus cortelhos. É pena ninguém dizer nada mas, os Cortelhos do Muranho, atendendo à sua situação ventosa, pelo menos, quando o vento sopra das montanhas de Castro Laboreiro e, atendendo aos que gostam de lá dormir, merecem essas portas. Pelo menos, sempre ficam mais resguardados dos ventos e, psicologicamente, também resguardados dos lobos. Mas o Muranho continua uma beleza! A sua fonte continua a dar-nos água. Fica lá mal aquele tubo de plástico mas, por ele corre a sua água limpa e fresca e continua a matar-nos a sede. Com a garrafinha do Tone, geladinha desde o ano passado, podíamos alternar com água e vinho!

 

 

A Fonte do Muranho.

Nas serras o que é preciso é água e como o plástico ajuda, até dá jeito mas, ... nah! Não gosto de plásticos! Falarei disso mais tarde

 

Continuei a fotografar os abutres e iniciei a subida até ao Alto da Derrilheia. Após aquela paragem, a minha coxa exaltou-se e preparou-se para me derrubar pelo caminho. Eu sabia que iria acontecer! Porém, foi mais cedo que eu esperava. Custou-me subir a encosta do Muranho! Custa sempre mas, desta vez foi demais. Ao chegar à Derrilheira, depois do mais difícil, encostei à Box! Encontrei uma bela sombra indicada pelo meu amigo Eolo:

"Já não estás para isto Ventor! Abri-te as ventoinhas mas precisas de mais. Agora, entende-te com Apolo e vai observando os abutres"!

 

 

Quando assapei no Alto da Derrilheira, à sombra de umas rochas, os meus companheiros de caminhada seguiam rumo à Pedrada e eu só me faltava gritar com as dores que desciam da minha coluna por toda a coxa direita. Acho que os abutres já cantavam vitória e lembrei-me de uma frase que ouvi num dos filmes dos meus tempos passados, talvez "Os Gansos Selvagens", "Os Pretorianos" ou outro. «Quem fica para trás é para os abutres». Tudo tem a sua razão de ser e os abutres comem tudo mas também gostam de carne fresca

 

Eles, os meus companheiros de caminhada, seguiram em frente. Não queriam mas só podia ser assim! Eu iria esperar ali. Fui derrubado!

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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Luiz Franqueira e o Quico

Sou eu e o meu Quico. Éramos amigos inseparáveis. O Senhor da Esfera levou-mo e, três anos depois, o mesmo Senhor da Esfera, enviou-me o Pilantras

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Pilantras - o Ticas

O Pilantras também é lindo. A seu modo, já não fica a dever nada ao Quico. O Quico corria a meu lado a ver qual chegava primeiro ao computador. O Pilantras vai pela sucapa e ocupa a a cadeira

Este é o Link da minha

Grande Caminhada

Caminharei por aqui, hoje e sempre, com o meu velho Quico na cabeça e o meu Ticas a meu lado

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Ticas

O Cão Sabujo de Soajp

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Este é o cão Sabujo de Soajo

Este cão é aquele a que hoje chamam o cão de Castro Laboreiro. Era o cão que as gentes de Soajo, segundo o Prof. Jorge Lage, pagavam em tributo aos reis de Portugal. Esse cão acompanhava os monteiros de Soajo nas guardas dos rebanhos e nas montarias reais

O lobo cinzento

Irei falar, por aqui da serra de Soajo e também dos seus lobos e das suas montarias ao lobo, as únicas em que participei como observador, ainda criança. Sabemos que o lobo ibérico é uma subespécie do lobo cinzento mas também sabemos que é um animal fabuloso

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Falar da serra de Soajo, na qual continuo a caminhar em sonhos, não é só falar de lobos mas, também, falar das suas floes e, escolho para as representar a primeira de todas as ericas...

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... e depoi esta, a Gentiana azul, esta bela flor azul aparecida na Corga da Vagem, depois de não haver cabras por lá

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