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Adrão, na Grande Caminhada do Ventor

Adrão, na Grande Caminhada do Ventor


Piquenique nas Fontes, em Adrão

Último piquenique da Maria Bondeira comigo

Último sorriso da Maria Bondeira para mim


Regresso a Casa, 2015


Clicando nesta foto, podem ver as restantes que compõem o Album Regresso a Casa, com fotos dessa minha passagem por Adrão no meu regresso, rumo a Lisboa, em 2015. Também podem clicar na setinha do Flicker e ver as fotos em slideshow


18
Ago10

Como um Lobo Solitário

Ventor

No dia 12 de Agosto, neste ano de 2010, levantei-me muito cedo no Hotel de Castro Laboreiro. Espreitei pela janela e, grande desilusão, as nuvens, bem negras, voavam no horizonte, bem baixinhas.

Fui tomar duche e, sem esperanças, aperaltar-me para, se o tempo me deixasse, realizar a minha esperada caminhada à Pedrada. Quando tomava duche, pensei na hipótese de, se a chuva caísse, mandasse para casa os bombeiros que exaustos ou não, lutavam contra os fogos que lavravam nas suas fraldas.

Descansadamente, sem pressas, convenci-me que não haveria caminhada mas, depois de tomarmos o pequeno almoço no Hotel e de beber mais um café, junto ao Restaurante Miradouro, tive uma sinfonia de corvos, monte acima, a dizer-me que, fosse como fosse, mais um dia se iria passar.

 

(Deixo-vos aqui algumas fotos)

Elas foram rebocadas para aqui, pela minha máquina que viu muito do que os meus olhos viram, desde o Fojo à Fonte da Naia. Vai haver mais. 

 

Já tarde, iniciamos a viagem, rumo à Peneda e, olhava o céu onde farrapos de nuvens dançavam para mim, nos cabeços de Castro Laboreiro. Mas as notícias, na rádio do carro, não eram boas! Soajo continuava a luta contra os incêndios. Mau, mau, mau .... pensava eu, baixinho. Trocava a minha ida à Pedrada por uma valente chuvada que acabasse com estes incêndios. Passamos a Peneda, Rouças, Tibo e atravessamos a Portela de baixo, rumo a Adrão. Chegamos ao Fojo e disse: "fico aqui"!

Seguiram rumo a Arcos de Valdevez mas antes, ainda conversamos com um amigo que nos pareceu esfomeado. A minha companheira, que adora animais, assaltou-me o farnel para dar um quinhãozito dele a esse amigo que, se calhar, alguém terá abandonado por ali. Comeu quase todo o resto à noite. Cego de um olho e com dois buracos na garganta feitos por uma dentada. Ele subiu comigo até à Portela, mas eu desencorajei-o a acompanhar-me porque, lá em cima, andaria o Tomé, o cão do Zé Manel e, possivelmente, haveriam lutas desnecessárias. Junto ao Cruzeiro da Portela de Cima, com vistas para Adrão e para a Senhora da Peneda, ele entendeu e lá ficou para trás.

 

 

O Cruzeiro da Portela de Cima, entre Adrão e a Senhora da Peneda

 

Segui só! Só, tal como um lobo solitário!

Se há coisa neste mundo que eu goste, é ver as rainhas das montanhas a observar-me, firmando a vista, de cabeça levantada, não vá ser o seu dono que as procure.

Quando passei as Lameiras, calculando que só tarde iria encontrar os meus amigos, pois levava três a quatro horas de atraso, troquei o estradão dos jipes por uma caminhada nos horizontes da Corga Grande, até ao Penedo do Osso, sempre com Adrão à vista, pela minha esquerda e os fumos de Cabril, no horizonte oposto e os de Soajo, lá no fundo.

 

Ao chegar ao Penedo do Osso, das quatro vacas que ali se encontravam, houve uma que caminhou ao meu encontro alguns 100 metros e orneou. Falei com ela e ela serenou. Parecia dizer-me: "já vi que não és o meu dono e que nunca mais os vais apanhar"! 

 

 

Uma galanta, nas minhas Montanhas Lindas

 

Rumei, então, à Fonte da Naia, já cheio de sede, pois o calor era bastante e a pujança da caminhada era fraca. Observava cada pedra, cada moita que, devido ao isolamento, conseguira escapar ao incêndio de 2006. Sempre que caminho nos meus montes, sinto-me rodeado de gente! É essa a minha sensação. Nunca estou só! Ao chegar à Fonte da Naia, saía alguma água por cima da pedra que o Luis e o António estiveram a arranjar o ano passado e, a outra saía por baixo. Mal a olhei, vi saltar um sapo e outro, talvez uma princesa do mundo das fadas, ficou a conversar comigo:

 

 

Uma princesa encantada na Fonte da Naia

 

"que fazes aqui Ventor? Tu não vais beber água porque tens nojo de mim? Podes beber, Ventor, eu não sou tão peçonhenta como tu sempre ouviste dizer. Eu sou um anjo nas tuas montanhas lindas! Eu sabia que tu vinhas aí e sabia que tu irias mudar de rota só para me veres. Tu não estás a ver um sapo, Ventor! Tu estás a ver uma Ninfa das Fontes! Tal como viste nas Fontes, no Sítio do Quico. Aquelas rãzinhas que viste nas fontes eram as ninfas que tu viste quando sonhaste. Elas lá e nós cá, caminhamos sempre acompanhando o Quico. Tu sabes bem, Ventor, porque o trouxeste para cá! Sabes porque decidiste leva-lo para a fonte da tua meninice. Tu conheceste essa fonte de cueiros e bebias água sempre que lá passavas. Por aqui, só mais tarde conseguiste caminhar, olhar-nos e, posso mesmo dizer, aparentemente, adorar-nos! Nós fazemos parte de ti Ventor! Tu, as nossas Montanhas Lindas, as nossas fontes, o Quico e, muito mais, somos os guardiões desta bela serra a que outros, uns asnos, já dão outro nome, mas que para nós, será sempre a serra de Soajo. Tu vais viver sempre aqui, Ventor, connosco. Nós somos quem vela pela fonte da Naia"!

 

 

Em Adrão também há flores lindas. São elas que embelezam as montanhas do Ventor, nas suas caminhadas

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