Estávamos no Ano de 1973!

Um dia, no Ano de 1973, entrei eu, bem cedo, no velho Café Monumental, onde, todos os dias, salvo raras excepções, tomava o meu pequeno almoço, antes de ir para o trabalho.

Por vezes, encontrava por ali um amigo ou outro e, também, por ali, fazia mais um ou outro amigo novo.

 

Numa manhã de Setembro, dois ou três dias após a morte de Salvador Allende, na revolução de Pinochet, entrei eu no Café Monumental e, duma mesa, lá no fundo, vi um braço no ar. Era um velho amigo que tinha acabado o Curso de Direito, em Lisboa e era dos lados de Monção. O outro eu nunca tinha visto.

"Hoje vens cedo, senta-te aqui com a gente. Apresento-te o Capitão X"! X porque não me recordo do nome. "Estivemos os dois, em Nabuangongo! É de Aveiro e está chateado com esta "Primavera" sem fim! Mas estamos quase no Outono! Disse eu, na brincadeira.

 

O tal Capitão, veio a saber que eu era do Norte, Arcos de Valdevez, de Soajo, até chegar a Adrão, mais precisamente. Eu, sempre que dizia que era de Soajo, ficavam a olhar-me ... e, onde fica isso? Aquele capitão de Aveiro, já tinha ido à Peneda, já tinha estado em Soajo e, para alcançar a Peneda, tinha passado por Adrão. O homem era um fala barato, parecido comigo!

Conversa daqui, conversa dali, virou-se para mim e disse: "sabe o que me apetecia"? Outra torrada - disse eu. "Nada disso! Apetecia-me pegar na minha Companhia, entrar na Assembleia Nacional e varrer aqueles gajos todos"! Então que lhe fizeram para ficar tão furioso? "Vão acabar com o vinho americano a pedido! Andam para aí uns sacanas de outros vinhos a dar cabo do vinho americano. Mas onde já se viu isto"? E mais umas coisas. Não me recordo de tudo mas a conversa foi deste teor. De repente, começou a falar do novo Parque Nacional da Peneda Gerês.

Virou-se para mim e disse: "e você não se ria! Porque vão ficar sem a serra de Soajo"!

 

 

O Alto da Pedrada, serra de Soajo, o Miradouro natural mais belo que eu conheço

 

Lá que você esteja chateado eu acredito mas, quanto a entrar na Assembleia e varrer tudo, não se esqueça que há lá muita escumalha, mas também lá há gente boa que não vê o país de forma enviesada (estava a lembrar-lhe a chamada Ala Liberal de um cariz mais democrático e que para muitos era, a Ala da Esperança.

 

É fácil varrer a Assembleia, mas a serra de Soajo ninguém a vai tirar de lá e, por isso, nunca ficarei sem ela!

Há já algum tempo que penso nestas conversas e me levam a recordar alguns dos amigos esporádicos que nunca mais vi. No ano seguinte deu-se o 25 de Abril e para mim, cumpriu-se o meu prognóstico (feito em 1970, em Vila Cabral) com cerca de meio ano de atraso.

Hoje, quando leio algo sobre a serra de Soajo, vem lá, sempre, a serra da Peneda. Mas a disputa pela Pedrada faz parte de uma guerra de cabeças ocas. De nabos, para não dizer de energúmenos.

«A Pedrada, é o ponto mais alto da serra da Peneda» ... «A Pedrada, é o ponto mais alto da serra de Soajo». Isto é um rapa-saca do nosso tecto por parte dos nabos do Parque e de quem com eles alinha.

 

 

 

A Peneda fica para lá deste Cruzeiro. A Pedrada, o Alto da Pedrada, não tem nada a ver com a Peneda, nem tem nada a ver com as respostas estúpidas às perguntas feitas nos concursos da estupidez televisiva. O Alto da Pedrada é o ponto mais elevado da serra de Soajo, não é o ponto mais elevado da serra da Peneda 

 

Os nabos que fizeram o Parque Nacional da Peneda-Gerês, como todos sabemos, tinham de lhe dar um nome e, por mim, o nome pode estar correcto, pois ele teria de chamar-se qualquer coisa. Mas o que esses nabos todos deveriam saber, desde os do Parque a outros que pululam nos meios geográficos e orográficos não têm que trocar os nomes às serras. Podem trocar nomes a outras coisas, ... se quiserem, à própria mãe. Isso é um problema deles, não é um problema da serra de Soajo nem da serra da Peneda. A serra de Soajo, é a serra de Soajo e a serra da Peneda, é a serra da Peneda. Vamos lá a ver meus "amigos" se começam a chamar os touros pelos nomes. Touro é touro, mas tem nome! E eu até podia dar os nomes a muitos que escrevem sobre essas duas belas serras de Portugal.

O ponto mais alto da serra de Soajo é o Alto da Pedrada e Arcos de Valdevez, não é a Peneda (como na telenovela estúpida que deu na Quatro! Aparecem sempre uns gajinhos com vontade de trocar os nomes às coisas. De embaralhar, de querer ser revolucionário. Para muita dessa escória, ser revolucionário é subverter as coisas. Subverter os nomes às ruas, às praças, às pontes e, como isso não chega, às serras ...

 

 

 

Na serra de Soajo, tal como na serra da Peneda, nascem flores e umas e outras, tal como eu, não gostarão de ver os seus berços adulterados por burros a quem chamam doutores e engenheiros

 

Eu sei que ser revolucionário é subverter mas, atenção! É subverter as linhas de orientações quando elas estão traçadas contra os interesses dos povos, e tanto quanto me parece, nem a serra da Peneda, nem a serra de Soajo têm nada a ver com isso. Eu nasci na serra de Soajo e, como devem calcular, não gosto nada que lhe troquem o nome. Por isso, deixo aqui, para todos aqueles que dão ao rabinho pelas minhas Montanhas Lindas, servindo-se dos erários públicos, para não adulterarem as coisas. Se andaram a estudar ou a fazer que estudaram para adulterar as coisas, espero que não se sirvam do vosso "emprego" para sacanear aqueles que vos pagam. No vosso entender, devem pensar que estão a prestar um belo serviço, mas eu e muitos outros achamos que não. Levantem o rabinho das secretárias e vão para o terreno trabalhar. Deixem de inventar mapas! Façam pela vida, não estraguem!

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 00:10