À conquista de Soajo, ao redor de Adrão mas, longe da Pedrada!

 

 

A Casa do Souto, em Soajo

 

Longe da Pedrada, longe das minhas fontes, nas alturas. Da Fonte da Naia, da Fonte do Muranho, da Fonte da Corga da Vagem, das minhas alcatifas preferidas!

Sempre achei que as minhas alcatifas preferidas, são aquelas que são constituídas pelas carrascas floridas, pintadas de rosa, pelas carquejas, pelos fetos verdes, pelas ervas que dão ânimo às rainhas das montanhas, pelas urzes ...

Tão perto e tão longe de tudo!

 

 

A Casa do Souto, em Soajo

 

Mas não foi chita!

Estive nas Fontes, na minha Parnaso!

Ali, mais uma vez, só eu, o meu Quico e as Ninfas das Fontes. Ali, como em todos os pontos das minhas Montanhas Lindas, sinto-me sempre acompanhado! Apenas, uma égua garrana e o seu filhote, mais um ou uma companheira das suas caminhadas e duas vacas que rumavam à Cascalheira, comendo e, mais um ou outro pássaro, os meus companheiros chascos, eram os únicos seres vivos que fizeram companhia, naquela jornada, ao Ventor.

 

 

Uma bota galega para transportar bebidas, a botelha galega

 

Vi Adrão da Barreira para baixo, vi Adrão da estrada para a Peneda e depois para Paradela e, no último dia, vi Adrão enquanto descíamos a Quelha da Costa até ao sítio da volta. Olhei os caniços, a velha latada e, lá mais longe, observei a Coroa dos meus amigos Caturnos, o Marco d'Além, o Gondomil, observei a zona da Corga Grande, o Penedo do Osso, o Picoto, a Férrea, cumprimentamos a Teresa do Valente e, sem mais, desisti de atravessar o Cabo do Eido, de olhar a janela dos meus sonhos, atravessar o Eirado, em frente da nossa Capela, dirigir-me para Outeiros ou para a ponte, seguir pelo Carril até ao Portinho d'Além e, observar as libelinhas sobre as águas do rio a dançarem para mim.

 

 

Uma cabaça de Soajo, para transportar bebidas. Bem mais frágil que "la botelha galega"

 

Já passeei por Adrão, de noite, sonhando, numa noite de chumbo com o meu cavalo Antar, sem ver ninguém. Só no fim, num retorno apressado e barulhento desde o Carril, as pessoas, talvez por receio, fizeram ranger as portas nos gonzos e acabei por ver nitidamente o meu pai, a minha mãe e algumas pessoas a caminharem para mim mas que não deu para as identificar! Desta vez, bem acordado, com o coração a pulsar, deixei na Teresa do Valente, a mãe dos filhos do meu primo Diogo, o beijo que partilhará, mesmo que não o saiba, com toda a gente de Adrão. Foi uma mensagem, ... de um sonho. Sim, porque também concretizei um sonho! O sonho de ver uma das suas filhotas, a Rosa, que já não via há muitos anos, devido a andarmos perdidos pelos cantos dos nossos mundos.

 

 

Canastros de Soajo ou espigueiros, vistos da casa do Souto

 

Mas, o fenómeno persiste! Caminhar em redor das minhas Montanhas Lindas e sonhar! Sonhar com realidades passadas, sonhar com possibilidades de realidades futuras, sonhar sempre com a minha gente, com os meus sítios, ...

Mas olhei a Senhora da Peneda, em Soajo, na festa de Nossa Senhora das Dores, vi o Seu casarão, na Peneda, comi o bacalhau com broa, no Miradouro, em Castro Laboreiro.

 

 

A mó invertida de um moinho, para servir de mesa, para os grelhados

 

Continuo a ver Paradela de passagem pela estrada ou de Lindoso, passei pela Várzea, pela Ponte da Barca, pela Senhora da Paz, pelos Arcos, ... ao lado dos Malinos, com o ribombar dos seus bombos, os acordes das suas concertinas, tudo isto porque nos Arcos também havia festa e, tudo terminou depressa!

No regresso, almocei cabrito, em Ponte de Lima, lanchei pão-de-ló, em Arouca, subimos à serra da Freita que atravessamos fazendo passear os nossos olhos pelas suas paisagens deslumbrantes, a perder de vista e, pelos seus céus, sobre as nossas cabeças, passeou uma águia que, procurando lanche, apressadamente, cumprimentou o Ventor. Prosseguimos até ao local da frecha da Mizarela, onde as águas que rolavam, em precipício, lançando-se das alturas, sobre o rio Caima, gritavam, saudando o Ventor.

 

 

Uma poupa, companheira de uma caminhada disparatada do Ventor, que pretendia ir a pé para Adrão. A poupa bem avisou o Ventor! Com esta canícula, sem água, sem chapéu, sem caminhos, sem cajado, seria um disparate, porque o Ventor tentou fazer a encosta, frente à Açoreira! A poupa era penteada pelos pinheiros e o Ventor pelas giestas

 

Mas, desta vez, a beleza de Soajo, permaneceu a meu lado, pelo cair da noite e pela chegada da alvorada, por terras do Souto, com os cânticos dos pássaros. Dali, rolando rumo ao Mesio, a Adrão, os girassóis sorrindo ao sol da manhã, se perfilavam, saudando Apolo e Ventor que, mais uma vez, se encontravam juntos em redor das suas Montanhas Lindas.

Nessa caminhada de seis dias, por Soajo, sob as suas latadas, recordo-me que não "roubei", aos soajeiros, um único bago de uvas para matar saudades. Para mim, foi como se, quando entrei na noite de sábado, na Igreja de Soajo, bem como no domingo de manhã, não tivesse visto perfilados, de ambos os lados, todos os santos que, conjuntamente, com a Senhora das Dores, iriam participar na sua festa.

 

 

Mas, depois de um  bacalhau com broa, em Castro Laboreiro, matei a sede, na nascente das Fontes

 

Eu sei, eu sei! Não precisava de ser tão puritano. Não seria pecado tirar um bago de uvas para provar as uvas das velhas latadas de Soajo. Mas caminhei por Soajo, na sua conquista. Talvez melhor, reconquista!

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 19:48