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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


16
Jan11

A Lixeira do meu Cérebro

Ventor

Eu penso que o nosso cérebro funciona como um computador e, tal como um computador, tem um caixote de lixo onde se faz a reciclagem de tudo que deitamos fora.

Às vezes vamos buscar coisas perdidas, desinteressantes a determinada altura mas, depois, de repente, vamos vasculhar o porquê dessas coisas lá estarem e, acabamos por caçar uma ou outra.

 

Só que eu, esvazio sempre, ao fim de algum tempo, o que tenho no caixote do computador e fica limpo para voltar a receber outros lixos, enquanto no meu cérebro, por defeito ou qualidade, os lixos se vão acumulando.

 

Então vejam lá se isto, este sonho, não resulta duma lixeira com reciclagem encravada!

 

Duas noites atrás, sonhei que estava em Adrão, por baixo da ponte, à espera de um sinal para parar o rebentamento de uma bomba atómica demasiado grande para destruir o mundo.

O sinal iria ser transportado pelas águas do nosso riozinho e só eu poderia evitar a catástrofe. Sem sabermos ler nem escrever sobre o que se iria passar, um outro indivíduo que eu nunca fui capaz de identificar, estava comigo a observarmos o rio e, de repente, desce misturada com as águas do rio uma mistela química gelatinosa que teria de ser detida com outros produtos químicos e tínhamos poucos segundos para desencadear essa reacção. Esse indivíduo tinha essa missão, a minha era a velocidade!

 

Eu teria de fazer uma corrida de tal ordem que, sem mais nem menos um segundo, teria de ligar uma alavanca geral de uma determinada estrutura eléctrica que iria evitar o rebentamento dessa super-bomba! Ao mesmo tempo, esse tal indivíduo teria de, através de um contra-ataque químico evitar que essa matéria gelatinosa, transportada pelo rio de Adrão, passasse para jusante da ponte. Eu só poderia iniciar a corrida quando essa matéria chegasse ao centro do poço e tocasse aquela pedra a que eu já chamei, por aqui, o umbigo do poço da ponte.

 

 

Era aqui que se desencadeava a grande batalha química. Nunca identifiquei o meu parceiro desse combate. Eu teria de ir pelo Carril para puxar a tal alavanca, um pouco mais acima, na zona de Trás-das-Chouras. Terá a ver com regras que ninguém compreende, nem em sonhos!

 

Mal a mistela tocou o "umbigo" do poço, eu iniciei uma corrida à chita ou cheetah, e só podia parar depois de ligar uma alavanca que se encontrava num edifício subterrâneo que se situava mo Rio da Leira, por baixo das lavouras e que ultrapassava o rio por baixo para além da fonte de "Trás das Chouras" até por baixo da Barreira.

Até aqui, tudo bem!

 

Eu não podia correr pelo espaço mais curto, que seria subir directamente pelo velho caminho, rio acima, até entrar no tal edifício. Teria de sair debaixo da ponte, seguir pelo caminho do Carril, subir à casa que era do Ti Broas, meu velho amigo da Açoreira quando eu era pequenote, passar em frente da porta, torcer à esquerda e pegar o caminho que vai ao Lume da Leira e, quando chegasse à corte onde o ti Brasileiro guardava o carro, entrar o portal de acesso às lavouras, saltar os socalcos até uma lavoura que era da tia Martins onde existia um alçapão de cimento que teria de abrir, descer umas escadas de metal, dirigir-me à tal alavanca e puxá-la no segundo exacto.

 

Cumpri tudo! Não falhou nada!

Mas pelo caminho tive de quase atropelar duas pessoas que vi algumas duas vezes depois dos meus tempos de criança. Ao subir para a casa que era do ti Broas, a alta velocidade, desviei numa atitude esforçada a minha amiga Perfeita e a tia Maria Caneira que quase me insultaram porque eu só tive tempo de levantar a mão esquerda e apontar-lhes a casa onde deviam de se meter por causa das reacções químicas que iriam fazer-lhes mal se não se resguardassem.

Quando eu desci as escadas do alçapão, tudo em grande velocidade, fui interpolado por um jornalista da SIC que tive de derrubar, na minha corrida em direcção à alavanca geral de todo o sistema, que liguei. Depois dessa corrida vitoriosa, a única pessoa que ali conhecia era um Sargento da Força Aérea que não vejo desde Dezembro de 1967 que trabalhou comigo na DSCTA, na Av. António Augusto de Aguiar, em Lisboa. Portanto, nunca mais o vi em 42 anos!

 

Esse Sargento disse-me: "você está estoirado! Deite-se, por aí, num desses sofás e descanse um pouco - acabou de salvar o mundo"!

Respondi que não, que tinha de regressar pelo mesmo caminho porque haviam duas pessoas a quem tive de afastar e queria pedir-lhes desculpa por não poder parar. Teria de ir ver se se meteram em casa a tempo de fugir aos malefícios químicos que iriam subir desde o rio da Ponte.

Voltei a encontrar o tal jornalista da SIC que também não conhecia mas ele olhou-me nos olhos e afastou-se abrindo passagem. Mas as dores dos meus joelhos eram tão grandes que eu acordei!

 

Eu não corria, quase voava!

Depois de acordar, tive de esfregar os joelhos e logo os dois! Quando me levantei fui medir a tensão que não estava mal de todo mas o meu tic-tac estava a 96 aí duas horas depois do sonho ter acabado e de eu ter esfregado os joelhos até passarem!

 

Cumpri tudo no meu sonho, menos o ter ido pedir desculpa a essas minhas amigas que quase atropelei, mas não podia desistir!

Daqui mando um beijinho para as duas.

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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