Sim, mês de Julho, mês de S. Bento!

Para mim, mês de grandes caminhadas. Algumas, por Santuários de S. Bento. S. Bento do Cando, S. Bento da Porta Aberta, ... Estes dois santuários, situados nas belas zonas maravilhosas do Minho. S. Bento do Cando, nas minhas Montanhas Lindas, S. Bento da Porta Aberta, nos contrafortes da serra Amarela. Os dois, são belezas do meu mundo!

 

 

Em 2006, na nossa descida da Pedrada e de passagem pela Fonte da Naia. O trio dessa grande caminhada, eu, o Luis Perricho e o Jack. Nesse ano, a Fonte da Naia estava linda e eu adoro mexer e beber daquela água

 

Hoje, neste mês de S. Bento, não consigo fazer uma caminhada. Estou aqui, sentado no meu carro, à espera que o meu "malmequer", faça, na passada que lhe convier, uma caminhada pela IKEA.

Eu fiquei aqui, no carro, à sombra, esperando que o emplastro que ela me colocou no fundo das costas, faça o seu trabalho de sapa e ela, provavelmente, espera que eu, em passadas suaves, me encontre pelos sítios das minhas amigas perdizes. Mas não! Estou aqui em baixo e, sem vontade de sair do carro.

À minha frente, tenho a relva verdinha, um pinheiro manso, bonitão, alegrando-me como pode e, por isso, me disse: "imagina, Ventor, que estás no Cerdeiral"!

 

A pedido do pinheiro, imagino que sim! Mas tenho outras imaginações e lembranças. Lembro-me, quando pequenote, caminhava, ao lado de minha mãe, no caminho da Açoreira, quando íamos regar o milho e ela me ensinava a conhecer os meses. Para aprender, eu caminhava ao lado dela. Não fosse isso e, iria bem lá à frente, a espantar as lagartixas ou, então, bem cá atrás, à procura da cobra ou do lagarto que, fugindo de mim, me faziam acreditar que me queriam amedrontar. Foi no caminho da Açoreira que eu iniciei o treino, para não ter medo de nada.

 

 

As flores das carrascas, são belezas das minhas Montanhas Lindas. Todas elas saúdam o Ventor

 

Mas recordo aqui, como eu aprendi a conhecer os meses, do primeiro ao último:

Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, S. João, S. Bento, Agosto, Setembro, S. Miguel, S. Martinho e Natal.

Nesse tempo, também a minha mãe me ensinava a contar, brincando e, o meu pai lhe dizia para não me baralhar a cabeça. "Não baralhes a cabeça ao moço. Qualquer dia, nunca mais aprende a contar"!

Não há como embaralhar esta cabeça tonta e eu ensino-lhe o que sei:

 

Una, duna, tina, catuna, catunal, advogal, jerupia, jerupez, conta bem, que são dez!

Nunca mais me esqueci desta contagem.

 

Foi, pelos anos fora, o mês de S. Bento, o mês que mais vezes me levou a Adrão e, com isso, o mês que mais vezes me levou à Pedrada. Umas vezes de manhã, outras vezes de tarde e, outras, o dia todo. Como o meu tempo foi sempre pouco, chegava a ir à Pedrada e voltar em quatro horas. Isso, já acabou! Agora, revejo cada pedra, cada moita e aponto a máquina em todas as direcções. Sempre diferente, sempre igual! Há muitos anos que não faço o velho trilho da Férrea, Chãe do Boi, Fonte da Naia. Tenho deixado esse trabalho para a minha máquina. Ela tem passado lá por mim. Mas espero, um dia, repetir esses trilhos.

 

 

O meu belo companheiro anterior. Cometi um erro tê-lo trocado. Um dia destes vi-o passar levado por outras mãos. Uma beleza de carro que deu cabo da direcção numa Avenida de Lisboa, esburacada. Não quis gastar uns 700 euros na sua reparação por falta de confiança na mesma. Preferi a sua irmã novinha mas, ao vê-lo passar, tive saudades dele

 

Hoje, sentado no meu carro, sem poder ir à procura das minhas amigas perdizes nem caminhar pelas lojas da IKEA, sinto o emplastro queimar-me a pele, enquanto o meu cérebro faz as caminhadas que eu desejava, cavalgando pelos trilhos de Adrão.

Apetecia-me meter-me no carro, cedinho, galgar quatro horas de estradas e ir tomar o pequeno almoço a Ponte da Barca ou Arcos de Valdevez. Subir a S. Bento, nos Arcos, meter a minha madrinha no carro, levá-la a S. Bento do Cando, à Senhora da Peneda, almoçarmos em qualquer lado, podia ser no Miradouro, em Castro Laboreiro, regressar pela Cascalheira e beber água nas Fontes. Deixando a sede a boiar nos fetos das Fontes, junto ao meu Quico, regressar por Paradela, Cunhas e, em Soajo, observar a "casa" onde a minha madrinha me apresentou ao Senhor da Esfera, governada por nossa Senhora das Dores.

 

Regressar aos Arcos, comer um jantarzito apressado, para não me dar sono pelo caminho e, lá pela uma da manhã, deitar-me na minha cama bem cansado e continuar sonhando com os trilhos que meus olhos haviam pisado. Seria uma bela caminhada com cerca de 1.000 kms de prazer. Mas não posso! Algum desse tempo, seria perdido a entrar e a sair do carro, com uma ou outra ganideira, no caso de conseguir manter-me lá sentado, O Senhor da Esfera não quer, por isso eu não faço porque não há emplastro que me valha.

 

 

Belezas dos meus montes - as Fontes. Nem o tanque nem o poço, em baixo, são dos primórdios do meu tempo. Nasceram depois. O tanque dá muito jeito para os animais beberem à vontade e o poço, espero que nunca faça falta para apagar incêndios mas estará lá para isso e, se calhar, para os javalis olharem

 

Continuei a olhar o pinheiro, rodeado de verduras, fazendo voltar a minha mente, ao Cerdeiral!

 

 

Este pinheiro, no meio do verde, é um pinheiro lindo e, hoje, quem liga a um pinheiro? Ligo eu, porque se trata do belo pinheiro que há mais de 50 anos nos fornecia pinhões, aos alunos da escolinha do Senhor da Paz, em Adrão

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 00:57