Uma lembrança da minha companheira de velhas e novas caminhadas. Não estava no rol dos esquecidos, mas proporcionou-se hoje, que fosse aqui recordado esse pequeno trilho de uma das nossas caminhadas por Adrão.

 

Há muitos anos, no tempo en que Adrão ainda vivia às escuras, ainda na década de 70, rumamos a Adrão eu e parte da minha nova família.

Malas feitas e, ... ala que se faz tarde!

 

Preparados para iniciarmos essa nova caminhada, de repente, ouço dizer: "não te esqueças da televisão"!

«Para que raio querem a televisão? Em Adrão, toda a gente dorme às escuras! Deitam-se com as galinhas e levantam-se com os galos. Quando o francês canta, tudo fora do quentinho»!

Não há electricidade, ... e, a única lamparina a sério é o meu amigo Apolo a espalhar raios luminosos e, às vezes, pede ajuda à minha amiga Diana. Os restantes pontos luminosos, são iguais aos que haviam na Falagueira, noutros tempos, candeias de azeite, de petróleo, petromax, pilhas de tdos os tipos ...

 

Pelo sim, pelo não, o meu cunhado meteu a sua pequena televisão adequada para estas caminhadas, pelo Alentejo e arredores e agora, seria uma inovação e uma festa em Adrão. O objectivo, era que, em Adrão, houvesse televisão e houve! Foi com essa ideia que nos fizemos a um dos caminhos de Santiago, com passagem e paragem obrigatória, em Adrão, o centro do mundo do Ventor.

 

 

Não tenho uma foto da casa do ti Gonçalo, mas deixo aqui a casa que era do meu avô. Lá por trás, fica a casa que era do ti Gonçalo, hoje desconheço a quem pertence. Será, certamente, dos seus herdeiros 

 

A minha mãe lá arrumou a gente como pôde e, ao meu cunhado, a mulher e o filhote, o Nico, coube-lhe, em sortes, a casa do ti Gonçalo, em Outeiros. Não sei como fomos lá parar mas foram arranjos de familiares e amigos para arrumarem o melhor possível a nova família do Ventor. Éramos 9 romeiros globetrotters.

Logo na primeira noite, depois de tudo arrumado, com os corpos a pedir cama, triturados pela canseira de rodar na Estrada Nacional 1, toca de ver se a coisa funciona. E não é que funcionou mesmo! A bateria do carro serviu para alimentar a televisão e nos pôr em contacto com o mundo. Algumas pessoas de Adrão, viram, pela primeira vez, uma televisão a funcionar, ligada à bateria do carro, na casa de Outeiros do ti Gonçalo. E o ti Gonçalo, que o Senhor da Esfera já, então, tinha à sua guarda, se calhar, esteve no meio de nós a observar as mudanças do seu velho mundo.

 

Hoje, acho que essa casa poderia austentar uma placa com esse feito. «A primeira casa, em Adrão, onde se viu televisão». Há milhentas placas por esse mundo fora, sem significado tão elevado!

Deixo aqui um grande beijinho para a mulher mais "jovem" de Adrão, a tia Rosinha Félix, que sobre o seu pedestal de 103 (?) anos, deverá saber isso, pois creio que se deveu a ela a colaboração com a minha mãe, de levarem, sem o saberem, aquela televisão a mostrar imagens do mundo na casa do ti Gonçalo.

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 23:57