Voltei a sonhar com o meu cavalo Antar!

Porque será que esse cavalo imaginário não me larga?

Será que haverá mesmo explicação, mesmo que "assim-assim" para os sonhos?

 

Lá que eu sonhe com Adrão, aceito perfeitamente, mas andar a passear por Adrão montado no meu célebre cavalo Antar, já me parece mais complicado! E mais complicado, ainda, porque ele continua sempre branquinho e tem participado em vários dos meus sonhos.

 

Sonhar com Adrão e com a gente de Adrão, acontece-me várias vezes mas, desta vez foi diferente.

Foi assim este sonho:

 

«Cheguei a Adrão já de noite, uma noite de luar, baço, com uma luz acinzentada. Ao chegar ao cimo da Quelha da Costa, reparei que não havia electricidade e fui descendo. Era um silêncio total! Não ouvia nada; nem o miar de um gato ou latido de um cão. Não fiquei admirado porque era de noite e seria natural que tudo estivesse a dormir.

Quando cheguei ao Cabo do Eido, pedi ao Antar para não fazer barulho com os cascos e caminhamos silenciosos, pelos meus caminhos. Passei no Eirado e vi a capela, passei na ponte, olhei o rio e fomos assim até ao Carril, num silêncio total. Tentei procurar a Lua, a minha amiga Diana, mas eu nunca a vi. Aquela luz difusa, num tom cinzento de chumbo, estava-me a complicar tudo.

 

No Carril, fiquei quieto, sobre o cavalo, a pensar porque nem sinal de nenhum cão, nem gato, nem nada. Voltei-me para trás e disse: "vamos Antar e vamos fazer barulho como se não haja ninguém para acordar.

O Antar respondeu-me: "e não há! Não captei nenhum sinal de vida"!

Voltei a passar pela Ponte, fiz todo o caminho inverso, numa caminhada normal com os cascos do cavalo a fazer barulho nas pedras, até pareciam que estavam a trautear uma canção!

 

Comecei a ouvir portas a rangerem, abrindo-se. O Antar, dizia-me que quase não acreditava naqueles sons, pois os seus sistemas de observação não tinham detectado nada. O meu coração batia descompassado, muito triste por só ouvir sons de portas a ranger e não ver nada.

"Calma, Ventor"! - disse-me o Antar.

A minha resposta para o Antar foi: "eu sei que estou em Adrão, não tenho dúvidas, e sei que as portas de Adrão nunca rangeram assim"!

O Antar relinchou, empinou-se, parecia que estava a desafiar o desconhecido e, de todas as portas começou a sair gente. Comecei a transformar a minha tristeza em alegria ao ver tantas caras de pessoas a aparecerem às portas, mas eu só via vultos que não identificava. Identifiquei algumas pessoas, poucas, porque normalmente só via vultos mas, no meio dos vultos algumas caras sorriam para mim sobre o cavalo. Mas, à minha porta, o meu pai caminhava para mim, com um tamanco na mão que estava a arranjar e, atrás dele, a minha mãe e algumas pessoas que me chamavam, contentes, mas cujas feições nunca identifiquei tão bem como as do meu pai a sorrir.

 

Acordei de repente, transpirado, a tentar recordar as caras de alguns velhotes do meu tempo que me tinham observado no sonho e tinham sorrido para mim mas, eu estava só e só fiquei, acordado a pensar nos porquês dos meus sonhos ... e, como de repente, de sobre um cavalo eu vejo tantos vultos da minha gente, dos quais só identifiquei meia dúzia! E, de repente, fiquei sem cavalo e sem gente ...

 

Porque não sonhei com as pessoas de agora que ainda observam os caminhantes e abrem as suas portas, normalmente? Porque não vi ninguém vivo da gente Adrão? Nem uma pessoa!

 

 

Para todos que me apareceram, no meu sonho, deixo-vos aqui as nossas flores rosadas

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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publicado por Ventor às 23:29