Ontem, dia 09 de Julho, entre as 09:30h e as 10:45 horas, estive dentro do carro, à sombra de umas azinheiras, junto de um jardim de Lisboa. O termómetro do carro, à sombra, marcava 30º C. Eu ia observando as flores lindas dos aloendros, as hortênsias, as bolotas das azinheiras a crescer, a relva regada, as empregadas da escola, em frente, a fazer as limpezas mas, pássaros, nem um!

Apenas via as andorinhas voando muito alto nas suas caçadas aos insectos. Que seria dos meus amigos penudos? Estariam afastados pelo calor? Não é a primeira vez que paro por ali, nem a segunda, nem a terceira, nem, ... por aí fora. Já lá estive parado com temperaturas amenas, com frio e com calor e sempre lá vi pássaros! Rolas turcas, melros, pintassilgos, pardais, ... gaios! Os pais gaios perseguindo os seus filhotes para os manter agrupados e lhes dar de comer. E ontem, nada! Foi uma hora e 15 minutos sem ver nada!

 

Comecei a pensar na estratégia para o próximo ano, caso atinja temperaturas semelhantes às que nos têm atingido.

Nestes dias de canícula, caminhar pelos grandes Centro Comerciais como o Colombo, o Alegro e outros. Há sempre coisas para comprar e podem ser compradas pela fresca dos ares condicionados. Ontem por exemplo, comprei um disco externo (2TB) para arquivar as minhas novas fotos. Observei tudo, não com muita calma devido à falta de tempo, bebi o meu café e, deixei outras compras de reserva.

 

 

Alto da Pedrada -a meta

 

No próximo dia de canícula, terei, pelo menos, mais uma compra para fazer. Um cartão adequado para a minha máquina! Não sei se comprar um com 32 GB ou com 64 GB! Já sei que, se conseguir ir à Pedrada, no próximo Agosto, esperarei que não chova, terei que pedir ao meu amigo Eolo para tentar colocar as suas ventoinhas a trabalhar com suavidade. Quero subir a minha serra, sempre em posição de disparo.

Quero atravessar o planalto da Naia a clicar em todas as direcções. Direita, sobre os rouceiros, a Peneda, a Gavieira, ... esquerda, sobre o Alto do Lombo, ... frente, sobre o Muranho, a Derrilheira, a Serrinha, ... e rectaguarda, tudo o que for ficando para trás. Quero observar bem as falhas que fazem deslizar o Alto da Derrilheira, deixando-se abater e ficando mais atarracado.

 

 

Portela - para lá Peneda, para cá Adrão

 

Vou tentar abater dois kg para, quando me encontrar lá em cima, trazer até aos meus olhos, pelo visor da minha máquina, as borboletas que esvoaçarem nos socalcos da Veiga, os coelhos que passearem na Chãe do Ruivo ou, as lagartixas que, nas Fontes caminhem sobre a pedra que serve de lápide ao meu Quico. Da Serrinha, quero trazer até aos meus olhos, o Poulo de Adrão, na serra da Peneda e, ver caminhar entre os seus fetos, as almas da minha gente das grandes transumâncias.

 

 

Alto da Derrilheira

 

Quero subir à Pedrada com a máquina pronta a abrir "fogo" de rajada sobre a cobra que me costuma desafiar e fugir para as pedras do "palácio inacabado", gritando: "salvé, Ventor"!

Quero rebocar o buraco do Fojo do Lobo até à ponta do meu nariz. Quero ouvir a mesma algazarra que ouvi na montaria quando o meu pai matou a loba rabicha, quando as mauzers dos guardas fiscais e florestais cuspiam balas sobre o tal lobo ricocheteando nas pedras de granito e ver nas reentrâncias dos muros as pessoas que gritavam com euforia: "eh, cão, eh, cão", enquanto a desgraçada fugia rumo ao boraco!

 

 

 

O nosso Fojo do Lobo

 

Foi esse o dia que tive perto de mim, a 10-15 metros, o lobo "mau", por duas vezes. Da primeira, fiz tanta algazarra que voltou rumo à corga das Forcadas, depois, sobre o fogo intenso dos que vinham pelo Curral do Pai, voltou a correr em minha direcção, cravou os olhos nos meus e disse: "um de nós vai ficar mal, Ventor"! Foi dessa segunda vez que o Ti Zé Ribeiro, correndo em meu auxílio, apontou a sua espingarda de carregar pela boca e lhe acertou com os pedaços de ferro de um pote velho, no lombo do lobo (depois de morta vimos que era loba), ela desviou-se para a minha direita e iniciou a corrida na direcção que não devia, rumo ao buraco do Fojo. Ela corria por dentro do muro e eu por fora, pedindo a todos os santos para a tirar de lá. Sempre que passo naquele sítio, vejo os olhos da loba cravados nos meus. Se fosse hoje teria arranjado maneira de ela fugir para os lados da Brusca e nunca mais a viam!

 

 

No monte da parte superor direita desta foto, de manhã, vimos o primeiro lobo nessa montaria. Pela sua cor, podeira ter sido a loba rabicha, morta mais tarde

 

Foi tudo isso que me levou a pensar, desde então, que os lobos e os homens devem continuar a caminhar juntos na bela serra de Soajo e ficarmos a recordar tudo aquilo, como um monumentos aos nossos antepassados e aos lobos que tombaram nessas lutas inglórias.

É por isso que eu gosto de ir à Pedrada e levo sempre na minha caixa craniana uma vontade enorme de voltar a ver, por lá, mais um lobo, mais um amigo que, tal como os outros, nunca mais esqueceria.

 

Continuo a viver essas esperanças! A esperança de voltar à Pedrada e a esperança de voltar a ver mais um lobo por lá.

Tenho esperança que a minha máquina me ajude nessa busca.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 12:10