No dia 19 de Agosto, segunda-feira, saímos de casa rumo a Arcos de Valdevez. Bebemos o café, na Amadora, e iniciamos a partida rumo a Norte cerca das 09:20. Por volta de Aveiras de Cima, na auto-estrada, deu-me uma grande dor na coxa direita. Disse para os meus botões: "estou tramado"!

 

Guiar na auto-estrada não custa nada e lá fui indo com o pensamento na Pedrada. Quando chegar aos Arcos encosto à Box e adeus Pedrada. O ano passado não fomos por causa da chuva e nevoeiro e este ano, a minha coluna estava a ensarilhar-me o sistema e, durante algum tempo, vi-me e desejei-me para levar a coisa a bom porto.

Porém, algum tempo depois, a coxa amainou, deixou de me doer e lá chegamos a bom porto. O entretimento foi o Pilantras que se pudesse matava-me por o tirar da sua vida pachorrenta e oferecer-lhe um mundo diferente.

 

 
As cabras cegas no rio Vez observam a minha vontade de caminhar a seu lado

 

 
Mas a vida das cabras cegas é também uma vida de festa, de luta permanente e velar pela prosperidade 

 

Chegamos aos Arcos, arrumei a tralha e fomos almoçar. Depois deitei-me em cima da cama um pouco a ver no que isto dava. Tudo corria bem! Levantei-me e fui fazer uma visita ao meu rio - o Vez. Mal cheguei, entrou-me aquele "must" muito especial pelas narinas dentro. Junto à chamada Ponte Nova, desci ao rio, caminhei junto do carriço e comecei a fotografar as cabras cegas, as libelinhas, os patos, os peixes, o rio com o seu carriço, as árvores, caminhei na sua margem e recordei como cheira bem o musgo húmido das árvores e das pedras e como o Vez me trazia aqueles cheiros que começa a ganhar nos torrões da Seida, em Lamas do Vez.

 

 

Mas, as minhas verdadeiras companheiras de caminhada são as libelinhas e estas são as minhas preferidas - as azúis. Elas sabem que eu já brinquei com as suas ascendentes, onde o nosso rio nasce. Na Seida, uma das bases de sustentação do nosso Outeiro Maior

 

Mas, eu não deixava de observar o rio Vez, caminhando enlaçados, eu o Vez e os Arcos. Fui cumprimentar os Afonsos. O nosso e o outro. O Afonso I de Portugal e o Afonso VII de Leão e Castela. Miraram-me bem e disseram-me que os primos também se matam, não são só os irmãos como Caim e Abel. O Afonso VII que não deixa de me surpreender, disse-me que ninguém devia morrer ao inspirar o cheiro das águas que então transportavam, tal como hoje, todos os odores da serra e seriam mais puras e o seu cheiro mais perfeito. O nosso Afonso, sempre com os olhos postos no cavalo do primo e na viseira adversária, sabe que o nosso rumo, queiramos ou não, será sempre para sul mas os nossos sonhos ficam sempre no Norte.

 

 

aqui está a nossa ponte. às vezes as libelinhas passam por baixo, quase sempre! Outras vezes passam por cima. Mais não seja e conseguem ver melhor o Ventor, enquanto ele observa a velha ponte que, para ele, tem 57 anos e mais cerca de dois meses

 

 

Os primos Afonsos. O I de Portugal e VII de Leão e Castela.

Eles queriam que as águas do Vez corressem dentro de si e fizessem parte do seu sangue mas, elas sempre sonharam correr ao lado Ventor

 

Continuei a minha caminhada sempre de olhos no Vez e nas fraldas da minha serra. Neste exercício de aquecimento, pensava se seria capaz de ir à Pedrada, se a minha coluna me deixaria, se devia telefonar ao pessoal e marcar data. É uma tristeza vivermos limitados! Quando atravessava a Ponte Nova, tocou o telemóvel. Era o Luis Perricho a perguntar se já tínhamos chegado e marcarmos o dia. O Tone só podia ir no dia seguinte. Quarta e quinta não podia e na sexta ainda não sabia. Então vamos amanhã disse eu, achando que nada falharia. Liguei para o Eira-Velha e achei que, se ele pudesse, realizaríamos o nossos sonho de subirmos à Pedrada juntos. Ficou decidido. A Pedrada, o nosso Outeiro Maior, as nossas águas frescas da serra de Soajo matar-nos-iam a sede.

 

 

Mas, os meus olhos também caminharam pelas fraldas da minha serra - a serra de Soajo, o fulcro das minhas Montanhas Lindas. As sedes do passado, as caminhadas e corridas para água, a desilusão das águas sujas e, ... um pouco mais à frente! Era a sina dos meses de Agosto e Setembro, o tempo de beber na corga juntamente com as vacas

 

Pelo sim, pelo não, coloquei duas garrafinhas de água de luso no frigorífico e quatro cervejas, uma para cada um de nós a ser bebida num local onde a água não fosse bebível mas servisse de "frisa" para a refrescar como fiz em 2010 na Corga da Vagem.  Fui dormir e dei comigo a ensinar a noite a dar as voltas do vira! 

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 10:59