Pois é!

Mais um ano, mais um S. Martinho, mais castanhas!

Hoje, foi mais um dia de S. Martinho! Foi um dia de castanhas. E eu, para não destoar, só comi castanhas; castanhas, castanhas, castanhas! Comprei água-pé! Comprei castanhas! Comprei o rosé, Muralhas de Monção, para fazer de água-pé!

Infelizmente, vivemos num país de mentiras!

 

Comprei água-pé (vinho de mesa), ofereceram-me água-pé (vinho de mesa)! Tudo isto, para além do célebre rosé, Muralhas de Monção! Uma beleza, o Muralhas, uma beleza, a água-pé, uma beleza as castanhas!

 

Uma beleza porque não encontrei castanhas com bicho. Um milagre!

 

Por isso, hoje, junto-me ao S. Martinho de Soajo, para comermos castanhas. Junto-me porque, me lembro da água-pé dos meus pais, do vinho novo, daquele vinho que fazia uma rosinha na malga e salpicava para o nariz, penetrando e deixando um odor inesquecível! Junto-me, porque me recordo das castanhas dos nossos castanheiros, das castanhas compradas, no primeiro do S. Martinho, em Soajo. Junto-me porque, depois de fazer uma viagem de carro, nada agradável, desde o Aeroporto de Tires, em Cascais, até à Amadora, chegando a casa, só me apeteceram castanhas! Castanhas, água-pé  e o rosé das Muralhas de Monção!

 

Lembrei-me dos castanheiros do ti Valente, no Porto Amélia, perdoem-me se não é assim que se chama! Mas refiro-me ao fundo do Picoto, junto à corga que trás a água, desde a Corga Grande. O ti Valente, creio que era dele, tinha ali um castanheiro que me enchia as premissas, entre eu e a Natureza! Eu adorava aquele prado! Era ali que arranjava quase todas as minhas varas de castanheiro! Era ali que rebolava no feno! Era ali que, tal como um lobo, roçava a coluna nas primeiras varas que nasciam em volta desse castanheiro. Era ali que eu aprendi a ouvir os pica-paus a esburacar os carvalhos e os castanheiros, para fazerem os ninhos!

Era ali e, por cima dos carvalhos do ti Valente, a caminho do marco D'Além! E, também, noutros lados.

Ainda hoje tenho esse som nos meus ouvidos!

 

Hoje, recordando-me do meu Quico, do S. Martinho, em Sintra e, também, do S.  Martinho de Soajo, apetece-me deixar-vos, aqui, castanhas para todos!

 

 
Castanhas para todos

 

Há muitos anos, eu caminhava pelo Marco D'Além, pela Lama das Cruzes, junto às Austrálias e aos castanheiros do ti João Rego, na Tapada d'Além e, ainda me recordo de, quando eu era pequenino, caminhar agarrado às saias das mulheres da família e às calças dos homens, ... um dia, o ti João Rego, o pai da minha madrinha, Rosa Martins, me dizer: "este castanheiro, Luís, será sempre teu"! Todas as castanhas que ele der, serão tuas! Descobri que essa tapada, a Tapada d'Além, iria ser vendida! Talvez, se a minha saúde fosse um pouco mais avantajada eu a comprasse, apenas e só pelos dois castanheiros que tinha ou, que ainda tem.

Mas descobri que, se a memória está correcta, que o filho de um amigo, nascido em França, está interessado nessa compra! Será para ele! Eu jamais terei o amor por Adrão, que Adrão me mereceria. 25.000 euros e eu concretizaria um sonho. Mas para quê? Sê feliz com esse pedaço de terra meu amigo! Tu merece-la, por sonhares com Adrão!

 

Mas, tal como os castanheiros, tinha, então, uma coisa linda! Um salgueiro, junto ao rego da água! Em Janeiro, nos Janeiros do passado, eu ficava tempo, sem fim, a olhar os gatinhos, peludos do salgueiro!

 

Agora, neste dia de S. Martinho de 2011, espero que todos que as queiram, tenham castanhas. Sei que, neste momento, o S. Martinho de Soajo, sobe junto ao moinho da Trapela, rumo às Fontes para, Ele, o Quico, as Ninfas e outros acompanhantes, comerem castanhas e beberem água-pé, em honra do Ventor.

 

 
S. Martinho de Soajo

 

Que nunca vos faltem as castanhas!

 

 

 

 

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 22:39