... sonhando, fui passear por Adrão. Mais uma das minhas caminhadas de sonhos!

Não tenho sonhado, já há muito tempo, com aquele meu belo cavalo de sonhos - o Antar. O Antar, quando o meu Quico andava por aqui, era uma presença constante nos meus sonhos, depois sumiu.

As últimas imagens que tenho dele, bem fixas, na minha mente, é a visão da sua cabeça, de olhos fixos em mim, relinchando, a chamar-me para entrar e a minha mãe toda bonita a mandar-me de volta para este nosso mundo porque o outro ainda não era o meu.

Não me recordo de outro sonho com o Antar. Acho que esse foi mesmo o último até hoje.

 

Também sonhei pouco com o meu Quico mas, nas últimas noites, sonhei com ele duas noites seguidas.

No primeiro sonho, o Quico apareceu-me para me pedir para tratar o Pilantras como o tratei a ele. Caminhava entre os fetos e as urzes, nas minhas Montanhas Lindas, direito a mim, para me dizer que estava contente por eu voltar a ter um dos seus, junto de mim. Estivemos juntos, falamos de tudo e da sua rapaziada que, por aqui, continuam a ser mortos de várias formas, atropelados ou mal tratados. Encontrei morta a gatinha que julgo ser a mãe do Pilantras porque eles eram a chapa, um do outro. Ela morta e o Pilantras com a perna direita partida, pensávamos nós, atormentado com o seu mundo escondido de todos mas que, apareceu ao som daquela que lhe dava de comer para ir sobrevivendo. Coxinho, com a patinha no ar, sobre três patas. Aproximei-me e só disse: "isso está mau Pilantras"! Olhando-me nos olhos, nos seus estava a rsposta. «Somos uns desgraçados, quase ninguém nos liga. Gostava de saber porque há tantos humanos que não podem connosco. Que terá havido, Ventor, entre os meus antepassados e toda esta gente que não pode com gatos»! "Não é só com gatos, Pilantras. É com todos os animais e até com eles próprios. Todos eles vivem no seu Universo. Estás perante o pior dos animais quando são atingidos pela maldade. É o único animal que é capaz de fabricar armas para matar os outros animais e a eles próprios. A maioria tem todos os males enraizados neles"! 

 

 

O Pilantras, uma das belezas do Ventor

 

Pedi à sua amiga para me ir buscar uma mantinha, apanhei o Pilantras, enrolei-o na mantinha e levei-o para casa. Comeu que se fartou. No dia seguinte, levei-o a um Hospital dos Animais, em Lisboa, onde trataram dele, preparando-o para oferecermos a quem o quisesse. Eu era capaz de o oferecer a quem soubesse tratar dele e, se fosse caso disso, até pagaria as despesas a quem o levasse. Porém, depois de o conhecer e do pedido do meu Quico, já não deixará o nosso convívio mesmo sabendo o perigo que ele representa para mim.

O Pilantras é uma beleza da Natureza!

 

Na noite seguinte, voltei a sonhar com o Quico! Caminhava nas minhas Montanhas Lindas cheio de calor e sede, sem fontes de onde escorressem gotas de água que fosse, para molhar os lábios.

Comecei a ver uma língua de areias douradas por entre os fetos e as urzes. No centro dessa areia, corria da minha direita para a minha esquerda, água pura, limpinha e, do lado contrário dessa água caminhava o meu Quico com aquele grande rabo a vassourar a areia, a olhar-me muito sério. "Bebe água, Ventor, que esta é pura. Foram as Ninfas que fizeram esta fonte para tu matares a sede".

Onde estão elas, Quico? "O Senhor da Esfera não deixa que as vejas, só me podes ver a mim. Elas estão a ver-te e dizem-me que estás a passar um mau bocado mas ele vai passar". E estava mesmo!

Acabei de perder de vista o Quico, a areia dourada, a água, os fetos e as urzes. Levantei-me, fiz uma festa ao Pilantras e fui à cozinha beber água fresca.

 

 

Quico, o gato que o Ventor nunca esquece

 

Atacado pela gripe, desestabilizado o meu sistema imunitário, a presença do Pilantras e, a noite seguinte transformara-se no mau momento de que o Quico me falara, em sonhos.

Todo o meu sistema respiratório baldou e o processo de meter ar, cá para dentro, é utilizar toda a força ainda disponível. O barulho é de tal ordem que dá para acordar todos os quarteirões em redor, se vivesse num centro, cercado por todos os lados.

 

Assim, dormindo e sonhando ou acordado, desta vez, por duas vezes, caminhei, mais uma vez, pelas minhas Montanhas Lindas, em redor de Adrão, sem fontes, sem Naia, sem Muranho e sem água. Mas, mesmo sendo em sonhos, deu para perceber que a nossa passagem por este mundo é muito mais complexa do que parece.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 13:25